Atualizada às 19h35
Mendes Mauro também era policial militar, mas tornou-se conhecido principalmente por sua atuação na área cultural. Ele mantinha seu ateliê em uma casa na Estrada União e Indústria, onde expunha suas obras e recebia pedidos de peças utilitárias, como armários, espelhos, lareiras e janelas. Apesar de ser um artífice das artes, ele preferia se autodenominar ferreiro, como declarou, anos atrás, em uma entrevista para a Tribuna. “Eu me identifico bem com essa brincadeira, me insiro muito como os ferreiros da Idade Média. Eles nem eram artistas, nem serralheiros, eram ferreiros.”
Ele afirmou ainda, na ocasião, que suas principais fontes de inspiração eram a natureza e o cotidiano. “Na madrugada vêm as inspirações, e o sono vai embora”, disse ele, conhecido pela diversidade das peças que produzia. Por meio da sua criatividade, o ferro ganhava a forma de esculturas, bancos, jarros e uma infinidade de outros objetos.
A morte de Mendes Mauro foi lamentada em sua terra natal. O diretor do Departamento de Cultura e Turismo, Geraldo Francisco do Nascimento, declarou que o artista é e continuará sendo um ícone para a cultura do município. “Nós tivemos uma relação estreita com ele. O Mendes Mauro tinha essa coisa fascinante, que era conseguir moldar o metal por meio da arte. Ele participou de alguns festivais na cidade e exposições em outros eventos. Era uma pessoa tranquila de lidar, vai deixar um vazio imenso em nossa cultura, foi um baque quando tivemos a confirmação da notícia.”
Mauro também foi lembrado por sua atuação como policial militar. Um ex-colega de trabalho lamentou a morte do artista na matéria postada no site baiano: “Senti muito a perda deste irmão de farda com quem trabalhei aqui na nossa PMMG na cidade de Juiz de Fora /MG, um companheiro amigo de verdade, e sei que muitos amigos da velha Polícia Militar Rodoviária aqui em Minas e de outras unidades que trabalharam com ele sentiram sua perda”, escreveu o internauta Adilson Fernandes. “Uma pessoa especial, com talento primoroso e diferenciado em transformar sucata, ferro e madeira em obras de arte espetaculares”, comentou Michelângelo J. Jesus.
