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Curso de panificação qualifica 45 mulheres na Penitenciária Edson Cavalieri em Juiz de Fora

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Na Penitenciária José Edson Cavalieri, a panificadora-escola está treinando 45 mulheres para a profissão de padeira. O curso é oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e acontece dentro de uma padaria recém reformada no interior da unidade prisional. As primeiras aulas, ainda teóricas, tiveram início no mês passado.

A carga horária do curso é de 100 horas, e as mulheres serão divididas em três turmas, com 15 alunas cada. As atividades educativas serão na parte da manhã, de 8h às 12h, de segunda a quinta-feira. A previsão é de que a conclusão da primeira turma aconteça no final de outubro. Além de ganharem remição de pena, as detentas também serão certificadas com uma nova profissão.

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Segundo a diretora de Atendimento e Humanização, Lucinda Tavares, o curso contribuirá para o processo de ressocialização das detentas, selecionando as 15 melhores alunas para trabalhar dentro da padaria da penitenciária. “O mais importante é a ressocialização, sair um pouco daquele ambiente só de cárcere, a possibilidade de ver coisas novas, produzir, estar trabalhando, isso é o que a gente mais acredita em termos de recuperação de pessoas que cometeram delitos. E trabalhar dentro da unidade também vai gerar um impacto econômico positivo, visto que o objetivo é que a padaria, assim que ativada, forneça seis mil pães por dia.”

A produção de pães, que irá abastecer as duas penitenciárias do complexo de Juiz de Fora, será possível após a chegada de um novo maquinário fornecido pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). É a primeira vez que o curso acontece no setor feminino da Penitenciária José Edson Cavalieri, e a recepção tem sido positiva. “Uma das alunas me disse que foi a melhor coisa que aconteceu a ela”, conta Lucinda. Ela ainda afirma que sempre recebe bilhetes de detentas pedindo para serem incluídas na próxima turma.

Para participar das aulas, é preciso passar por uma Comissão Técnica de Classificação, que, segundo Lucinda, avalia questões psicológicas, de segurança e jurídicas. “Elas passam por todos os profissionais da unidade, psicólogo, serviço social, enfermagem, parte jurídica, pedagoga e serviço de inteligência. Todos da unidade estão se mobilizando para que esse curso aconteça.”

Além de ganharem remição de pena, as participantes também serão certificadas com uma nova formação profissional (Foto: Divulgação)

Uma profissão para dar melhor condição à família

Daniele de Fátima Tavares é uma das alunas da panificadora-escola e afirma que está gostando muito do curso, principalmente por ele dar uma perspectiva de profissão para quando ela deixar o sistema prisional. “É muito bom a gente aprender alguma coisa que vai poder levar lá para fora e dar uma vida melhor para os nossos filhos. Com esse certificado, sei que, quando eu sair, eu terei um emprego em qualquer padaria que eu chegar, ou até mesmo abrir uma coisa própria para mim mesma.”

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Ela ainda diz que nunca tinha pensado em fazer curso de panificação, mas que, agora que teve a oportunidade, se interessou pela área e pretende seguir nela, trabalhando na padaria da unidade e também quando tiver permissão para sair. “É muito curioso, porque, a cada dia, a gente quer aprender mais receitas, mais sobre a qualidade do pão, coisas que a gente não sabia, o que é muito bom e muito interessante.”

(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)

Profissionais preparadas para o mercado

O professor do curso, Ederson Ribeiro, afirma que é fácil perceber que as alunas estão interessadas em aprender algo novo e adquirir uma nova profissão. Ele, que há 25 anos está no ramo de padarias, afirma que o objetivo do curso é formar profissionais preparadas para atender as demandas do mercado de trabalho. “As aulas serão 75% práticas, mas também terá a parte teórica para conhecer o que é uma panificação profissional, o que são os valores profissionais, o que será cobrado delas lá fora, e também a parte da higiene, da segurança, das boas práticas de fabricação e da tecnologia da panificação, pra depois a gente começar os processos industriais.”

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Ele ainda afirma que o curso abordará a panificação artesanal, visto que muitas pessoas têm procurado esse tipo de alimento hoje em dia. Edson Ribeiro afirma que “o caminho artesanal é o mais indicado para começar o próprio negócio. Se elas saírem daqui e precisarem empreender, os equipamentos são caros e talvez não seja o investimento mais propício a fazer”.

O diretor da unidade prisional, Bruno Barbosa Silva, afirma que o curso e, consequentemente, a padaria, serão de grande valia para a unidade. “Poderemos oferecer um cumprimento da pena mais digno e humanizado para as presas, além de darmos a elas oportunidade de um novo aprendizado e de um curso. Todo mundo ganha com essa iniciativa: nós da direção, os servidores e toda a sociedade.”

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