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Rapper é assassinado no Bairro Milho Branco

mc aice de bone na primeira fila era presidente da associacao posse de cultura hip hop zumbi dos palmares

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MC Aice, de boné na primeira fila, era presidente da Associação Posse de Cultura Hip-Hop Zumbi dos Palmares
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MC Aice, de boné na primeira fila, era presidente da Associação Posse de Cultura Hip-Hop Zumbi dos Palmares

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Conforme a PM, duas vítimas foram atingidas dentro de um bar, enquanto a outra foi alvo dos tiros enquanto fugia da confusão. Josimar Aparecido morreu ainda no local. Ele foi alvejado três vezes nas costas e uma na nuca. O MC era organizador da Batalha do Passinho (estilo de dança de funk) e um dos integrantes da Batalha de MCs. A morte do agitador cultural provocou comoção nas redes sociais.

A irmã de MC Aice, Josania Aparecida, 49, disse que ele não tinha inimigos e que todos estão chocados com sua morte. “Ele trabalhava como estampador e se dedicava ao hip-hop. Seu mundo era esse. Não se envolvia em brigas e nem com nada de errado. Josimar era muito querido no Milho Branco, onde morava há muito anos. Pessoas que estavam no bar nos contaram que o atirador foi lá para matar, não teve nenhuma confusão antes. Ele deixou a moto em uma esquina, chegou lá a pé e descarregou a arma. É tudo muito assustador”, disse a mulher. MC Aice deixa três filhas.

O outro atingido no Milho Branco que não resistiu foi Carlos José Lima Delgado, 41. Com um ferimento na face, ele chegou a ser socorrido pelo Samu ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), mas morreu na unidade. Ele era cadeirante e seria o proprietário do estabelecimento comercial. O terceiro baleado, um homem de 26 anos, foi levado por policiais militares até a UPA Norte, em Benfica. Ele foi alvejado por dois disparos, sendo um em cada braço. O homem relatou aos policiais que estava no bar quando viu o autor entrando e abrindo fogo. Ele saiu correndo, mas não conseguiu escapar. Segundo seu relato, a motivação do crime é desconhecida. O homem foi operado e continuava internado na UPA ontem.

Prisão em Matias

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Diversas viaturas foram mobilizadas na busca pelo suspeito do crime. Uma delas se deparou com a motocicleta utilizada por ele em Matias Barbosa. Quando os policiais tentaram fazer a abordagem, o homem, de 28 anos, fugiu. Ele só foi detido após cair do veículo, quando sacou a arma em direção aos militares. O revólver calibre 38 caiu no chão, o homem o pegou de novo e tentou atirar, porém, todas as munições estavam deflagradas.O suspeito foi contido e preso. Durante a queda da motocicleta, ele se feriu e foi medicado na UPA Norte. Em seguida, foi levado para a delegacia. Em depoimento, o suspeito afirmou que só falaria sobre o episódio em juízo.

Seu flagrante foi confirmado, e ele foi encaminhado ao Ceresp. O caso será investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios. O delegado Carlos Eduardo Rodrigues afirmou que o preso deverá ser ouvido ainda essa semana. “Também estamos buscando testemunhas que possam explicar a motivação do crime”, ressaltou o delegado, acrescentando que a vítima que está internada deverá prestar depoimento assim que tiver condições.

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Jovens lamentam perda para a cultura hip-hop

Nas redes sociais, o agitador cultural teve sua grande atividade com jovens confirmada através de dezenas de testemunhos comoventes. “Lamentamos muito essa perda, dessa pessoa ímpar, amiga, parceira, que fazia muito por nossa cultura, e fazia um bem muito grande a nossa sociedade”, escreveu o cantor Igor Giovanni, do grupo de pagode Melhor Assim. “Você vive na memória de todos nós companheiro, um pai no rap”, escreveu MC Oldi. “Você foi inigualável. Seu jeito chamativo escondia um cara generoso, amigável e tranquilo. Aprendi muito sobre o rap e a periferia com você”, lamentou o historiador e poeta Tiago Rattes.

Ouvida pela Tribuna, Adenilde Petrina, do Coletivo Vozes da Rua, no Bairro Santa Cândida, disse que MC Aice “sempre foi um cara muito criativo e dinâmico”. Parceira do rapper nos anos iniciais da Posse Zumbi dos Palmares, entre 2002 e 2005, Adenilde destaca a atuação dele para a consolidação do hip-hop na cidade e aponta seu entusiasmo nos últimos meses, quando planejava um clipe com a MC Xuxú (cantora de “Pantera cor de rosa” e “Um beijo”). “O que aconteceu com o Aice acontece em todas as periferias. Essa despedida reforça ainda mais nosso compromisso de levar a bandeira da paz por todos os cantos”, discursa a militante.

Último rap

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Muitas das postagens nas redes sociais também diziam de uma das últimas criações de MC Aice, o rap “Mais uma lágrima”, que abordava, ironicamente, a crescente violência na periferia da cidade. “Levo a vida patogênica transformando realidades. O que contraria a ciência não é uma obstrução, mas a sua procedência. Outro moleque se foi, agora virou tendência”, canta o rapper na música lançada no último dia 13. “Mais uma lágrima que cai, enquanto do outro lado o moleque vai embora, e deixa quem ama, que chora”, diz o refrão.

Em seu blog (http://poesiaindependente.blogspot.com.br/), o pesquisador e professor Giovani Verazzani exaltou, em um poema, a guerra que MC Aice travou ao encarar de frente a arte como arma contra a marginalização e a violência urbana. “Com passinhos escandalosos/ fazia revoluções”, diz o poeta. “Aqui em baixo fica a sua situação/ Um legado de vida e de luta/ Pra aumentar nossa inspiração/ E onde quer que você esteja, Vai estar, pode ter certeza,/ Fortalecendo os seus irmãos!”, conclui Verazzani, demonstrando a força do artista que, aos sorrisos, sempre dizia: “Adoro essa vida”.

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