
Motoristas ignoram proibição de tráfego na Alameda Ilva Mello Reis, no Santo Antônio
A circulação irregular de veículos de grande porte é flagrante em alguns dos principais corredores de acesso à cidade, como a Garganta do Dilermando e a Alameda Ilva Melo Reis, onde caminhoneiros passam, desrespeitando a legislação e ignorando as placas que indicam a proibição. Na região Central, onde o tráfego de caminhões é restrito, é comum a circulação de veículos maiores e mais pesados do que o permitido, o que causa retenções no tráfego e pode colocar em risco a segurança de outros condutores e pedestres. Nas últimas semanas, a Tribuna percorreu várias vias e flagrou irregularidades.
De acordo com a Settra, na área Central, a proibição se dá para veículos acima de quatro toneladas entre 11h e 20h de segunda a sexta-feira e, aos sábados, de 11h a 15h no trecho da Avenida Rio Branco entre a Rua Agassis e a Avenida dos Andradas, na Rua da Bahia e em todas as vias situadas dentro do polígono formado por: Avenida Francisco Bernardino, Avenida Independência, Rua Santo Antônio, Rua Espírito Santo, trecho da Avenida Olegário Maciel (entre ruas Espírito Santo e Halfeld), Rua Tiradentes e Rua Barão de Cataguases.
Para o especialista em transporte e trânsito José Luiz Britto Bastos, há brechas tanto na fiscalização quanto na normatização das restrições. "As pessoas não têm conhecimento das normas restritivas. E, como a circulação não é inteiramente proibida, os abusos são comuns." O inciso quatro do artigo 231 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) considera o descumprimento aos limites de carga, tamanho e horário determinados pela legislação como infração grave, sujeita a multa de R$ 127,69 , com perda de cinco pontos na carteira de habilitação e retenção do veículo.
Perigo
No caso da Alameda Ilva Melo Reis, onde a passagem é vetada, o problema é frequente, porque a via liga a região do Bairro Santo Antônio à BR-267. Segundo o chefe de fiscalização da Settra, Jorge Lima, a infração é comum mesmo havendo sinalização indicando a proibição. Ele indica que muitos motoristas optam por "cortar caminho" pelo trecho, ao invés de passar pelo Retiro e a Estrada União e Indústria, como indica a placa. "É uma manobra perigosa, porque a via é muito íngreme, e veículos pesados podem não conseguir frear. Eles ariscam sua vida, sua carga e a segurança de outras pessoas." A irregularidade é avaliada como infração média e se enquadra no artigo 187 do CTB, prevendo multa de R$ 87,13.
Moradores reclamam dos problemas na alameda. "O asfalto está em péssimas condições, porque a rua não aguenta o peso. Além disso, o trânsito fica lento quando eles passam", denuncia a enfermeira Mayara Teixeira. "Uma vez, um caminhão-cegonha "entalou", ocupando a pista inteira e impedindo a passagem por horas", completa o motorista Adalto Fernandes, também morador da via.
Busca de alternativas
"O grande fluxo de veículos pesados que passa pela área Central vem da MG-353, rumo à BR-040. Além destes, há os que fazem abastecimento à rede de comércio e serviços e precisam chegar ao Centro", explica o subsecretário de Mobilidade Urbana da Settra, Carlos Eduardo Meurer. Ele informa que, para minimizar os impactos causados pelo segundo grupo, a secretaria prepara um edital para regulamentar o estacionamento e a carga e descarga na região Central. "Isso já ajudará a dar mais fluidez ao trânsito." O chefe do Departamento de Fiscalização da Settra, Jorge Lima, sugere que as empresas criem entrepostos de redistribuição de carga, alternativa já adotada por alguns estabelecimentos. "Com isso, caminhões maiores podem passar as mercadorias para os menores, que causam menos problemas ao tráfego."
Em relação aos veículos que atravessam a cidade com destino à via expressa, especialistas destacam que a restrição de rotas alternativas ao percurso que corta a área urbana é um agravante. Segundo eles, os trajetos que evitam o Centro são geralmente muito longos, fazendo com que os condutores gastem mais tempo de viagem. Com isso, a maioria prefere apostar no caminho mais curto, trazendo prejuízos para a cidade.
Uma das vias mais prejudicadas é a Avenida Independência. Apesar de não haver proibição de caminhões nela, o tráfego intenso, principalmente no trecho íngreme, deixa moradores temerosos. "Eles passam aqui em diversos horários e incomodam muito: retêm o trânsito, fazem barulho com freadas bruscas e diminuem a visibilidade para motoristas e pedestres. Será que não tem uma alternativa?", reclama a aposentada Aparecida Toledo. "Há certos dias em que o tráfego para em trechos da Independência e na Rua São Mateus. É um absurdo este tipo de veículo poder circular nas ruas estreitas de Juiz de Fora em horário comercial, o prejuízo é de todos", protesta um comerciante da região, que preferiu não se identificar.
Rodovias
"É preciso apostar em alternativas que permitam que os condutores possam chegar às rodovias sem passar pela área urbana", argumenta Meurer. Ele indica a futura via de ligação ao Aeroporto Regional da Zona da Mata como possível opção neste sentido, já que prevê a conexão direta da MG-353 com a BR-040. Já Jorge Lima frisa a importância da BR-440 na retirada do tráfego pesado do Centro. "Ela desafogará o fluxo, já que faz a integração entre a BR-267 e a BR-040, destino de um volume muito grande de veículos de grande porte."
O especialista em transporte e trânsito José Luiz Britto Bastos destaca a necessidade de investimento em outras intervenções viárias."Juiz de Fora não tem, por exemplo, um anel viário, e necessita urgentemente de um. É preciso que haja investimento em obras desta natureza, porque a cidade já poderia estar em uma situação bem melhor em termos de trânsito."
118 caminhões autuados em um ano em JF
Dados da Settra revelam que, no período de um ano, 118 caminhões foram autuados em flagrante por circulação em local ou horário proibido. No mesmo período,12 foram multados por exceder às dimensões permitidas para o veículo ou o volume de carga. O chefe do Departamento de Fiscalização do órgão, Jorge Lima, indica que este número não corresponde à quantidade real de infrações. "Não temos um número suficiente de fiscais para cobrir as áreas periféricas com a mesma frequência da região Central. Por isso, fazemos operações isoladas em trechos de maior ocorrência de irregularidades, visando a coibi-las e punir os infratores."
Segundo ele, há 68 fiscais atuando em Juiz de Fora. Destes, cerca de 30 agentes – incluindo fiscais e policiais militares-, trabalham a cada turno em toda a cidade. "É um número muito baixo, se considerarmos que o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) recomenda que haja um agente para cada mil veículos emplacados, e temos algo em torno de 200 mil circulando em Juiz de Fora." Lima informa, ainda, que dez fiscais foram nomeados este mês e devem ser recrutados para os turnos da manhã e da tarde. O local de atuação ainda será definido. O especialista em transporte e trânsito José Luiz Britto Bastos acrescenta que a falta de bom senso por parte dos condutores é um agravante. "Como sabem que dificilmente serão punidos, preferem arriscar uma multa do que evitar o Centro."
A má sinalização também é apontada como uma das causas para o desrespeito às normas. "Muitas vezes, a placa que indica a proibição de tráfego de caminhões está coberta de mato. Deveria haver uma manutenção melhor, assim como outros alertas", aponta o motorista Adalto Fernandes, residente na Alameda Ilva de Melo Reis. "O problema não é só de infraestrutura , falta também consciência dos motoristas", ressalta Britto.

