Justiça lenta e desconhecimento dos seus direitos têm deixado pacientes do SUS expostos a evolução das doenças devido à demora no início dos tratamentos. A defensora pública Cynthia Cazarim conta que muitos usuários não sabem que podem entrar com ação para conseguir internações e medicamentos e nem que a defensoria dá acesso grátis à Justiça para pessoas carentes. Ela ainda explica que, nos casos de internação, apesar dos pedidos de transferência em até 24 horas, normalmente os pacientes demoram três dias para conseguir vaga. Já em casos de medicamentos, os juízes costumam estipular o prazo de 30 dias para a entrega.
O filho de Elizabeth Bernardes Wildberger é uma das vítimas dessa demora. O rapaz de 21 anos tem câncer de tireoide e precisa fazer iodoterapia. Para o tratamento, ele necessita tomar Thyrogen, que custa em torno de R$ 5 mil. Elizabeth entrou com mandado judicial, expedido no último dia 9, para que a Prefeitura disponibilize o remédio. “O juiz determinou um prazo de 30 dias. Mas eu preciso do medicamento até o dia 2 de fevereiro, pois, no dia 4, o médico irá encomendar o iodo, e ele só encomenda se o remédio já estiver disponível.”
Caso o item não chegue a tempo, a dona de casa terá que reagendar a iodoterapia. “Estou desde 2013 lutando por ela. Ele passou por duas cirurgias, e, quando a iodo foi liberada, o câncer havia voltado. Ele teve que realizar outra cirurgia em novembro do ano passado.”
A assessoria da Secretaria de Saúde informou que o mandado judicial chegou em 15 de janeiro. Assim, a Prefeitura tem legalmente até 15 de fevereiro para entregar o medicamento. A assessoria da pasta ainda enfatizou que o processo está sendo agilizado. No entanto, lembrou que alguns trâmites são complicados, e o medicamento é importado, de difícil aquisição.
A família de Crislaine Spinelli também foi vítima da desinformação. Sua prima, de 2 anos, está internada na Santa Casa e precisa fazer uma colonoscopia. Contudo, o aparelho estava com problemas. A família foi informada de que precisaria ir ao Monte Sinai para realizar o exame, que custaria R$ 1.100. Assustada, Crislaine entrou em contato com a Tribuna.
A Secretaria de Saúde explicou que, caso a Santa Casa não possa atender a algum exame pedido, a Subsecretaria de Regulação pode encaminhar a criança para outro hospital da rede. A pasta ressaltou ainda que o próprio HPS está disponível para realizar o procedimento.
Já a assessoria da Santa Casa informou, em nota, que o aparelho de colonoscopia da unidade está funcionando normalmente. No entanto, que não consta no sistema solicitação deste exame para a paciente.
