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Relatório da Defesa Civil já apontava risco de queda de blocos rochosos no Paineiras

morro do cristo Defesa Civil
(Foto: Felipe Couri)
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Um relatório preliminar da Defesa Civil de Juiz de Fora, entregue à população na última terça-feira (17), já indicava risco de desprendimento de blocos rochosos na região do Paineiras, área próxima ao Morro do Cristo, antes da ocorrência registrada na última quarta-feira (18) nos fundos de um condomínio localizado na Avenida Olegário Maciel. 

O documento técnico, elaborado após vistorias na encosta, alertava para a possibilidade de queda de blocos rochosos devido às características geológicas do local e às condições de instabilidade agravadas pelas chuvas. Entre os principais pontos observados estavam a presença de blocos soltos, fraturas na rocha e sinais de movimentação, fatores que aumentam o risco de deslizamentos e quedas. 

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Na quarta-feira, parte desse cenário se concretizou com o registro de queda de rochas na Avenida Olegário Maciel, a principal via da região. O caso reacendeu o alerta para áreas classificadas como de risco geológico no município, especialmente durante períodos de chuvas intensas. 

Segundo o relatório, a combinação entre relevo íngreme, infiltração de água e processos naturais de desgaste contribui para a instabilidade das encostas. O documento também reforça a necessidade de monitoramento contínuo e, em alguns casos, a adoção de medidas preventivas, como contenção, remoção de blocos instáveis e restrição de acesso em áreas mais vulneráveis. 

A Defesa Civil já havia destacado que episódios de chuva podem acelerar esses processos, aumentando a probabilidade de novos desprendimentos. O alerta ganha ainda mais relevância diante das previsões meteorológicas para o fim de semana, que indicam continuidade das precipitações, com alerta de chuva intensa publicado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para os próximos dias. 

Histórico do local 

O relatório também resgata que intervenções de estabilização na encosta do Morro do Cristo vêm sendo realizadas desde a década de 1970, com obras de contenção por meio de contrafortes de concreto em pontos específicos, além de ações de revegetação para reforço do solo. No entanto, o documento aponta que esse conjunto de medidas — que combinava soluções estruturais e vegetativas — pode ter perdido eficiência ao longo do tempo, especialmente devido à degradação provocada por fatores como incêndios recorrentes na área, o que compromete a proteção superficial do solo e contribui para o agravamento das condições de instabilidade. 

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Após as chuvas de fevereiro que resultaram na morte de seis pessoas no Paineiras após deslizamento no Morro do Imperador, a Defesa Civil afirma que adotou uma série de medidas emergenciais na área, incluindo monitoramento diário das condições do maciço, que já identificou novas instabilidades em rochas e no solo. Também foram realizadas visitas técnicas com especialistas em geologia e geotecnia, incluindo profissionais ligados ao CREA-MG, Conder e ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), para avaliar possíveis intervenções estruturais. 

Além disso, foi solicitada a contratação de geólogo com experiência em desastres para inspeção detalhada das rochas — inclusive com uso de técnicas como rapel — e proposição de soluções imediatas de mitigação de riscos, bem como a elaboração de anteprojeto para estabilização global da área. 

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Bloco rochoso que desaprendeu tinha cerca de 40 metros 

Sobre a ocorrência, o Corpo de Bombeiros informou que foi constatado “o desprendimento da parte superior de um elemento rochoso de grande porte, com aproximadamente 40 metros de altura. O material rolou e se depositou na base do próprio maciço.” Não houve registro de pessoas feridas. 

Após o ocorrido, equipes foram mobilizadas para avaliar a área afetada e adotar medidas de segurança. Os bombeiros, em avaliação inicial, verificaram que o fragmento rochoso desprendido encontra-se estável, não oferecendo risco iminente às edificações próximas. Como medida preventiva, foi feito o isolamento do local, com a delimitação de uma área de segurança. 

A reportagem da Tribuna esteve no local ontem, por volta das 20h30, e constatou a movimentação de moradores deixando o condomínio por precaução. 

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A orientação é que motoristas e pedestres redobrem a atenção ao transitar por regiões próximas a encostas, principalmente durante e após períodos de chuva. 

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