A falta de médicos no HPS continua a prejudicar o atendimento a usuários do SUS. Escalas incompletas por escassez de profissionais têm dificultado a assistência até mesmo a pacientes conduzidos à unidade pelo Resgate do Corpo de Bombeiros e ambulâncias do Samu. Na tarde de ontem, não havia médico disponível no local. A orientação era para que as pessoas se dirigissem à UPA de Santa Luzia, já que o único especialista de plantão cobria a sala de urgência. O diretor-geral do HPS, Clorivaldo Rocha Correa, confirma que há solicitação para que pacientes sejam encaminhados preferencialmente a outras unidades quando há defasagem no quadro do hospital.
De acordo com o assessor do 4º Batalhão de Bombeiros Militares (BBM), capitão Marcos Santiago, as vítimas de duas ocorrências atendidas pela corporação, no último sábado, deixaram de ser prontamente assistidas no HPS devido à falta de plantonistas. Segundo ele, as equipes foram solicitadas a buscar socorro aos pacientes em outra unidade, mas, sem sucesso, acabaram retornando ao HPS, onde, após intervenção de oficial do BBM, o atendimento foi realizado. "O essencial para a vida do paciente é que ele seja atendido o mais rapidamente possível em unidade de saúde, já que prestamos apenas a assistência pré-hospitalar."
A vice-presidente da Associação de Médicos, Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem e demais Servidores de Urgência e Emergência de Juiz de Fora (Ameta), Valéria Antonelli, confirma que equipes do Samu enfrentam a mesma situação. Segundo ela, funcionários do serviço foram orientados a não levar pacientes para o HPS ontem, devido à falta de profissionais. "As outras unidades, embora lotadas, prestam atendimento clínico, mas casos de trauma e fratura são socorridos apenas no HPS. O que faremos em caso de acidente?"
Clorivaldo admite que ontem só um clínico assistia a urgência. "Falta psiquiatra, traumatologista e cirurgião, e o clínico ‘de porta’ que atende às terças-feiras de dia está de férias." Segundo ele, as noites de sábado e domingo também ficam sem generalista. Há outros sete plantões, de 12 horas cada, que ficam sem médico de pelo menos uma especialidade – clínica, ortopedia, cirurgia e psiquiatria.
"Mas não há desassistência. A Unidade Regional Leste, a Policlínica de Benfica e as UPAs prestam socorro. Em situações de emergência, nas quais há risco de morte, o plantonista, mesmo que não especialista, é capaz de estabilizar o doente. O paciente de emergência não deixa de ser atendido em lugar nenhum." Correa afirma que a solicitação de reposição de quadro já foi feita à Secretaria de Administração e Recursos Humanos, porém os processos seletivos abertos não tiveram candidatos suficientes para cobrir a defasagem.
