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Ordem de candidatos é manter mobilização total da militância

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Numa campanha muito pouco afeita a tradições, o tradicional Calçadão da Rua Halfeld, coração político da cidade, foi palco de apenas um dos candidatos à PJF na manhã de ontem, no penúltimo sábado de campanha. Enquanto o deputado Bruno Siqueira (PMDB) seguiu à risca o ritual de, no último fim de semana antes das eleições, arrastar militantes e apoiadores, munidos de bandeiras e esperanças, pelo principal corredor de pedestres do Centro, entre os petistas, que se concentraram em frente ao Fórum Benjamim Colucci, no Parque Halfeld, a palavra de ordem foi pulverizar o discurso da professora Margarida Salomão (PT) – que optou por visitar, pessoalmente, o comércio da Rua São Sebastião. Apesar das opções diferentes, as escolhas não deixam de ser sintomática sobre o tipo de campanha que vai vigorar nestes últimos sete dias até o segundo turno: de ambos os lados, a arma primordial é a mobilização total das militâncias.

No caso de Bruno, o objetivo é assegurar a vantagem verificada tanto no primeiro turno – em que conseguiu cerca de 41% dos votos válidos contra aproximadamente 37% de Margarida – quanto na pesquisa Ibope divulgada na última semana pela Tribuna e pela TV Integração, na qual o placar, desconsiderando brancos, nulos e indecisos, ficou em 60% a 40% a favor do peemedebista. E, para tanto, como a intenção é justamente manter o cenário, a tendência é de que a campanha do PMDB siga no mesmo embalo da primeira fase, antes do dia 7 de outubro, evitando quaisquer movimentos bruscos de última hora. A contar pela marcha de ontem, isso não significa inércia: caminhadas como a que acontece hoje na Feira da Avenida Brasil continuarão a ser feitas, principalmente em bairros de periferia. Mas, como essa era uma tática que já vinha sendo usada desde o princípio, a escolha mostra que o conceito é não mudar de estratégia.

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"A gente não tem por hábito fazer política tirando coelho da cartola, porque a gente considera que isso é enganar o eleitor", critica o coordenador da campanha peemedebista, Michael Guedes, aludindo à proposta apresentada por Margarida na última semana de reduzir o IPTU em 10% já a partir de 2013 e de baixar a alíquota de ISS de 5% para 2%. "Uma campanha é uma construção de convencimento. Prometer mágica na última hora é menosprezar o eleitor." No entanto, para conter uma eventual subida da concorrente nas intenções de voto por causa do tema tributário, os aliados de Bruno estão convocando todos a permanecer mobilizados. "Nesta semana final até a eleição, temos que ficar alerta e motivar nosso eleitor, os indecisos e os eleitores da adversária que admitem mudar seu voto, chamando a atenção para os diferenciais da nossa campanha", afirma Guedes. "Não fizemos nenhum proposta que não seja possível de ser realizada, porque essa é uma característica não só da nossa campanha, mas do Bruno. Nossa postura é de mudança em relação ao modelo vigente e a esse que apareceu na última hora. O eleitor não está mais afeito a esse tipo de populismo. Esta não é uma eleição de promessas, mas de confiança."

Já no caso de Margarida, a manobra é inversa: tentar reverter o quadro favorável ao adversário. E, para isso, a ideia é não poupar movimentação. Não é à toa que o destino escolhido pela candidata para o penúltimo sábado foi a Rua São Sebastião, um dos mais frequentados corredores de comércio popular da cidade, reduto de cidadãos afetados diretamente pelo anúncio de redução de impostos. Petistas e aliados, que se espalharam ontem pelo Centro depois da concentração em frente ao fórum, apostam na disseminação das promessas de diminuição tributária para angariar votos de indecisos e de uma parcela do eleitorado de Bruno ainda não cristalizada. Esses dois grupos também seguirão sendo, nesses dias finais de caça aos votos, os alvos preferenciais da informação do apoio de Aécio e Anastasia ao peemedebista. "Os debates, os encontros serão momentos de, nesses últimos dias, marcar a diferença da nossa candidatura. Mostrar o que é mudança e o que é continuidade", alfineta o coordenador da campanha do PT, Márcio Guerra. "O trabalho que toda a militância está fazendo é essencial. Todos os nossos militantes estão muito animados, empolgados. Vamos manter o contato direto com o eleitor e todo mundo está na rua para isso", ressalta. "Temos a certeza de que a virada já começou."

Bruno marcha com apoiadores

"Caminhada da vitória" foi o nome dado à campanha peemedebista à marcha que tomou o Calçadão ontem em prol da candidatura de Bruno Siqueira. Com gritos de "Ah, eu voto Bruno", militantes desceram do Parque Halfeld, onde estavam concentrados em frente à Câmara Municipal, em direção à parte baixa da Rua Halfeld, formando um bloco de pessoas e bandeiras no meio das quais o candidato seguiu ladeado pelo vice da chapa, Sérgio Rodrigues (PMDB), e pela esposa, Daniele Siqueira. Dessa vez, a caminhada ganhou a adesão de representantes de partidos que, no primeiro turno, caminharam com o prefeito Custódio Mattos (PSDB) e agora já manifestaram apoio a Bruno. Prefeitos em exercício ou eleitos de mais de dez cidades da região também marcaram presença, o que foi destacado pelo próprio candidato como uma amostra de que vai trabalhar em favor do desenvolvimento regional. "É importante integralizar a Zona da Mata."

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A concentração começou às 9h30, mas a marcha só teve início depois de 10h30, horário aproximado em que o deputado chegou ao Parque Halfeld. Antes da descida, embora tenha optado por não fazer comícios durante toda a campanha, Bruno transformou a escadaria do Palácio Barbosa Lima em palanque e fez duras críticas à adversária, principalmente sobre as propostas de redução de IPTU e ISS. "Nosso discurso no segundo turno é o mesmo do primeiro turno", afirmou. "O último que prometeu de forma irresponsável saiu preso, pela porta dos fundos da Prefeitura", acrescentou, em referência ao ex-prefeito Alberto Bejani (PSL). Ele também rebateu a declaração de Margarida de que, no segundo turno, o peemedebista "rasgou a fantasia". "Sou a mesma pessoa", declarou. "Não vim fantasiado para essa campanha, ao contrário da minha adversária, que veio fantasiada de Dilma."

 

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