
Pedestres se arriscam na Getúlio com Marechal, onde tempo para passar é de 12 segundos
O tempo dos semáforos para travessia de pedestres traz insegurança em alguns pontos da área central. Na Avenida Getúlio Vargas, onde existe grande concentração de pessoas, há reclamações de que não é possível atravessar com tranquilidade em alguns pontos. A reportagem esteve na via entre as ruas Batista de Oliveira e Marechal Deodoro e flagrou situações de perigo, principalmente para idosos e portadores de deficiência. Quem circula pelo trecho diariamente diz que são frequentes as cenas em que um policial militar ou outras pessoas precisam "socorrer" aqueles que são surpreendidos no meio da avenida pelos carros. Apesar do problema, a Settra aponta que os tempos não podem ser ampliados por causa da retenção dos coletivos.
No sinal da Getúlio em frente à Marechal, o tempo de travessia é de 12 segundos (mais quatro segundos de luz intermitente) das 5h às 23h59. Após este período, o prazo é reduzido para seis segundos. "Já vi acidentes e freadas. O motorista fica muito próximo do pedestre. A situação se torna mais preocupante para o idoso, que corre quando o sinal abre, facilitando uma queda", disse o doceiro Genésio Randolpho de Oliveira, 77 anos, que trabalha no cruzamento há 15 anos. "Nesses anos, o tempo do sinal sempre foi baixo." O ambulante Francisco Novaes, 61, que também trabalha no ponto, vê a situação como preocupante. "Se a pessoa tiver alguma dificuldade de locomoção, já complica. No mínimo, deveriam ser 20 segundos."
A poucos metros, no sinal da Getúlio em frente à Batista, o problema se repete, embora sejam 17 segundos para a travessia (mais os quatro segundos intermitentes) no período diurno e 12 segundos na madrugada. "O tempo é muito curto. Na Rio Branco é maior", observa a aposentada Isabel Maria Gouveia, 57, que, de braços dados, atravessou a avenida com sua vizinha, a aposentada Maria da Glória Vieira, 87. A reportagem pode verificar que, quando elas chegaram pouco à frente do meio da pista, o tempo já havia se esgotado. "Teve uma vez que um idoso, usando bengala, ficou no meio da rua, e o sinal abriu. Uma pessoa teve que buscá-lo", enfatizou o ambulante Roberto Brasil, 39.
A subsecretária Operacional de Transporte e Trânsito da Settra, Roberta Ruhena, explica que a situação é "difícil para conciliar", por causa da retenção de ônibus no trecho. "O semáforo da Marechal trabalha junto com o da Batista. Não tem como aumentar o tempo por causa da retenção dos ônibus." A subsecretária orienta, para uma maior segurança, a travessia entre a Rua Halfeld e a Getúlio, onde o tempo é maior.
Abusos
Paralelo ao problema do tempo, a reportagem pode comprovar que há abusos de pedestres e motoristas na área central. Além de ser comum a travessia fora da faixa, muitos se arriscam em iniciar o percurso quando o sinal está nos segundos finais ou mesmo na iluminação intermitente. Tanto jovens quanto idosos foram flagrados nessas situações de risco. No semáforo da Rua Marechal Deodoro com a Avenida Rio Branco, a situação é outra. Apesar de o tempo ser satisfatório para a travessia, um motorista de um Fiesta foi flagrado avançando, enquanto a passagem era garantida ao pedestre.

