
O programa itinerante de castração de animais, o castramóvel, gerido pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) está há um ano sem fazer novos cadastros em sua lista de espera. A suspensão da inserção de novos pedidos foi a medida tomada e mantida pelo Departamento de Controle Animal (Dcan) do Demlurb, por conta da dificuldade de atender o elevado número de demandas. Por conta disso, a cidade tem hoje cerca de 20 mil animais na fila de espera pelo serviço.
Em julho deste ano, o programa voltou a atuar na cidade após ter ficado quase um ano paralisado, devido à falta de repasse de recursos da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Juiz de Fora para o Dcan, o que, por sua vez, era resultado do não envio de verbas da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG), como noticiado em reportagem da Tribuna em maio. De lá para cá, o programa atuou no atendimento de emergências e dos animais que se encontram na lista de espera, priorizando os cadastrados em que os proprietários são residentes em bairros onde o abandono de cães e gatos é considerado elevado.
A gerente do Departamento de Controle Animal, Miriam Neder, explica que a medida foi tomada por questão de justiça com os já cadastrados e com quem ainda deseja ingressar na lista. “Cadastrar uma pessoa que não vai ter o seu animal atendido não é justo e nem correto. Então, suspendemos o cadastro por telefone e fomos nos bairros em que o abandono é grande.”
O comparecimento do castramóvel nos bairros acontece duas vezes por semana, fornecendo atendimento aos casos pendentes, conforme explica a gerente do departamento. “Estivemos nos bairros Santo Antônio, Nova Germânia, Parque das Águas e Parque Independência. Chamamos quem está cadastrado naquela localidade e buscamos identificar também donos de gatas e cadelas para oferecer a castração.” Entretanto, mesmo atuando neste regime, as demandas continuam crescentes e superando o planejado. “Nós fomos ao bairro Santo Antônio para ficar dois dias e ficamos quatro semanas”, relata Miriam sobre a ida do castramóvel à Região Sudeste.
Corte de recursos
Em nota, a Secretaria de Saúde informou que, neste ano, já direcionou ao Departamento de Controle Animal (Dcan) verbas oriundas de repasses do Ministério da Saúde, o que viabilizou o retorno da prestação do serviço. Para custear o programa de castração de animais, desde seu lançamento, eram utilizados recursos enviados pelo Governo de Minas. Entretanto, desde 2018, o Estado não realiza repasse de verbas para a pasta. Ainda conforme a nota, a dívida do Estado com a Secretaria de Saúde, hoje, incluindo recursos para as várias áreas da pasta, já ultrapassa R$ 100 milhões de reais.
‘Animais são problema de saúde pública’
O castramóvel é uma das ferramentas que auxiliam no controle da população de cães e gatos em Juiz de Fora, principalmente daqueles em situação de abandono e dos potencialmente abandonados. A sua ineficiência implica em riscos não só para a saúde de outros animais, como também de humanos, como explica Miriam. “Saúde é uma só. Não existe essa coisa de saúde de bicho. Um animal na rua está contraindo e transmitindo zoonoses (doenças infecciosas transmitidas entre animais e humanos). Animais abandonados também causam acidentes. Animais também são um problema de saúde pública.”
O veterinário Leonardo Lacerda também alerta para os riscos que envolvem animais em situação de abandono e como as dificuldades de atendimento de castração impactam nos gastos com o setor da saúde. “O foco principal na questão da saúde pública está nas zoonoses, entre elas, a raiva, com letalidade de quase 100%. O cão solto na rua tem uma chance alta de ter o vírus e passar para o ser humano. As pessoas que ficam internadas acabam gerando um custo muito alto para o governo. São problemas que seriam facilmente reduzidos com um programa de castração mais eficaz, que atue de maneira contínua e que reduziria muito a quantidade de animais soltos nas ruas.”
Canil Municipal resgata mais de um animal por dia
Segundo levantamento do Departamento de Controle Animal (DCan), cerca de 30 a 40 animais abandonados e em situação de risco são recolhidos pelo Canil Municipal todos os meses, entre cães, gatos e cavalos. No local, os animais recebem cuidados médicos, alimentação e são direcionados à doação. Atualmente, cerca de 500 estão disponíveis para adoção. Os interessados em adotar devem ter mais de 18 anos e levar documento com foto e comprovante de residência direto no Canil Municipal, localizado na Rua Bartolomeu dos Santos 384, no Bairro São Damião, ou ir em algum evento de adoção promovido pelo Demlurb, através do Dcan. O candidato passará por uma entrevista e, caso esteja apto, será encaminhado para preencher e assinar um termo de adoção, assumindo a responsabilidade pelo animal. O Canil recebe visitas de segunda a sexta-feira, das 9h às 10h30, e das 13h às 15h30. O interessado também pode entrar em contato com o Disque-Adoção pelo telefone 3225-9933.
* Estagiário sob supervisão de Luciane Faquini
