
Operação Impacto seguro começou na manhã de 5ª
*Atualizada às 19h31
Os constantes conflitos de gangues rivais do Jardim Natal e Jóquei Clube, na Zona Norte, que, só nos últimos dois meses, resultaram em, pelo menos, dois assassinatos e tentativas de homicídio, levaram a Polícia Militar a ocupar a região. Desde quinta-feira (19), a 3ª Companhia de Missões Especiais (CME) transferiu simbolicamente a sede, que fica no 2º Batalhão, em Santa Terezinha, região Nordeste, para o terreno da caixa d’água no final da Rua Geraldo Vilella, no alto da divisa entre os bairros. Até domingo, 150 homens, incluindo equipes da Cavalaria, Rotam, Choque, Grupamento de Ações Táticas Especiais (Gate) e Canil, vão percorrer as ruas, becos, vielas e escadões da área, fazendo policiamento preventivo e repressivo. A operação, batizada de "Impacto seguro", teve início às 6h com cumprimento de cinco mandados de busca e apreensão em residências. Segundo o comandante da 3ª CME, major Paulo Henrique da Silva, todos os alvos eram jovens com menos de 25 anos, suspeitos de alugarem as armas usadas nos confrontos entre os grupos ou de atuarem no tráfico de drogas.
"Essas brigas de jovens têm causas fúteis e são mais preocupantes até do que o tráfico de drogas se compararmos a outras regiões, principalmente porque têm ocasionado mortes", observou o comandante. "Nossa ideia é impactar com segurança. Estamos entrando com toda nossa força", garantiu. Segundo ele, os envolvidos nos crimes exibem aparentemente as mesmas armas em redes sociais, o que levantou a suspeita de que elas estariam sendo alugadas. Durante as buscas da manhã desta quinta-feira (19), no entanto, os militares não conseguiram localizar os armamentos ou entorpecentes. Em uma casa na Rua Major José Teixeira, no Jóquei, os policiais apreenderam quatro rádios de comunicação. Na mesma residência, foi verificado que sete crianças e adolescentes, com idades entre 8 e 17 anos, estavam vivendo em situação degradante, sem condições de higiene. O Conselho Tutelar foi acionado e estipulou um prazo à responsável pela família para se adequar.
Crimes
As ocorrências motivadas por rivalidade de gangues na área ocupada aterrorizam a população. No dia 5 de junho, um jovem, 20, faleceu depois de ser alvejado, pelo menos cinco vezes, no São Judas Tadeu. O rapaz estava em via pública com colegas, quando um homem surgiu, portando um revólver, e atirou contra ele. O suspeito seria morador do Jardim Natal, que teria ido até o São Judas, para acertar contas com a vítima, do Jóquei Clube. No dia 11 do mesmo mês, um garoto, 16, foi baleado no Jóquei, próximo à divisa com o Jardim Natal. Ele estava com dois amigos, de 17 e 18, quando o suspeito de atirar, 17, teria ligado para um telefone público, dizendo que iria até o local e mataria um dos colegas da vítima. Um carro chegou ao endereço com três ocupantes, e o carona efetuou vários disparos em direção ao grupo. O jovem caiu no chão com duas perfurações na cabeça, não resistiu e morreu oito dias depois no HPS.
No mesmo dia em que ele foi baleado, outro rapaz, 19, já havia levado quatro tiros na divisa entre os dois bairros. A vítima, atingida na nuca, nas mãos direita e esquerda e na coxa, foi internada no HPS. Já no último dia 9, um homem, 27, foi alvo de quatro tiros disparados na sua direção, quando saía de casa na Rua Felippe José, no Jardim Natal. Alvejado na testa, coxa esquerda e nas duas mãos, precisou passar por cirurgia no HPS.
Ações sociais e promessa de mapeamento
Paralelamente às operações repressiva e ostensiva, a 3ª Companhia de Missões Especiais (CME) da Polícia Militar está desenvolvendo ações sociais de polícia comunitária no Jóquei Clube e Jardim Natal, Zona Norte. Munidos com planilhas, os policiais percorrem os bairros e verificam problemas básicos, como falta de iluminação, água, capina e asfaltamento. As falhas constatadas serão encaminhadas aos órgãos competentes, como Cesama, Cemig, Settra e Demlurb. "Vamos mapear essas áreas para melhorar as condições das pessoas que vivem nelas", pontuou o comandante da 3ª CME, major Paulo Henrique da Silva. Segundo ele, também haverá palestras educativas, exibição de filmes, Transitolândia e apresentação do Canil, a fim de atrair crianças, adolescentes e seus pais
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Para combater os confrontos de jovens rivais, apreender armas e drogas, a PM conta com o Serviço de Inteligência, além da colaboração da própria comunidade por meio de denúncias, que podem ser feitas pelos números 190 e 181. "Estamos fazendo repressão qualificada e vamos permanecer enquanto for necessário", disse o comandante. Segundo ele, os 150 policiais se revezam em turnos, em grupos de 40, 56, 63 e até 87 pessoas. As incursões pelos bairros estão sendo feitas nas 24 horas do dia a pé, a cavalo em motos, Rotam e viaturas. Também há realização de blitze nas principais entradas e saídas da região.
Já no primeiro dia, a operação "Impacto seguro" foi aprovada pela população. Morador do Jardim Natal desde os 3 anos, Jovelino de Souza, 25, trabalha na construção civil e demonstra temor diante dos confrontos de gangues. "Tem acontecido muita coisa no bairro. Percebi que aumentou a violência, principalmente entre os jovens." Para a costureira Meiriele Cristina, 32, a presença da polícia é sinônimo de tranquilidade. "Vai trazer segurança. Moro aqui há 23 anos e não podemos mais ficar zanzando pela rua por causa dos tiros. Tenho medo."
Durante a solenidade de inauguração da sede temporária no campo da caixa d’água, os policiais receberam instruções, e houve hasteamento das bandeiras da 3ª CME, de Minas Gerais e do Brasil, simbolizando a ocupação. Conforme o major Paulo Henrique, com a saída do grupo, equipes da Rotam e militares do 27º Batalhão continuarão as ações nos dois bairros, inclusive com uma Base Comunitária Móvel. Ainda neste semestre, a CME deverá ocupar mais duas áreas consideradas críticas na cidade, sendo outra na Zona Norte e uma na Leste.

