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JF tem chuva e calor recorde no mesmo dia

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No mesmo dia em que os 20 dias de estiagem tiveram fim em Juiz de Fora, a cidade registrou um novo recorde histórico de calor. A temperatura máxima atingiu os 36,6 graus durante a tarde de domingo, batendo um patamar ainda maior do que o alcançado na última terça-feira, quando os termômetros se igualaram ao verão de 1969 e registraram 36,2 graus. A maior temperatura já registrada em Juiz de Fora foi a de 37,4 graus em 6 de dezembro de 1923. Já no fim do domingo, os juiz-foranos viveram uma inversão térmica e respiraram um pouco mais aliviados com a chuva que caiu na cidade. Entre a tarde de domingo e a manhã de ontem, choveu uma média acumulada de 11,7 milímetros, e as rajadas de vento atingiram 67km/h. Apesar da novidade, a quantidade de precipitações ainda não foi suficiente para mudar o quadro nos reservatórios, e o rodízio de abastecimento em todas as regiões da cidade permanece. A chuva representa 10% da média do mês de outubro.

A última precipitação na cidade havia sido no dia 30 de setembro, quando foram registrados 11 milímetros de chuva. Desde então, o juiz-forano vinha convivendo com altas temperaturas e baixa umidade do ar. Entre domingo e ontem, dados da Defesa Civil apontam que Dias Tavares foi a área com maior índice de precipitação (37,65 milímetros), e a região central apareceu em segundo lugar, com 22 milímetros. Em contrapartida, o pluviômetro instalado em Santa Tereza não registrou nenhuma precipitação e o do Filgueiras contabilizou apenas 2 milímetros. Conforme o órgão, não houve ocorrências de destaque durante o período, somente uma ameaça de escorregamento de talude no Bairro Santos Anjos.

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Segundo a Cesama, a combinação chuva e racionamento já deu resultado, e o consumo na cidade caiu. Ainda não é possível precisar a quantidade, mas a companhia garante que, operacionalmente, o sistema já sentiu um alívio. A chegada de Chapéu D’Uvas também está surtindo efeito, e agora já estão sendo injetados 200 litros de água por segundo da barragem. Será feita uma avaliação, ao final desta semana, para decidir sobre a continuidade do revezamento. Enquanto isso, hospitais, unidades de saúde, escolas municipais e estaduais estão sendo abastecidos com caminhões-pipa, de acordo com as demandas.

Redução nas queimadas

As constantes queimadas que têm devastado a área verde no estado voltaram a acontecer no fim de semana. Segundo o Corpo de Bombeiros, foram 36 ocorrências entre sexta e domingo em Juiz de Fora. A boa notícia é que, após a chuva do domingo, a corporação não registrou mais focos de incêndio na cidade. Para auxiliar na melhoria dos índices, equipes de roçada e capina do Demlurb iniciaram ontem o serviço de aceiro da mata do Morro do Cristo. O trabalho já é executado regularmente, mas, após o aumento das queimadas, foi reforçado.

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Anomalia climática

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Segundo o meteorologista do 5º Distrito do Inmet, Luiz Ladeira, as chuvas ocasionais deixam as temperaturas mais brandas. Entre hoje e amanhã, as mínimas devem ficar em torno dos 16 graus, e as máximas não devem ultrapassar os 20 graus. Entretanto, partir da próxima quinta-feira, a probabilidade de chuvas é menor, e o tempo deve voltar a ficar seco. “As frentes frias que chegavam ao Sudeste estavam sendo dissipadas para o oceano. Desta vez, ela conseguiu molestar a massa de ar quente, atingindo o continente e provocando as precipitações, atenuando, assim, as temperaturas e elevando a umidade do ar de torno de 28% para 85%. Por enquanto, a previsão é de melhorias ocasionais, já que o ciclo contínuo de chuvas é esperado para novembro”, explicou Ladeira.

O meteorologista pontua, ainda, que a situação vivida em todo o país em 2014 trata-se de uma anomalia climática, estabelecida pela redução de chuvas entre os meses de março e setembro. “Durante estes meses, há poucas precipitações, mas neste ano foram quase nulas. Enfrentamos tempo muito seco e com forte radiação, que ocasionou na evaporação de água dos solos e na manutenção dos mananciais.”

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Moradores ainda reclamam de falta d’água

Apesar de o rodízio definir dias específicos para não abastecer os bairros, algumas regiões registram falta d’água mesmo estando fora da escala. Moradora do Ipiranga, na Zona Sul, a operadora de caixa Elizabeth Toledo está sem o líquido desde a última sexta. “Pelo rodízio, a água só ia parar de chegar amanhã (hoje), mas já estamos sofrendo com isso. Como vamos fazer essa semana? Não temos reservatório, e a água da mina que tem aqui no bairro é contaminada. Estamos tendo que tomar banho na casa de familiares, e não está dando para cozinhar e nem lavar nada”, reclama.

O problema ocorre na Rua Argemiro José Machado, na parte mais alta do bairro. Segundo o diretor de Desenvolvimento e Expansão da Cesama, Marcelo Mello do Amaral, a situação pode ter sido causada pelo consumo intenso na região registrado nos últimos dias. “Não é comum termos desabastecimento nesse local e não notamos quebra de rede ou algo parecido. Imaginamos que as pessoas estocaram água ou utilizaram em excesso, lavando roupa por exemplo, e isso pode ter desequilibrado o sistema da região.” A expectativa é de que a situação fosse normalizada no final da noite.

Já em São Pedro, na Cidade Alta, região mais afetada pelas consequências da seca, moradores relatam que a situação começou a se normalizar, mas ainda há registros de falta d’água, principalmente nos trechos mais altos. Segundo Marcelo, a melhoria se deu devido à obra emergencial realizada no reservatório da UFJF, que garantiu mais 50 litros de água por segundo diretamente no sistema de abastecimento da região.

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Orações por mais precipitações

Inspirados pela oração do beato Papa Paulo VI, escrita em 1976, que clama aos céus pela chuva, católicos juiz-foranos pediram precipitações ontem no “Dia especial de orações”, que aconteceu em todas as paróquias da cidade. Na Catedral Metropolitana, no Centro, os fiéis agradeceram a Deus pela precipitação – que chegou, embora em baixa intensidade – e oraram por mais chuva. “Pedir a Deus por chuva é uma tradição antiga, pois a água é vida. Jesus disse: ‘Eu vim para que todos tenham vida e que a tenham em abundância'”, explicou o vigário-geral da Arquidiocese de Juiz de Fora e pároco da Catedral, monsenhor Luiz Carlos de Paula, que presidiu a missa de ontem à noite.

A intenção para que a cidade receba mais chuvas foi lida no início da celebração, porém, entre os fiéis, o pedido já estava presente nas orações. “Onde eu moro ainda não faltou água, mas está muito quente, e a chuva é importante”, relatou a autônoma Marise Pereira. Já para o geógrafo Guilherme Gorette, embora a fé possa ajudar nestas ocasiões, não se deve deixar de criticar a má administração dos mananciais.

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