A sequência de temporais que atingiu Juiz de Fora a partir do fim de fevereiro provocou rápida elevação no nível das represas que abastecem o município. Em apenas três dias, o volume da represa Dr. João Penido saltou de 84,1%, registrado no dia 23 de fevereiro de 2026, para 99% da capacidade em 26 de fevereiro, enquanto a represa de São Pedro também chegou a 99% no mesmo período. Os dados da Cesama indicam que, após dias de chuva intensa, os mananciais passaram a operar próximos da capacidade máxima.
O aumento no nível das represas ocorreu após uma sequência de temporais que atingiu Juiz de Fora no fim de fevereiro. Durante uma das tempestades, por volta de 1h de terça-feira (24 daquele mês), o volume de chuva chegou a 183,1 milímetros, superando em poucas horas a média histórica prevista para todo o mês de fevereiro, de 170,3 milímetros. Segundo a Defesa Civil, a região central da cidade contabilizou mais de 90 milímetros em apenas três horas.
Entre os maiores acumulados registrados na segunda-feira (23 de fevereiro), está a região da represa Dr. João Penido, onde foram contabilizados 138,2 milímetros.
Com o temporal da noite de quarta-feira (25 de fevereiro), Juiz de Fora fechou o mês com 733 milímetros de chuva acumulados apenas em fevereiro, volume que representa 4,3 vezes a média esperada para o período. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgados pela Prefeitura de Juiz de Fora, entre a noite de quarta e a madrugada de quinta-feira (26), foram registrados 113 milímetros de chuva entre 18h e meia-noite. O episódio provocou alagamentos, deslizamentos de terra, extravasamento do Rio Paraibuna e outras ocorrências na cidade e na região.
Impacto nos três principais mananciais
Dados da Cesama mostram, ainda, que os três principais mananciais registraram aumento rápido no volume de água durante os dias mais chuvosos. O avanço pode ser observado especialmente na represa Dr. João Penido. No início da semana marcada pelos temporais, o reservatório estava em 84,1% em 23 de fevereiro. No dia seguinte, em 24 de fevereiro, a represa já havia alcançado 95,8%, chegando a 99% em 26 de fevereiro.
Situação semelhante foi registrada na represa de São Pedro. O manancial, que estava em 85,3% em 23 de fevereiro, subiu para 91,8% em 24 de fevereiro e também atingiu 99% em 26 de fevereiro.
A barragem de Chapéu D’Uvas, a maior da cidade, também apresentou aumento no volume armazenado durante o período. O nível passou de 72,8% em 23 de fevereiro para 74,8% em 24 de fevereiro e chegando a 77,7% em 26 de fevereiro.
Os dados também mostram que os reservatórios já registravam discreto aumento no início do ano. No caso da represa Dr. João Penido, o índice era de 61,4% no dia 1º de janeiro e de 61,2% em 31 daquele mês.
Já no dia 12 de fevereiro, a Tribuna esteve na represa Dr. João Penido, localizada na Av. Eudóxio Infante Vieira, no Bairro Jardim L’Ermitage, na Região Norte de Juiz de Fora. A equipe visitou o local e observou o reservatório e o nível da água. Na ocasião, o manancial registrava 87,7% de volume, índice superior ao observado na mesma data do ano anterior, que era de 82,3% em 12 de fevereiro de 2025.
Níveis seguem acima dos registros de 2025
Mesmo após o período mais intenso de chuvas, os mananciais continuam com volumes superiores aos observados no mesmo período do ano anterior.
No dia 9 de março deste ano, a represa de São Pedro registrava 85,8%, enquanto no mesmo dia de 2025 o índice era de 75,9%. Já a represa Dr. João Penido a diferença foi de 79,6% em 2025 para 85,8% em 2026 no mesmo período avaliado. Na barragem de Chapéu D’Uvas, o volume era de 77,8% também em 9 de março, quase 7% acima do registrado na mesma data do ano passado, quando estava em 71,3%.
Operação das barragens
Questionada sobre a operação dos reservatórios e possível abertura de comportas e sistemas regulatórios do nível das represas, a Cesama não confirmou o uso de tais ferramentas e informou que “sistemas de descarga dos mananciais sob responsabilidade da Cesama regulam o volume e o nível dessas barragens de forma eficiente e segura”. Segundo a companhia, o sifão, as descargas e os vertedouros estão operando conforme o esperado.
A empresa também informou que as vistorias de segurança fazem parte da rotina operacional padrão e que, em períodos de chuvas intensas, a frequência dessas inspeções é reforçada por precaução e zelo com a operação.

