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Vacinação contra o sarampo fica abaixo da meta em Juiz de Fora

cobertura vacinal

(Foto: Marcelo Ribeiro)

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Com a cobertura vacinal contra o sarampo abaixo da meta recomendada pelo Ministério da Saúde, Juiz de Fora reforça a atenção para a prevenção da doença em meio ao registro de casos no país. Até 7 de agosto, a cobertura da primeira dose da tríplice viral no município era de 84,42%, enquanto a segunda dose alcançava 62,09%, segundo a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), em relação ao ano de 2026. O índice considerado necessário para a proteção contra a doença é de 95%. No mesmo período, foram aplicadas 8.365 doses de vacinas com componente contra o sarampo na cidade.

O cenário local acompanha uma preocupação que voltou a ganhar força no Brasil. Durante décadas, o Brasil foi reconhecido internacionalmente por suas campanhas de vacinação. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado em 1973, tornou-se referência mundial ao ampliar o acesso a vacinas e contribuir para o controle e até a eliminação de diversas doenças. Nos últimos anos, porém, a queda da cobertura vacinal e o avanço de discursos que colocam em dúvida a eficácia e a segurança dos imunizantes passaram a preocupar especialistas.

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Os números ganham relevância diante do surto de sarampo registrado em São Paulo, que reacendeu o alerta para uma doença que chegou a ser eliminada do país. Embora o Brasil tenha recuperado, em 2024, o certificado de eliminação da circulação endêmica da doença, o vírus continua presente em outros países e pode ser reintroduzido por meio de viajantes infectados. Quando encontra populações com cobertura vacinal insuficiente, o risco de transmissão aumenta.

Apesar dos índices de vacinação abaixo da meta, Juiz de Fora não tem, até o momento, casos suspeitos ou confirmados de sarampo registrados em 2026.

Diante do fluxo de pessoas entre os municípios, a Secretaria de Saúde reforça que manter a vacinação em dia é a principal forma de prevenção. Segundo a PJF, o município tem ampliado o acesso aos imunizantes por meio das salas de vacinação e do Vacimóvel, além de realizar campanhas de comunicação, ações de educação em saúde e busca ativa nos territórios.

A imunização contra o sarampo é indicada para pessoas de 12 meses a 59 anos, de acordo com a situação vacinal.

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Todas as crianças com indicação podem receber o imunizante nas salas de vacinação do município. A Secretaria de Saúde afirma manter atenção especialmente àquelas com esquema incompleto, já que a ausência das doses recomendadas reduz a proteção e aumenta a possibilidade de infecção e de desenvolvimento de formas graves da doença.

Em Juiz de Fora, a vacina está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a partir das 8h30, no Vacimóvel e no Departamento de Saúde da Mulher, Gestante, Criança e do Adolescente, das 9h às 16h.

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Dia D terá foco na atualização contra o sarampo

A Prefeitura de Juiz de Fora realiza, neste sábado (22), o Dia D de Multivacinação, com foco também na atualização da vacina contra o sarampo. A imunização será destinada a pessoas de 20 a 59 anos, conforme o histórico vacinal, além de crianças e adolescentes que precisam completar o esquema da tríplice viral. A ação acontece das 8h às 12h nas UBSs do município e em outros pontos de vacinação.

Segunda dose também fica abaixo da meta em Minas

O cenário de cobertura abaixo da meta não se restringe a Juiz de Fora. Embora o foco das preocupações esteja atualmente em São Paulo, Minas Gerais acompanha a situação com atenção.

Procurada pela Tribuna, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) informou que não houve casos de sarampo com transmissão local no estado nos últimos cinco anos nem em 2026 até o momento. Em 2024, foi confirmado um caso importado, isto é, de uma pessoa que contraiu a doença fora do país. Por essa razão, o episódio não é considerado um caso autóctone de sarampo e não houve evidências de circulação do vírus em Minas Gerais.

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Apesar do cenário considerado estável, os dados de vacinação mostram desafios importantes.

Segundo a SES-MG, a cobertura vacinal da primeira dose da tríplice viral alcançou 96,03% em 2025. Já a segunda dose ficou em 87,35%. Em 2026, considerando dados parciais de janeiro a junho, os índices são de 93,76% para a primeira aplicação e 79,39% para a segunda.

A SES-MG informou ainda que mantém vigilância constante sobre o cenário epidemiológico e desenvolve ações preventivas para evitar a reintrodução da doença. Entre elas estão a capacitação de profissionais de saúde, o fortalecimento da vigilância epidemiológica, a distribuição de vacinas aos municípios e campanhas voltadas para viajantes.

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Baixa cobertura amplia risco de surtos

Para o infectologista Marcos Moura, a desconfiança em relação às vacinas contribui para criar um ambiente favorável ao ressurgimento de doenças imunopreveníveis. “É fato que é um desserviço não indicar vacinas e colocar todas as vacinas no mesmo barco”, afirma.

Para o especialista, a vacinação continua sendo a principal ferramenta para impedir o retorno de doenças que já foram controladas no país. Ele lembra que o Brasil alcançou a eliminação da circulação endêmica do sarampo justamente por meio de uma ampla cobertura vacinal.

A preocupação aumenta diante da alta capacidade de transmissão do vírus. Moura ressalta que o sarampo está longe de ser uma doença comum da infância, como muitas pessoas ainda acreditam. Trata-se de uma das enfermidades mais contagiosas conhecidas.

“O sarampo é cerca de seis vezes mais transmissível que a Covid-19. Qualquer fluxo de pessoas, seja por viagens, eventos ou trabalho, pode facilitar a dispersão do vírus”, destaca.

Nesse contexto, a queda da cobertura vacinal favorece a formação de grupos desprotegidos e aumenta a possibilidade de circulação da doença. “Quando a cobertura cai abaixo de 95%, surgem bolsões de pessoas suscetíveis, muitas vezes concentrados em bairros ou municípios específicos. Isso aumenta o risco de surtos”, alerta Marcos Moura.

Vacinação atrasada pode ser atualizada

Diante desse risco, o infectologista reforça que pessoas com a vacinação atrasada ainda podem atualizar o esquema vacinal.

“É possível e recomendado atualizar a vacinação em praticamente todas as idades. Crianças e adolescentes com esquema incompleto devem receber as doses faltantes. Leve sua carteira de vacinação à unidade básica de saúde para orientação e atualização do calendário.”

Além de manter a vacinação em dia, Moura orienta a população a ficar atenta aos sinais da doença. O sarampo costuma provocar febre alta, tosse intensa, coriza e conjuntivite. As manchas vermelhas características aparecem geralmente alguns dias depois, começando pelo rosto e se espalhando pelo corpo.

*Estagiário sob supervisão da editora  Carolina Leonel

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