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“É preciso encarar a crise de frente”

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Influente no diálogo da UFJF com o Ministério da Educação (MEC), o pró-reitor de Planejamento, Orçamento e Gestão, Alexandre Zanini assume um papel central ao conduzir a situação orçamentária e financeira da instituição. Acompanhado do reitor Júlio Chebli e do pró-reitor de Obras, Sustentabilidade e Sistemas de Informação Rubens Oliveira, o professor concedeu entrevista à Tribuna, na qual afirma que a universidade passa por uma reestruturação. Diante dos cortes propostos no ajuste promovido pelo Governo federal, de 10% no orçamento e 47% no de capital, a redução do orçamento da universidade passou de R$ 140 milhões para R$ 100 milhões. Com este cenário, Zanini diz que é preciso “encarar a crise de frente” e propor soluções. Uma delas tem sido a renegociação do pagamento de fornecedores. Apesar da situação, o pró-reitor minimiza o peso do orçamento na decisão por suspender o calendário acadêmico, adiado pela impossibilidade de matrículas de calouros, e garante: “Se quiserem voltar amanhã, a universidade volta”.

Tribuna – Já existe uma posição do MEC acerca da conversão de recursos de capital para custeio, conforme anunciado após a suspensão do calendário letivo?
Alexandre Zanini – O orçamento total da universidade é de R$ 766 milhões, sendo que 64% correspondem ao pessoal. O restante se divide entre custeio e capital, provenientes de recursos próprios e do MEC. No decorrer do ano, a universidade tem três oportunidades de fazer esse remanejamento, sendo a segunda em agosto. Em contato com o MEC, nenhum reitor ainda foi recebido, mas certamente será possível a conversão, como já fizemos em outros anos, e assim garantir a tranquilidade para fechar o ano. Quero destacar que a suspensão das aulas se deve à falta de servidores para realizarem as matrículas de calouros, considerando a greve dos técnicos-administrativos. A questão não é orçamentária. Não estou mentindo. É preciso ainda levar em conta as greves dos professores, mas se quiserem voltar amanhã, a universidade volta.

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– O senhor diz que a UFJF precisa hoje “escolher o que pagar”. Quais têm sido as prioridades para o pagamento de dívidas com fornecedores? Quais são as cifras de dívidas com água, telefone e energia elétrica?
– Existe uma crise nacional, não é uma crise da UFJF. Os repasses de financeiro para todo o sistema das instituições federais de ensino estão mais restritos porque a arrecadação está baixa, a economia não está crescendo. Estamos priorizando o pagamento de bolsas e terceirizados, e o restante temos que escolher o que pagar. O custo da nossa água está em torno de R$ 60 mil/mês, sendo R$ 720 mil por ano. E, na conta de luz, na faixa de R$ 350 mil/mês, com débitos em atraso de seis meses somando R$ 2,4 milhões. No caso da energia, a falta de pagamento também se dá pela reformulação do contrato junto à Cemig. Estamos repactuando os pagamentos com Cesama e Cemig e mantendo outros fornecedores informados sobre a atual situação. Alguns têm contratos com outras universidades e entendem as nossas dificuldades.

– Em relação a um planejamento do orçamento de 2016, o senhor fala que a instituição precisará se redimensionar. Há risco de redução do número de bolsas na graduação e na pós?
– Isso está dentro de um contexto maior. As bolsas são um dos itens de custeio da universidade, entre os 16 principais. Uma comissão de pró-reitores está pensando como será feita a readequação. Se mantiver a base de hoje, a estimativa para manter dez mil alunos são R$ 26 milhões. Temos 37 modalidades de bolsas, que chegam a 40 considerando as do apoio estudantil. Para estas, recebemos parte dos recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil, e a universidade complementa com recursos próprios, inclusive para pagamento do Restaurante Universitário com cinco mil refeições/dia. Nesse momento de readequação, é preciso pensar para onde vamos direcionar isso. Somando o valor das bolsas de graduação e pós às de apoio estudantil e o pagamento terceirizados, temos três despesas que abrangem praticamente todo os recursos de custeio da universidade. E se o financeiro não vem, a gente tem que se readequar, afinal existe o planejamento de energia elétrica, telefonia e outros itens. Tudo isso entra na base de planejamento do próximo ano e está sendo discutido.

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– Que tipo de medidas já estão sendo pensadas dentro desta reestruturação?
Estamos entrando exatamente no período de planejamento para 2016. Com essa situação de crise externa, temos que reduzir gastos. Já existe uma série de medidas sendo implementadas, como a revisão dos termos de referência de contratos, que descrevem o produto e o serviço que se deseja comprar. Um exemplo é pensar na possibilidade de se comprar energia mais barata no mercado livre de energia, ao invés da Cemig. Também estamos trocando experiências com outras universidades sobre contratos de conservação e limpeza. Algumas medidas simples estão sendo implantadas como um sistema de Voip, que reduziu em 30% o valor da conta de telefone, a criação do memorando eletrônico, que economiza o uso de papel, além de um sistema de videoconferência para bancas dentro do próprio SIGA. Diminui-se os gastos com deslocamento, com diárias e passagens para convidados, disponibilizando um link em que possam participar. Através de um cartão de pagamento do Ministério do Planejamento também estamos aderindo à compra direta de passagens para viagens nacionais com quatro empresas, sem precisar de agências de viagem. Só nesta ação esperamos uma redução de 30% a 40% nos gastos.

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– Sobre os terceirizados, haverá cortes no caso de uma redução dos R$ 28 milhões que hoje são repassados?
A UFJF tem hoje cerca de 900 terceirizados. Eu posso fazer uma ação simples que não envolve cortes, mas realocação. Por nossos contratos hoje na área de limpeza, temos um funcionário por uma área de 600 metros quadrados. Ao rever o termo de referência, posso aumentar a área para cada funcionário. Quando revejo também o horário de funcionamento de um prédio da universidade, por exemplo, consigo reduzir em vigilância e conservação. Dessa forma, é possível equacionar. Mas tudo será feito com muito critério, são famílias em jogo. Não se passa um régua e diz ‘corta tanto’. Mas estamos fazendo uma realocação da força de trabalho. O redimensionamento da mão de obra terceirizada está sendo feito com a revisão da política de recursos humanos da Universidade.

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