Uma comissão de pais de alunos da rede municipal de ensino acionou o Ministério Público para que a reposição de aulas do período de greve dos professores seja realizada no mês de julho, durante as férias escolares. A paralisação durou 84 dias, sendo 54 letivos. A ação foi protocolada na última segunda-feira na Promotoria de Defesa da Infância e Juventude. “A nossa ideia é que não tenha uma nova quebra no ano letivo dos alunos. Eles vão retomar o ritmo agora, e parar de novo vai atrapalhar ainda mais o rendimento”, explica o funcionário público Wellington Novaes. Ontem a promotoria informou que ainda não houve nenhuma determinação a respeito.
Conforme o ofício protocolado, “ao longo desses 80 dias, muitas crianças retornaram às salas de aula, e foi observado, por muitos pais e professores, um retrocesso no aprendizado, e, com essa nova parada, isso pode ser prejudicial”. Eles pedem que a Justiça solicite à Prefeitura o cancelamento das férias do meio do ano. A ideia, ainda conforme o documento, é evitar aulas aos sábados, “pois já foi comprovado que não tem rendimento, e a quantidade de alunos nas salas de aula nesse dia não corresponde com a realidade”. Durante a greve, Wellington já havia acionado a Promotoria, solicitando a intermediação do órgão na negociação entre Sinpro e PJF. O protocolo foi arquivado com o fim da greve, conforme o Ministério Público.
Na semana passada, o Comitê Intersetorial, constituído por membros da Secretaria de Educação e outras pastas, reuniu-se com alguns pais para dar continuidade aos estudos das medidas a serem tomadas para garantir a reposição de aulas sem perdas pedagógicas aos estudantes. Segundo a assessoria do Executivo, na ocasião, foram discutidos assuntos como horário do transporte urbano e rural, contratação de professores e merenda escolar. A comunidade escolar pode questionar, denunciar ou fazer reclamações pela Ouvidoria, no telefone 2104-7007.
A diretora-geral do Sinpro, Aparecida de Oliveira Pinto, disse que a categoria não pretende entrar na discussão, mas ressaltou que as férias de julho são direito do trabalhador e que precisam ser respeitadas. “Queremos repor a greve, mas não podemos colocar em risco uma garantia dos trabalhadores.”
