Após reunião com o secretário de Saúde, José Laerte Barbosa, os funcionários do Hospital São Domingos e da Casa de Saúde Esperança decidiram suspender a paralisação das atividades, iniciada nesta quarta-feira (20), em protesto contra o atraso no repasse do pagamento dos salários. De acordo com o presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Juiz de Fora, Anderson Stheling, a retomada ao trabalho é um voto de confiança dado ao Município diante da sinalização de que haverá a transferência de gestão das unidades privadas para o Poder Público. O sindicalista informou que os empregados se comprometeram a permanecer em serviço até 1º de março. Nesse período, a ideia é buscar o caminho jurídico para tentar conseguir que o recurso do SUS que seria transferido para as duas instituições seja depositado diretamente para os funcionários. O objetivo é garantir a quitação da folha de pagamento, em aberto desde o início de fevereiro, em função do bloqueio de mais de R$ 420 mil referentes ao pagamento do serviço prestado aos pacientes do SUS em janeiro.
A suspensão do repasse foi uma das medidas tomadas por José Laerte logo após as primeiras denúncias de precariedade no atendimento oferecido pelo São Domingos. Os donos da unidade são os mesmos que respondem pela Casa de Saúde Esperança. José Laerte descobriu que não há um contrato formalizado entre a Prefeitura e os dois estabelecimentos de saúde, visto que ambas as unidades devem impostos. A situação informal é considerada irregular, o que inviabilizaria o pagamento não apenas dessas unidades, mas de outras quatro da cidade. Somos sensíveis à questão dos trabalhadores, mas a relação de trabalho no São Domingos tem que ser discutida entre o sindicato e a empresa. Estamos encaminhando a situação de forma a resolver o quadro dos pacientes sem que haja ônus futuro para o Município, afirmou José Laerte.
Nesta quinta-feira (21), será realizada nova reunião entre os donos dos hospitais, o titular da secretaria e o Ministério Público. No encontro deverá ser novamente discutida a proposta da secretaria de intervir de maneira imediata na gestão das unidades, cujos donos já formalizaram, ao promotor Rodrigo Barros, a impossibilidade de garantir o atendimento dentro dos padrões exigidos pelas vigilâncias sanitárias municipal e estadual.
Anderson Stheling afirmou que o sindicato dos empregados apoiará qualquer tipo de intervenção proposta pelo Município. Além disso, defendemos que os sócios desses hospitais sejam responsabilizados civil e criminalmente pela situação de maus-tratos identificada pelas autoridades públicas.
O delegado regional do CRM, José Nalon, mostrou-se preocupado com a situação do setor de saúde mental, mas está otimista. Hoje não há em Juiz de Fora uma rede ambulatorial que possa suprir o modelo assistencial hospitalar. A Prefeitura tem um papel extremamente importante de criar uma rede capaz de absorver essa demanda e promover a desospitalização.
