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Polícias em alerta em Minas

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 As polícias Civil e Militar de Minas Gerais estão em alerta desde sábado, em função da interceptação de uma carta, que saiu de dentro da Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, de Uberlândia, com dados sobre a bonificação oferecida pela organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, pelo assassinato de policiais mineiros. Além da carta, a qual a Tribuna teve acesso, a Polícia Federal identificou ligações grampeadas cujo teor das conversas indicava um possível ataque aos policiais de Minas Gerais, a partir da madrugada de domingo. Também há documentos com nomes e telefones de integrantes da facção que deveriam ser procurados no caso de as mortes se concretizarem. Embora os comandos das duas polícias afirmem que faltam indícios que comprovem movimentações neste sentido, a Secretaria de Defesa Social (Seds) confirma a existência da carta na qual são citados os nomes de cinco policiais civis que atuam no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas no Triângulo Mineiro, mas informa não ter comprovação sobre a veracidade de seu conteúdo. O órgão também ressalta que vem tomando providências para ampliar as ações de inteligência e de monitoramento ao crime desde que os ataques a corporações paulistas começaram, deixando um saldo de 98 policiais mortos naquele estado até o momento. Diz ainda que está tomando as medidas necessárias para prevenir qualquer ação do PCC em Minas Gerais.

A preocupação com possíveis ataques em Minas foi manifestada em ofício enviado ontem pelo presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol/MG), Denílson Aparecido Martins, ao chefe da Polícia Civil do Estado de Minas, Cylton Brandão da Matta. No documento, o presidente confirma ter obtido, junto a agentes penitenciários do Triângulo Mineiro, detalhes da correspondência interceptada. Denílson cita, ainda, a necessidade apontada pelos agentes daquela região de reforçar o policiamento e a segurança das unidades. No ofício, ele ainda menciona o caso de São Paulo e pede, ao comando da Polícia Civil, providências imediatas para evitar a concretização dos ataques no território mineiro, que tem a segunda maior população carcerária do país, cerca de 50 mil presos.

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Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais citou a falta de indícios sobre o caso, mas informou que o trabalho rotineiro das inteligências do sistema prisional e das polícias está sendo reforçado, "em razão das ocorrências dos últimos dias nos demais estados da federação".

 

Audiência pública

Hoje a Associação dos Praças, Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra) encaminhará ofício à presidência da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, solicitando realização de audiência pública para discutir o assunto. "Queremos saber quais são as políticas do Governo para combater isso. O risco é iminente mesmo. Desde sábado, quando vazou a informação, estamos discutindo a questão. Nós temos que adotar uma postura proativa", diz o vice-presidente da associação, Marco Antônio Bahia Silva.

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O comandante geral da PM, coronel Márcio Martins Sant’Ana, afirmou, em nota direcionada aos militares, que "faltam elementos para confirmar as ações criminosas, mas garantiu que a situação requer equilíbrio e cautela redobrada, com ênfase para as medidas de autoproteção". O comandante afirma, ainda, que está sendo feito o acompanhamento do quadro da criminalidade em Minas e que nenhuma informação tem sido descartada antes de ser avaliada pela instituição.

A 4ª Região da PM, responsável por Juiz de Fora e outros 85 municípios, reforça as orientações do comando geral da PMMG. A corporação local informa ainda que realiza trabalho diuturno nas divisas com outros estados, principalmente por meio das operações "Região segura". 

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Orientação para estender cuidados aos familiares

A manifestação oficial dos comandos das polícias Civil e Militar, no entanto, não foi suficiente para acalmar as categorias. Desde sábado, policiais militares e civis têm recebido mensagens nos celulares com orientação para que os cuidados se estendam aos seus familiares. "Estamos sendo orientados, inclusive, a deixar as redes sociais e a retirar nossas fotografias dos sites de relacionamento. A preocupação com a segurança dos nossos familiares é muito grande. Nossas esposas e filhos também estão em alerta", revelou um policial juiz-forano que prefere ter o nome mantido em sigilo, após receber a mensagem no seu celular na tarde de sábado.

Para o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol/MG), Denílson Martins, a questão precisa ser tratada com seriedade e não como mero boato, já que os documentos e ligações interceptadas não deixam dúvida sobre a intenção dessas lideranças. "A coisa é séria e, se não houver providências efetivas, corremos o risco de assistir aqui os mesmos crimes cometidos contra policiais de São Paulo. Infelizmente, nós não temos meios de blindar o contato desses presos com suas famílias e com o comando externo da organização criminosa. Em Minas, ainda não há o princípio da individualização da pena, com a separação de regimes e penas. Com isso, há estabelecimentos nos quais presos em regime fechado acabam convivendo com outros em regime aberto e semiaberto que, quando voltam à unidade prisional no final do dia, acabam trazendo informações do lado de fora", enfatiza Denílson Martins.

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O presidente do Sindpol também critica o sucateamento imposto aos policiais civis, cujo déficit de pessoal compromete as ações de investigação. Segundo ele, o quadro atual de oito mil civis é incompatível com a realidade do tamanho do Estado de Minas Gerais, cuja indicação seria de pelo menos 12 mil homens. Outro agravante é que pelo menos 30% dos policiais civis estão ou já estiveram afastados dos cargos em função de licença médica, o que reduziria ainda mais o quadro de agentes.

 

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