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Segurança, saúde e solidão preocupam idosos de JF

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Na apresentação do estudo, foi ressaltada a necessidade de mais ações para as mulheres idosas
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Na apresentação do estudo, foi ressaltada a necessidade de mais ações para as mulheres idosas

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O primeiro Diagnóstico Socioeconômico da População Idosa do município foi apresentado nesta quinta-feira (20) à imprensa e mostra que segurança, saúde e solidão são as principais preocupações das pessoas da terceira idade no município. O estudo foi desenvolvido pela UFJF por solicitação da Comissão do Idoso da Câmara Municipal e abordou aspectos relacionados ao perfil desta população em relação a características pessoais, composição familiar e inserção na família. O cotidiano dessa população também foi incluído, assim como questões englobando saúde, morbidade, fatores de risco, trabalhos e recursos econômicos. A pesquisa relatou o constante assédio de bancos a idosos para a realização de empréstimos consignados, sem informar sobre as taxas de juros. Apontou ainda casos de parentes que exploram recursos financeiros das pessoas idosas da família. Em valores quantitativos, 39% das pessoas da terceira idade estão pagando empréstimos. Foram ouvidos 282 idosos, sendo 110 homens e 172 mulheres de 33 bairros da cidade.

Diante da maior quantidade de mulheres, o diretor do Centro de Pesquisas Sociais, Paulo César Fraga, afirma que "as ações para a terceira idade devem considerá-las preponderantemente como alvo". O diagnóstico constatou que, a partir dos 60 anos, a diferença populacional entre o sexo masculino e o feminino aumenta. Elas passam dos 12 mil na faixa dos 60 aos 64 anos, enquanto eles não chegam a completar dez mil nesta mesma idade. Entre 80 e 84 anos, o número de mulheres é o dobro do de homens na cidade. O município tem cerca de quatro mil idosas nesta faixa, enquanto o de homens é de dois mil. Levando-se em conta todas as faixas a partir dos 60 anos, o município tem 48% de viúvas. Para Fraga, uma das razões é o maior cuidado que elas costumam ter com a saúde e com os aspectos de prevenção. Outro ponto destacado é o papel social das mulheres da terceira idade, sendo as principais articuladoras da família.

Em contrapartida, elas têm o grau de escolaridade mais baixo, diferente do perfil geral da população. A pesquisa conclui a existência de uma diferença histórica de tratamento entre os sexos no âmbito do poder público e da família. Mas, mesmo entre os homens idosos, também foi detectado o pouco acesso à educação formal. De maneira geral, mais de um terço dos idosos juiz-foranos (31,2%) têm apenas o ensino primário completo e cerca 9,6% são analfabetos. "Eles não tiveram acesso a uma série de direitos que foram incorporados em anos recentes, como o ensino obrigatório. Essas limitações podem fazer com que sejam alvo de atos ludibriosos", ressalta o diretor.

 

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Políticas públicas

"É preciso pensar na qualidade de vida dos idosos e em ações de garantia dos seus direitos. Só podemos fazer isso conhecendo as condições básicas em que vivem e as principais barreiras enfrentadas por eles", afirma Fraga. O presidente da Comissão do Idoso da Câmara Municipal, Isauro Calais (PMN), ressaltou que o diagnóstico vem preparar Juiz de Fora para os próximos dez anos e nos ajudará a buscar a implementação de uma delegacia especial para o idoso.

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Apesar de alguns resultados se assemelharem a dados divulgados anteriormente pelo IBGE, o diagnóstico teve o objetivo de se aproximar mais da realidade do município. "A novidade está na vontade de entender essa população e adotar políticas efetivas para melhor qualidade de vida, ainda mais em Juiz de Fora, onde essa parcela é tão significativa em relação ao restante do país", ressaltou José Anísio Pitico da Silva, integrante do Conselho do Idoso. Para ele, isso mostra a representatividade que a cidade já teve há 15, 20 anos, sendo capaz de atrair essa faixa etária, que veio em busca de qualificação profissional, emprego e qualidade de vida. "Basta perceber que a maioria deles está estabelecida na região central, local de grande importância econômica."

Hoje a população idosa do município representa quase 14%, ficando acima da média do estado e do país. De acordo com os dados do Centro de Pesquisas Sociais adaptados do Censo Demográfico do IBGE, entre 2000 e 2010, o número de pessoas com 60 anos ou mais aumentou 45% na cidade.

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