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Duplo homicídio praticado por grupo de adolescentes

crime ocorreu na madrugada mas corpos so foram encontrados na manha de ontem movimentacao de policiais foi intensa no local

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Crime ocorreu na madrugada, mas corpos só foram encontrados na manhã de ontem. Movimentação de policiais foi intensa no local
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Crime ocorreu na madrugada, mas corpos só foram encontrados na manhã de ontem. Movimentação de policiais foi intensa no local

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Três adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, foram apreendidos por suspeita de assassinarem brutalmente dois homens, na madrugada de ontem, em Filgueiras, Zona Nordeste. O cabo reformado do Corpo de Bombeiros Ronaldo Jorge Abraão, 45, e Claudinei Arantes Lana, 41, foram encontrados mortos na parte alta do bairro, perto da caixa d’água, próximo às ruas José Pitta de Castro e Manoel Teixeira da Fonseca. Uma das vítimas apresentava, pelo menos, 26 perfurações à faca, enquanto a outra sofreu oito golpes. A brutalidade do duplo homicídio chamou a atenção pela frieza dos jovens, que, conforme a polícia, acabaram confessando envolvimento no crime. Outros dois adolescentes, que também teriam participado, ainda não haviam sido apreendidos até a noite de ontem. Quatro meninas, entre 14 e 16 anos, estariam no local momentos antes da violência, mas só três foram localizadas. O caso é mais um que demonstra a frieza com que, cada vez mais, esses crimes com envolvimento de adolescentes vêm acontecendo na cidade. Para especialistas, o avanço das drogas e a omissão familiar e do Estado são as principais causas para essa realidade.

No caso de Filgueiras, os dois primeiros adolescentes, ambos de 16 anos, haviam sido apreendidos na madrugada, por volta de 1h30, após se envolverem em um acidente com um carro furtado. A ligação deles com os assassinatos, no entanto, só foi descoberta no início da manhã de ontem, quando os corpos foram encontrados, e a Polícia Militar verificou que uma das vítimas era proprietária do Opala Diplomata levado pelos jovens. Os militares chegaram ao local do crime após denúncia anônima. A partir da localização dos cadáveres no terreno da caixa d’água, a movimentação foi intensa na área, com viaturas da PM, unidade do Corpo de Bombeiros, perícia da Polícia Civil e a funerária responsável pelo encaminhamento dos corpos ao IML.

Ao chegar ao endereço da ocorrência, o comandante da 31ª Companhia da PM, capitão Acioli Lazzarini, disse que havia muitos vestígios na cena do duplo homicídio. Segundo ele, os dois adolescentes apreendidos na delegacia pelo furto do veículo “narraram com frieza de detalhes” os momentos que antecederam o crime e a própria ação. “Eles disseram que estavam com mais três jovens e três meninas na praça do bairro, quando as vítimas passaram no Opala e começaram a mexer com as garotas e as chamaram para um encontro. Os rapazes teriam ficado ofendidos e fizeram um acordo de todos irem até a parte alta do bairro, onde os corpos estavam.”

Conforme o oficial, os oito adolescentes foram até o local no Opala. “As vítimas levaram alguns deles, deixaram lá e voltaram na praça para buscar o restante do grupo. Quando chegaram, já foram surpreendidos, sendo esfaqueados e mortos a facadas”, afirmou o oficial. Ainda conforme o capitão, as vítimas e os suspeitos são moradores do Filgueiras. O suspeito de 14 anos e as três adolescentes foram localizados no início da tarde de ontem, sendo conduzidos à delegacia. As meninas foram qualificadas como testemunhas e seriam liberadas na noite de ontem. Elas disseram que não presenciaram o crime e que correram quando os jovens entraram em luta corporal com os dois homens esfaqueados.

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O delegado titular da Delegacia de Homicídios, Rodrigo Rolli, afirmou que, além dos adolescentes apreendidos, mais dois já foram identificados e que, na próxima segunda-feira, testemunhas já foram intimadas a prestar depoimentos. Já o delegado de plantão, Carlos Eduardo Rodrigues, informou que faria o auto de apreensão em flagrante dos três adolescentes e encaminharia para a Vara da Infância e Adolescência.

