Pais de alunos da rede estadual de ensino reclamam do descumprimento da reposição de aulas perdidas durante a greve dos professores. Segundo o comerciante Vanderlei Souza, pai de uma aluna de 13 anos do Instituto Estadual de Educação, a estudante está sem as notas de várias disciplinas, e o calendário de compensação não está sendo seguido para todas as matérias. Como o Estado não pagou os dias não trabalhados dos grevistas, alguns professores optaram por não repor as aulas, mas parece que não colocaram substitutos, denuncia.
A informação é de que o problema ocorre em mais de uma turma, e o temor é de que os alunos fiquem com o aprendizado comprometido. Eles saem de casa, pagam passagem de ônibus, mas chegam na escola e não há professor, diz Vanderlei. Um aluno da mesma escola, que preferiu não se identificar, conta que, no terceiro ano do ensino médio, a reposição também não funcionou como deveria. Eles até tentaram repor, mas a maioria dos alunos não ia à aula, e, no final das contas, acabamos ficando sem ver algumas partes das matérias.
De acordo com a coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Yara Aquino, os professores efetivos não podem ser obrigados a repor as aulas. Ela conta que o sindicado não recebeu nenhuma reclamação sobre esse tipo de situação nas escolas e, por isso, avalia que o problema deve ser pontual.
A Secretaria de Estado de Educação informa que a reposição está ocorrendo normalmente em todo o estado, e que tomou conhecimento do caso pela Tribuna. Segundo a assessoria de comunicação da pasta, a denúncia será apurada e, se proceder, serão tomadas providências administrativas. A assessoria também orienta que os pais de alunos formalizem as denúncias na Superintendência Regional de Ensino (SRE) para que eventuais problemas sejam verificados, e informa que, conforme acordo com a categoria, os professores receberão pelos dias repostos.
