
O verão termina na madrugada deste domingo como um dos mais chuvosos dos últimos anos, fato que resultou, principalmente, na recuperação dos mananciais que abastecem Juiz de Fora. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o acumulado de precipitações no município, entre dezembro e ontem, foi de 936,3 milímetros, índice que representa 89,8% do esperado para todo o período. No verão anterior, choveu 798,7 milímetros, o equivalente a 76,6%. O outono, que começa no hemisfério Sul à 1h30, é uma estação considerada de transição. Ou seja, mantém características tanto do verão, como alta umidade, calor e chuvas, como do inverno, que é o tempo mais seco e as noites mais frias. A previsão é que o ciclo se comporte dentro da normalidade.
De acordo com o meteorologista Luiz Ladeia, do 5º Distrito do Inmet, o verão foi marcado por chuvas dentro da média histórica, principalmente, nas regiões Sul, Triângulo, Zona da Mata e Metropolitana de Minas Gerais. A exceção está no Norte do estado, onde o regime pluviométrico ainda ficou aquém do esperado.
Apesar de a média histórica ter sido praticamente atingida na cidade, a distribuição destas precipitações chamou atenção. Foram vários dias consecutivos sem chuvas, em contraste com acumulados representativos em poucas horas. Foi assim, por exemplo, no último fim de semana de fevereiro, dias 27 e 28. Somente nestes dois dias, as precipitações alcançaram 104,4 milímetros, o que é 48% do previsto para todo o mês. Foi por causa destas chuvas, inclusive, que a região do Bairro Santa Luzia, Zona Sul, ficou completamente inundada, causando prejuízos financeiros e preocupações a moradores e comerciantes da área.
Segundo Ladeia, esta má distribuição ocorreu por causa do fenômeno climatológico El Niño, que aquece as águas do oceano Pacífico e altera o comportamento dos ventos que chegam ao continente. Consequência direta do fenômeno em atuação foi revelada na média das temperaturas máximas, que ficou levemente acima do previsto em todos os meses da estação. “Agora o El Niño apresenta indícios de que perde força, e por isso voltaremos a ter temperaturas mais amenas, que são esperadas no outono.”
Estiagem
É a partir da segunda quinzena de abril que os juiz-foranos deverão observar o início da estiagem, que se prolonga, historicamente, até o início de outubro. Se considerar todo o período (de outubro até ontem), as chuvas alcançaram 92,1% do previsto, sendo que no período anterior a soma foi de 73,8%. Por causa disso, os mananciais que abastecem a cidade conseguiram recuperação plena. A Represa João Penido está 90,1% preenchida. No fim de março do ano passado, não tinha sequer a metade deste acumulado, com 41,65%. São Pedro foi de 70% para 92,1% e Chapéu D`Uvas, 11 vezes maior que João Penido, de 53% para 81,5%.