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Fuga

Segundo o capitão Lazzarini, na fuga, os adolescentes bateram com o carro de uma das vítimas, um Opala, que seria adaptado para deficiente físico. O acidente aconteceu no Bairro Bandeirantes, também na Zona Nordeste. Antes de ser descoberta pelo envolvimento nos assassinatos, a dupla detida alegou à policia que viu um Diplomata parado com a chave na ignição na Rua Orlando Riani, no Filgueiras e decidiu “dar uma volta”. Os jovens seguiram conduzindo o veículo em direção ao Bandeirantes, passaram pela Rua Paracatu e, ao acessarem a Rua Aníbal dos Santos, acabaram batendo em um Nissan Tiida estacionado. Após o acidente, os rapazes tentaram fugir a pé, mas apenas um escapou nesse primeiro momento.

“O proprietário do veículo atingido ouviu o barulho e conseguiu visualizar os adolescentes fugindo. Ele ligou para a polícia, passou as características, e dois suspeitos acabaram sendo abordados no Parque Guarani”, contou o militar do Pelotão de Policiamento de Trânsito (PPTran), cabo Fernando Assis. Os jovens foram levados para a 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil, acompanhados dos responsáveis. Antes de o crime ter sido desvendado, a PM ainda tentou localizar o proprietário do carro na residência dele, sem saber que o homem estava morto.

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Droga é gatilho para a violência

Tornam-se mais comuns, a cada dia, a participação de adolescentes em assassinatos brutais em Juiz de Fora. De janeiro até a primeira quinzena de fevereiro deste ano, pelo menos, sete adolescentes se apresentaram à polícia como autores de homicídios na cidade. O mais novo deles tem 14 anos de idade, demonstrando que, cada vez mais cedo, meninos transformam-se em infratores. O que choca nestes casos é a frieza com que estes garotos cometem os crimes, na maioria das vezes, com o uso de armas de fogo. Um deles, inclusive, confessou ter negociado a morte de um homem por R$ 5 mil. As ocorrências, como apontam as autoridades de segurança do município, estão ligadas ao tráfico de drogas, com episódios de acertos de contas, à rivalidade entre gangues, ou, simplesmente, a futilidades. Como no caso de um adolescente, 14, que confessou ter matado um jovem de 22 anos, no Bairro Marumbi, em 11 de fevereiro, porque a vítima teria “mexido” com ele e seu irmão, de 10 anos.

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Para o titular da Delegacia de Homicídios, Rodrigo Rolli, um dos casos recentes mais bárbaros aconteceu no Ladeira, onde dois adolescentes de 14 anos são suspeitos de participar da morte de uma mulher, torturada por horas antes de ser queimada e assassinada, no último dia 9. Um dos garotos foi apreendido e contou que deram socos e chutes na vítima. Depois, passaram a desferir golpes com pedaços de pau. Quando ela não reagia mais, resolveram atear fogo.

“A frieza dos meninos na prática desses crimes só pode ser justificada pelo consumo do crack, uma droga pesada, que destrói a mente e o corpo das pessoas. Além de uma total inversão de valores que se faz muito presente em nossa sociedade”, observa o delegado, avaliando que, atualmente, a família perdeu seu papel na função de educar os jovens. “A polícia é somente mais um elo na segurança pública e, para reverter essa situação complexa, é necessário uma integração de forças, sendo que a família tem papel fundamental nesse processo”, afirma Rolli, lembrando que a droga é o gatilho desse estado de violência. “Infelizmente, esses garotos estão sem valores e moralmente desqualificados.” Em matéria publicada em novembro do ano passado, a Tribuna mostrou que, em média, três adolescentes infratores foram apreendidos na cidade em 2014. De janeiro a setembro, 892 deles foram levados à delegacia de Polícia Civil por participação em casos de tráfico de drogas, lesão corporal, ameaça, agressão, uso de drogas, posse de armas, roubos e homicídios tentados e consumados.

Estatuto

Para a professora de direito penal do Instituto Vianna Júnior, Cíntia Toledo Miranda Chaves, o envolvimento de adolescentes com o crime é uma questão profunda e passa pela omissão familiar e do Estado. “Hoje o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é pouco cumprido e muito se tem discutido na mídia sobre a redução da maioridade penal, desviando o foco da questão. Ao meu ver, lotar as cadeias de adolescentes só irá agravar ainda mais a violência. O que precisa ser feito é o cumprimento do ECA”, ressalta a professora, destacando que o tema tornou-se importante em Juiz de Fora, principalmente quando está atrelado a pessoas menores de 18 anos, o que faz essa discussão urgente e necessária, a fim de que se encontre meios para reduzir os índices de violência.

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