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Setembro Amarelo: Juiz de Fora ganha novo serviço de atendimento psicológico gratuito

Setembro Amarelo

(Foto: Fernando Priamo)

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Juiz de Fora vai ganhar um novo espaço de atendimento psicológico gratuito: o Centro Universitário Univértix inaugura, no dia 1º de outubro, o Serviço de Psicologia Aplicada (SPA), que pretende atender pessoas de todas as faixas etárias. Segundo a instituição, a iniciativa surge a partir de uma procura significativa por atenção à saúde mental e da necessidade de ampliar as possibilidades de acesso ao acompanhamento psicológico na cidade.

A abertura ocorre logo após o Setembro Amarelo, mas a coordenadora do curso de Psicologia e do Núcleo de Atendimento Psicopedagógico do Univértix, Janine Lopes, chama atenção justamente para a necessidade de não limitar esse debate a um único mês.

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“Saúde mental é uma questão que precisa estar presente durante todo o ano, nos serviços de saúde, nas escolas, nas universidades, nos ambientes de trabalho, nas famílias e nos espaços comunitários”, afirma. Para a psicóloga, transformar a conscientização em cuidado exige fortalecimento de espaços permanentes de escuta, informação e acolhimento.

O atendimento do SPA será gratuito, e os interessados poderão procurar o serviço pelo telefone ou WhatsApp (32) 99951-6081 ou presencialmente na Rua Pedro Celeste 701, no Bairro Cruzeiro do Sul. No SPA, os atendimentos farão parte da formação prática dos estudantes de psicologia, que atuarão sob supervisão profissional.

O início dos atendimentos vem acompanhado de uma discussão que ultrapassa a própria abertura do serviço e o calendário do Setembro Amarelo. Como aponta Janine, aproximar a psicologia da população passa também por mostrar que buscar ajuda pode fazer parte do cuidado cotidiano com a saúde.

Para além do Setembro Amarelo

A visibilidade alcançada durante o Setembro Amarelo pode abrir espaço para conversas que muitas vezes são adiadas ou evitadas. No entanto, na avaliação de Janine, ainda existem barreiras importantes entre perceber um sofrimento e procurar ajuda. O preconceito em torno do acompanhamento psicológico permanece entre elas, assim como a dificuldade de encontrar profissionais disponíveis e o desconhecimento sobre como funciona esse tipo de atendimento.

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Essa resistência também pode fazer com que a procura aconteça apenas quando o sofrimento já se tornou intenso. Para a psicóloga, mudanças significativas e persistentes no comportamento merecem atenção, embora nenhum sinal, isoladamente, permita concluir que alguém precisa de acompanhamento profissional. Isolamento social, alterações importantes no sono ou na alimentação, perda de interesse por atividades antes prazerosas, tristeza persistente, ansiedade intensa e dificuldade para cumprir atividades cotidianas estão entre manifestações que podem indicar a necessidade de um olhar mais próximo.

Mais do que tentar interpretar o que está acontecendo ou simplesmente dizer que a pessoa deve procurar um profissional, Janine destaca a importância da rede de apoio nesse caminho. Em alguns casos, o próprio nível de sofrimento pode dificultar que alguém consiga buscar ajuda sozinho. Presença, escuta sem julgamentos e disposição para acompanhar essa procura, portanto, podem ter um papel importante no cuidado.

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O fator financeiro aparece entre os obstáculos mencionados pela psicóloga e também atravessa a proposta do serviço que será inaugurado — já que o serviço será gratuito.

Memória e cuidado

A relação entre saúde mental, memória e cuidado também estará no centro da programação de inauguração do serviço. No dia 1º de outubro, às 19h, a jornalista e escritora Daniela Arbex apresenta a palestra “Holocausto brasileiro e os desafios da saúde mental no Brasil”, seguida de debate e sessão de autógrafos. O tema parte do livro-reportagem Holocausto Brasileiro, no qual a autora reconstrói a história do Hospital Colônia de Barbacena e das violações cometidas contra milhares de pessoas internadas na instituição ao longo de décadas.

A obra mostra que muitos dos internos sequer possuíam diagnóstico de transtorno mental e foram afastados do convívio social por diferentes razões, expondo uma lógica de exclusão que marcou a história da assistência psiquiátrica no país.

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Ao levar essa discussão para a abertura de um serviço de atendimento psicológico, a palestra aproxima essa memória dos debates atuais sobre acesso, acolhimento e respeito às pessoas em sofrimento psíquico.

As vagas para a palestra de Daniela Arbex são limitadas e exigem inscrição antecipada, por meio deste link.

*Estagiário sob supervisão da editora Carolina Leonel

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