Um dos armamentos utilizados pela Polícia Militar de Minas Gerais também estará nas mãos dos guardas municipais de Juiz de Fora. Mas quanto custa aos cofres públicos colocar em prática a política de armamento da corporação? O levantamento da Tribuna com dados da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) mostra que o processo já consumiu R$ 1,2 milhão, entre a compra de armas e equipamentos e despesas com capacitação, exames e consultoria técnica.
O valor somente em equipamentos foi de R$ 317 mil e inclui a compra de pistolas calibre 9mm, munições e acessórios. As três aquisições foram feitas por contratação direta, sem disputa de lances, com empresas nacionais do setor de defesa. A maior parte do investimento, R$ 252.385,70, foi destinada à compra das armas de fogo da Taurus. Outros R$ 23,1 mil foram gastos em kits e acessórios para carregadores fornecidos pela Bélica Militar, enquanto cerca de R$ 41,7 mil foram destinados à aquisição de munições da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC).
Mas, para além de gastos em equipamentos, que constam nas portarias publicadas pelo Município, há também outras despesas que envolvem preparar a cidade e os próprios agentes para andarem armados. O treinamento contínuo do efetivo também será pago pela Prefeitura. Diante disso, a Tribuna questionou a Prefeitura de Juiz de Fora, que informou, na manhã desta quinta-feira (20), que as demais despesas chegariam ao valor de R$ 883 mil, incluindo consultoria técnica especializada, capacitação e exames dos agentes. O montante total de investimento até o momento foi de R$ 1.200.000.
Vereador destinou emenda para armas antes de Prefeitura definir modelo
Apoiador da política de armamento adotada pela Prefeitura, o vereador da Câmara Municipal de Juiz de Fora Sargento Mello Casal (PL) destinou emenda de R$ 35 mil à Secretaria de Segurança Urbana e Cidadania (Sesuc) para a compra de armas para a Guarda Municipal. O recurso consta na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, publicada em 30 de janeiro deste ano.
O recurso, entretanto, foi destinado antes mesmo de a Prefeitura de Juiz de Fora definir qual seria o armamento adotado pela corporação. A emenda de Casal previa especificamente a aquisição de espingardas calibre 12 e munições de elastômero do mesmo calibre.
Somente seis meses depois, em 24 de julho, a PJF anunciou a padronização da pistola Taurus TS9, calibre 9mm, como arma de fogo institucional da Guarda Municipal. Como o modelo definido pelo Município era diferente daquele previsto na emenda, o recurso de R$ 35 mil não pôde ser utilizado para a finalidade inicialmente indicada.
Questionado pela reportagem sobre a destinação da verba antes da definição do armamento e sobre a impossibilidade de utilizá-la, a assessoria do vereador informou que a indicação desta arma ocorreu “a partir de uma demanda apresentada pelos próprios guardas municipais em conversa com o vereador, especialmente pelo caráter de menor potencial ofensivo”.
Concurso para a guarda continua sem data e número de vagas definida
O anúncio que os agentes da guarda municipal passariam a usar armas de fogo foi feito há um ano. Na ocasião, durante coletiva de imprensa, o Executivo também informou que a estimativa era de que novas vagas também fossem abertas para a corporação, com ingresso por meio de concurso público.
Contudo, apenas um deles avançou. Enquanto as etapas de qualificação para o uso do armamento seguem ao longo deste ano – ainda sem previsão para a conclusão de todo o processo, conforme informou a Prefeitura nesta quinta-feira – sobre o concurso foram apresentadas apenas previsões genéricas.
Na manha do dia 15 de julho, ao ser questionada pela Tribuna de Minas, a PJF informou que o concurso seguia sem previsão. Horas depois, já na parte da tarde do mesmo dia, o Executivo voltou atrás e informou que o concurso para a guarda municipal que atualmente conta com 106 agentes estava previsto para o segundo semestre de 2026. Agora em agosto, já no segundo semestre de 2026, a Prefeitura ainda não informou a data prevista nem o número de vagas do concurso. Nesta quinta-feira (20), o Executivo se limitou a dizer que “mais detalhes sobre o concurso da Guarda Municipal serão divulgados oportunamente, à época da publicação do edital”.

