
O americano Richard e as argentinas Maria Luz e Constanzi elogiam a receptividade dos juiz-foranos (MARCELO RIBEIRO/21-08-15)
A promissora parceria entre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IF Sudeste) e o Edmonds Community College, localizado no Estado de Washington, nos Estados Unidos, começa a ganhar forma com a chegada do primeiro intercambista do programa a Juiz de Fora, no final do mês passado. Inicialmente, a parceria abarca apenas os estudantes do Centro de Línguas da instituição local, mas a expectativa é que possa expandir para outras áreas e para os docentes, conforme informou o assessor de relações internacionais do IF Sudeste, Wagner Belo. Segundo ele, muitas oportunidades vão surgir a partir desse convênio. “Temos parcerias com vários países, mas os Estados Unidos têm recebido atenção especial. O presidente (do Edmonds Community College) tem acreditado muito nessa parceria. Queremos outros cursos envolvidos e outras ações, como vir professores dar aulas aqui e ir professores daqui dar aulas lá.”
O interesse por parte da instituição americana tem sido tanto que a gerente de Apoio Pedagógico do Edmonds Community College, Simone Gomes, foi enviada a Juiz de Fora com uma missão especial: identificar os potenciais do IF Sudeste para que a parceria vá além do que já é feito atualmente. O campus da universidade fica em Lynwood, região Noroeste dos Estados Unidos, próximo a Seattle. Conforme Simone, essa região é carente de intercambistas, principalmente os brasileiros, por não estar na rota turística do país, assim como Juiz de Fora. “Com a parceria, todos ganham. A gente ganha lá, levando o português para uma área carente de português, levando profissionais qualificados para atuar nas empresas como a Microsoft e a Nitendo, e vocês ganham aqui, com a língua inglesa, que sempre foi atrativa.”
Para Wagner, em cidades não turísticas, a troca é mais interpessoal. “Estamos levando um tipo de contato que vai muito além do turismo. Pessoas se interconectam muito mais. Eles estão vindo aqui para ver o que o mineiro tem e não um turismo de área externa.”
Troca
Inicialmente, um documento foi firmado entre as duas instituições para ações no Centro de Línguas. Os estudantes vão ensinar a sua língua materna e aprender o idioma do país. O discente Joshua Richard, 26 anos, é o primeiro a participar do programa e está animado com o projeto. Ele afirmou que, a partir das experiências profissionais, “vai conseguir se conhecer melhor”. O intercambista também ficou impressionado com o “calor humano” com que os brasileiros o receberam e disse que adorou os pratos tipicamente mineiros que provou. “É meu primeiro dia aqui e já conheci coisas que me deixaram animados”, relata.
Já os estudantes do IF Sudeste devem ficar atentos, pois a expectativa é que um processo seletivo para o programa seja aberto no próximo ano. Todos os selecionados serão contemplados com bolsas.
Integração entre culturas
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IF Sudeste) possui 24 convênios com mais de dez países para intercâmbio acadêmico. No “Ciência sem fronteiras” (CSF), o acompanhamento do IF Sudeste foi considerado modelo pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), como noticiado pela Tribuna em janeiro deste ano. Essa integração entre os estudantes de diversos países provoca transferência de conhecimento, conforme o assessor de relações internacionais do IF Sudeste, Wagner Belo. “Dentro do nosso curso de engenharia mecatrônica, por exemplo, existe uma oxigenação enorme. Inclusive, já alteramos a matriz curricular a partir de ideias trazidas pelos alunos. E as mudanças não são apenas de matriz, são comportamentais. Os professores mudam a maneira como as aulas são ministradas. É maravilhoso dar esse poder ao aluno e não deixar concentrado só na mão do docente.”
Além disso, conforme o assessor, a vinda dos estrangeiros para Juiz de Fora auxilia na motivação dos alunos do IF Sudeste. “Queremos que os estudantes percebam que a internacionalização não é aquilo que disseram que ele não podia fazer. Ele pode. Muitas vezes, o problema é a barreira que nos impomos quando achamos que não somos capazes. Quando a gente aproxima culturas, as pessoas se sentem mais confortáveis em tentar.”
Em Juiz de Fora, a Rede de Estudantes de Intercâmbio (REI), criada em 2012, busca integrar estrangeiros e brasileiros por meio de eventos extraclasse. “A gente vê que quando não tem esse facilitador, os intercambistas acabam se fechando entre eles. A REI facilita muito esse primeiro contato, porque é muito difícil quebrar a barreira cultural e da língua”, afirma o fundador da REI Juiz de Fora, Frederico Picorelli.
A organização inicia o contato com os intercambistas antes mesmo de eles chegarem à cidade para auxiliá-los a encontrar moradia. “Muitas vezes, o intercambista chega sem falar o nosso idioma. Encontrar moradia sozinho é muito difícil”, esclarece Perobelli.
Confraternização
Entre os eventos organizados pela REI estão piqueniques, city tours, viagens, encontros informais em bares e festas temáticas. Há ainda o Tandem, onde os estudantes se reúnem com o objetivo de praticar um idioma. “Os juiz-foranos são muito receptivos, e se os intercambistas tiverem uma boa recepção, eles vão trazer mais gente para cá. Trazendo mais gente, a cidade consegue abrir mais portas lá fora”, atesta o fundador da REI.
As argentinas Maria Luz Garcia, 26 anos, e Constanzi Pozzi, 27, concordam com a boa receptividade. Para elas, a cultura mineira é muito integradora. “Todo mundo responde tudo com muita educação, as pessoas são muito cordiais e se tratam muito bem. Estou achando que o brasileiro é mais feliz que o argentino”, brinca Constanzi.

