
Ontem, nível do manancial estava em mais de 65% (Fernando Priamo/20-01-16)
Apesar do significativo acumulado de chuvas observado em janeiro, a Cesama ainda manterá o rodízio no abastecimento público. No entanto, a companhia já admite que faz avaliações internas e estuda possibilidades sobre a continuidade do racionamento de água. Estas ponderações, que não foram adiantadas à Tribuna, serão apresentadas ao prefeito Bruno Siqueira (PMDB) provavelmente esta semana, por meio de uma reunião entre o chefe do Executivo e diretores da empresa pública. A informação, repassada pelo diretor técnico operacional da companhia, Márcio Augusto Pessoa Azevedo, ocorre um dia após o prefeito divulgar, em sua conta no Facebook, que seria solicitada, aos técnicos da companhia, a avaliação da necessidade de continuidade do rodízio após o período chuvoso. Ele também comentou, na mesma publicação, que as precipitações danificam o pavimento urbano e impedem a efetividade do trabalho de recuperação.
A necessidade de manter o racionamento, em vigor desde outubro de 2014, começa a ser alvo de questionamentos após as constantes chuvas que atingem Juiz de Fora e a recuperação das represas. Até o momento, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o acumulado é de 274 milímetros, o que representa 91,4% do esperado para todo janeiro, que são 299,8 milímetros. Fato é que este já é o mês mais chuvoso na cidade desde dezembro de 2013, quando o Inmet registrou 494 milímetros.
Reflexos destas chuvas são observados nas represas. O manancial São Pedro, inclusive, já começou a receber descarga, o que significa eliminar água sem levar ao tratamento. Isso acontece por uma questão de segurança. Conforme Márcio, o preenchimento do lago tem ficado, propositalmente, próximo dos 90%. Ontem estava em 95,4%.
Já a João Penido tinha ontem 65,5%, sendo que iniciou o mês em 49,4% e estava, no mesmo dia do ano passado, com 29,5%. É o maior nível na represa desde junho de 2014. “Ano passado iniciamos a estiagem (em abril) com 20% menos água.” Perguntado sobre a possibilidade de ela atingir 100% em 2016, Márcio é cauteloso. “Vai depender do volume de chuvas. E, a partir de agora, a recuperação é cada vez mais lenta, porque, quanto mais alto o volume, maior é a área a ser preenchida”, disse Márcio, explicando que o lago da represa é como um funil, mais estreito no fundo e mais largo na borda.
Em 19 de janeiro de 2015, João Penido tinha menos de 30% de seu volume de água (Marcelo Ribeiro/19-01-15)
Chapéu D’Uvas, 11 vezes maior que João Penido, está com 66,4% de sua capacidade de armazenar recurso. No início do mês, eram 61,4% e, no mesmo dia, do ano passado, 35,4%.
Fluxo de umidade
As precipitações contínuas dos últimos nove dias são resultado da atuação de um fenômeno climatológico conhecido como Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Ele cria um corredor de umidade entre o Norte do país, na Amazônia, até o Sudeste, provocando as chuvas e deixando o céu nublado. De acordo com o meteorologista Luiz Ladeia, do 5º Distrito do Inmet, em Belo Horizonte, o fenômeno já começa a apresentar indícios de perda de força, o que não significa que as chuvas serão interrompidas. “A tendência é que as precipitações deixem de ser contínuas e passem a ocorrer em pancadas. O sol também deverá voltar a aparecer, embora ainda entre nuvens. Por isso, a previsão é que estas chuvas aconteçam no fim da tarde e também à noite, em razão desta alta umidade e do aquecimento do dia.”
Segundo Ladeia, possivelmente janeiro terminará com chuvas acima do esperado. “Deveremos ter a continuidade destas chuvas também em fevereiro, com acumulado dentro ou ligeiramente acima da média.” Ele explica que a ZCAS poderá voltar a atuar até o mês de março. E uma das explicações é a atuação do El Niño, fenômeno que aquece as águas do Pacífico e altera a circulação dos ventos em direção ao continente. “A circulação dos ventos trouxe o fluxo de umidade para a região Sudeste, sendo que, em novembro e dezembro, ela atuava com mais ênfase no Sul do país.

