
O anúncio do corte de 25% no orçamento do Hospital Universitário (HU) da UFJF, que vem acarretando em redução de 30% nos atendimentos da instituição, afeta 33 especialidades (ver quadro). Entre elas, estão áreas que já são carentes de profissionais na rede pública, conforme reportagens publicadas nos últimos anos pela Tribuna, como reumatologia, ortopedia, oftalmologia e endocrinologia. Segundo informações da assessoria de comunicação do HU, a instituição realizou 5.194 atendimentos ambulatoriais em fevereiro deste ano. Com o corte, cerca de 1.500 deixarão de ser feitos, sendo que as primeiras consultas (para novos pacientes) não serão mais marcadas. Além disso, 50 leitos das unidades Dom Bosco e Santa Catarina não estão funcionando, reduzindo em praticamente um terço a capacidade de internação. A situação se agrava com o fechamento temporário do hospital dia e do centro cirúrgico do HU, responsáveis por pequenas e médias cirurgias, que deixaram de ser feitas desde o último dia 13.
Além da preocupação com uma das principais funções de um hospital universitário, que é a formação de profissionais da área de saúde, os impactos na assistência também deixam a cidade em alerta. Conforme o secretário de Saúde, José Laerte Barbosa, ainda não é possível estimar como essas mudanças afetarão a rede, mas os prejuízos são certos. "Ainda não temos como precisar o impacto, mas vai ocorrer, porque o HU é um bom parceiro. Mas precisamos sentar com a direção do hospital e definir conjuntamente o que pode ser feito. A Prefeitura está em dia com o pagamento do HU e não pode haver uma decisão unilateral neste momento."
José Laerte diz que, por conta da redução de leitos e cirurgias, já houve negociação da Secretaria de Saúde com outros prestadores, que comportarão o que não será feito no hospital universitário. Mas a redução dos atendimentos eletivos preocupa, pois pode, a médio e longo prazo, interferir diretamente na demanda reprimida. Atualmente, o Município repassa R$ 700 mil por mês ao HU, que tem custo mensal médio de R$ 2,5 milhões. Como a unidade da UFJF está sem receber repasses diretamente dos ministérios – o que seria consequência da não adesão à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), conforme avalia o reitor Henrique Duque, a preocupação é em conseguir manter o custeio.
A preocupação em equacionar o problema tem mobilizado políticos da cidade. Por conta disso, o Comitê em Defesa do HU já se reuniu com os três deputados federais que representam a cidade – Júlio Delgado (PSB), Marcus Pestana (PSDB) e Margarida Salomão (PT). O último encontro foi com Margarida, que também conversou com Duque para se inteirar da situação. "O reitor esclareceu que há recursos para aquisição de medicamentos e manutenção de serviços, mas falta verba para arcar com as despesas de pessoal. A EBSERH foi criada para equacionar os problemas das contratações, mas a comunidade do HU optou por não aderir à empresa. Essa é uma luta dos trabalhadores em prol do quadro efetivo, que endosso e apoio. Vou buscar audiência com o ministro da Educação, que é nosso interlocutor, e ver o que pode ser feito no sentido de realização de concursos", disse a deputada, que também é ex-reitora. O vereador Antônio Aguiar (PMDB) também pretende intervir, enviando representação ao Ministério Público Federal de Minas Gerais. No entanto, conforme informações do órgão, nenhuma representação sobre o assunto havia sido protocolizada até esta segunda.

