O número de novos casos de Aids entre gays e transexuais de Juiz de Fora apresentou queda entre os anos de 2009 e 2010, conforme levantamento do Programa DST Aids, da Secretaria de Saúde. Em 2009, 14 homossexuais do sexo masculino foram diagnosticados com a doença, enquanto que, no ano seguinte, 11 casos foram confirmados. O número refere-se à demanda espontânea, ou seja, pacientes que procuraram o Centro de Testagem e Acolhimento (CTA), que funciona no PAM-Marechal, no Centro. Já o número de exames realizados aumentou no mesmo período. Do total de 1.264 homens que fizeram o teste em 2009, 158 eram de homossexuais. Em 2010, num universo de 1.468, eram 187 homossexuais. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os homens que fazem sexo com homens têm 20 vezes mais chance de serem infectados pelo vírus HIV do que o restante da população.
A redução na quantidade de gays e transexuais infectados reflete uma queda geral nos dados de pessoas com Aids em Juiz de Fora. Levantamento do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan), do Governo federal, aponta que 56 novos casos foram confirmados na cidade em 2010. Em 2009, foram 128, seguido de 189 (2008) e 214 (2007).
Para o coordenador do programa DST Aids do município, Rodrigo Almeida, a queda está relacionada a uma série de fatores. "A população está falando mais sobre Aids e buscando mais informações. Por outro lado, o município tem facilitado o acesso aos materiais de prevenção", detecta. A descentralização dos projetos de esclarecimento também pode explicar a redução. "Estamos fazendo um trabalho muito grande nos bairros e trabalhando de forma diferente com cada grupo de pessoas, como jovens, pessoas acima de 50 anos, mulheres e população mais vulnerável, como homossexuais e usuários de droga."
Os jovens entre 14 e 25 anos são o grupo populacional de maior preocupação em relação à Aids, conforme o coordenador. "Juiz de Fora, por ser uma cidade universitária, recebe muitas pessoas nessa faixa etária. Temos preocupação em saber com qual tipo de consciência esses jovens estão chegando aqui."
Rodrigo Almeida alerta ainda que um dos desafios dos gestores da saúde no país é fazer com que as pessoas, independente do grupo a qual pertençam, façam o teste da Aids rotineiramente. "O exame é gratuito e sigiloso." No PAM-Marechal, a análise pode ser feita no sétimo andar, de segunda a sexta, das 8h às 17h. O resultado sai em até sete dias, sendo antecipado em casos de urgência. Em situações mais graves, como ocorrências de abuso sexual, o exame é realizado imediatamente, no Hospital de Pronto Socorro (HPS).
Caso o resultado dê positivo, o paciente é encaminhado para tratamento também gratuito no Serviço de Atendimento Especializado (SAE). Todos os meses, o laboratório do Programa DST Aids em Juiz de Fora realiza cerca de 1.400 testes de pessoas da cidade e outros 107 municípios da região.
