
Um dos terrenos desmatados fica próximo à Faculdade de Farmácia. Segundo Ibama, todas as retiradas de árvores no campus foram autorizadas
Desmatamentos recentes ocorridos em três pontos do Campus da UFJF chamaram atenção nas redes sociais. As árvores foram retiradas na Faculdade de Educação Física, na Faculdade de Farmácia e atrás do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt). No entanto, o chefe do Escritório Regional do Ibama em Juiz de Fora, Luiz Benatti, explica que a instituição foi autorizada a executar os trabalhos no dia 1º deste mês e, agora, tem 30 dias para apresentar compensação. “A expectativa é de que a proposta possa minimizar os impactos causados pela redução de área verde na região.”
A fotógrafa e moradora do Bairro Aeroporto, na Cidade Alta, Nina Mello, conta que a paisagem em frente a sua casa, que dá vista para os fundos do prédio do Critt, mudou. “Ali havia muitos animais, principalmente micos e tucanos.” No local, foi desmatada uma área de 0,6 hectares, o que corresponde a meio campo de futebol. A retirada das árvores foi realizada para dar lugar a um estacionamento. “Não sou contra o progresso, mas por ser uma universidade federal, ela tem que refletir outras possibilidades nas quais não necessite desmatar uma área”, afirma Nina.
O bosque da Faculdade de Educação Física foi retirado para a construção do novo ginásio poliesportivo. Segundo a Secretaria de Comunicação (Secom) da UFJF, o ginásio terá capacidade para 1.900 pessoas. Ao lado do centro esportivo será construído um edifício com salas de aula, gabinetes para professores, infocentro e biblioteca.
Já na Faculdade de Farmácia, estão sendo erguidos laboratórios de toxicologia, controle de qualidade, tecnologia de alimentos e microbiologia. Luiz Benatti conta que toda supressão de vegetação traz danos, principalmente para a diversidade e para o habitat natural dos animais. “As áreas urbanas não podem prescindir de forma fácil de espaços verdes, pois acaba diminuindo a qualidade de vida da população. Mas a universidade tem um quadro técnico, justificativa, amparo social e contexto para autorização das ações que estão sendo executadas.”
De acordo com a Secom, o Instituto Estadual de Florestas (IEF) emitiu o documento autorizativo para intervenção ambiental. Em nota, a secretaria informou que “a maioria das espécies era exótica, composta por pinheiros (pinus). No Critt, as sementes das árvores suprimidas foram coletadas para serem transformadas em mudas. Ainda nessa região, será implantada uma cortina arbórea para proteger o fragmento de Mata Atlântica. Próximo à Faculdade de Farmácia e em outros pontos no campus serão inseridas quatro mil árvores de diversas espécies”. A secretaria ainda ressaltou que, em 2012, foi feito o plantio de 10.500 mudas, que deixou a instituição com crédito de carbono.

