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Cesama aguarda resultado da perícia sobre deslizamento no Linhares

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Vitimas foram enterradas no Municipal
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Vitimas foram enterradas no Municipal

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Foram enterradas na tarde desta segunda-feira (19) as duas jovens que morreram em um deslizamento de terra no Bairro Linhares, Zona Leste, na manhã de domingo. Larice Aparecida da Silva Quina, de 19 anos, e Ana Beatriz Varela, 19, estavam nos quartos de fundos de uma casa na Rua Roberto Hargreaves quando o barranco desmoronou, atingindo a residência. Na manhã de ontem, equipes da Defesa Civil estiveram no local do acidente para reavaliar a situação da casa onde estavam as vítimas e dos outros três imóveis que foram atingidos e permanecem interditados. "Ainda vamos avaliar o que tem que ser feito na encosta e também de que forma podemos contribuir com as famílias atingidas", disse o subsecretário de Defesa Civil, major José Mendes da Silva. Ele afirmou ainda que o local não era considerado área de risco.

Ainda no domingo, a perícia esteve no local para avaliar as causas do acidente. Segundo os moradores, desde o início da semana havia um vazamento de uma rede de água da Cesama na Rua Vera Lúcia, que fica acima do barranco. "Há uma semana tinha água descendo do alto do morro. Chamamos a Cesama, mas ninguém veio aqui", contou Maria Amélia de Oliveira, prima de Larice que mora na casa ao lado de onde estavam as vítimas. Moradora da Rua Vera Lúcia, Denise Afonso Neves contou que às 5h57 de domingo a água estava jorrando de um cano que fica no alto do barranco. "Eu desliguei meu registro para ver se era problema da minha rede, mas a água não parou. Meu marido ainda tentou fazer algo, mas não conseguiu." Ela relatou que foram feitas ligações para a Cesama, mas que o número do plantão não atendia. Logo depois, disse que ouviu um estrondo como se fosse uma explosão e o barranco desceu. "Eu nunca vou esquecer essa cena, fiquei apavorada", relatou emocionada a auxiliar de serviços gerais. Na rua, não houve interdição das residências onde vivem quatro famílias. Mas a moradora está apreensiva. "Estou com medo, não sei o que está vazando aqui debaixo da terra. Mas não posso sair daqui porque não tenho para onde ir." Conforme os moradores, a Cesama só chegou ao local depois do acidente, quando foi feito o corte de água. Pela manhã, funcionários do órgão trabalhavam para restabelecer o funcionamento.

No Cemitério Municipal, parentes e amigos estavam inconformados com as mortes. A irmã de Ana Beatriz chegou a passar mal e precisou receber atendimento médico. Larice era atendente do Samu e morava na casa do Bairro Linhares. A família de Ana Beatriz residia no Rio de Janeiro, e a garota, que trabalhava em uma loja de calçados, estava morando com a amiga há cerca de um mês, segundo informações da tia dela, Miriam Varela. A prima de Larice e moradora de uma das casas atingidas pela terra, Tatiana Dias confirmou o problema na rede de água. "Estava infiltrando água há dias. Ligamos para reclamar e nada." O tio de Larice, Amarildo José da Silva, informou que a família vai acionar a Justiça. "Não estava chovendo, e a Defesa Civil já tinha dito que ali era área segura", falou.

O acidente aconteceu no domingo, por volta das 7h, quando os bombeiros foram acionados. Os corpos das jovens só foram localizados quatro horas depois devido ao excesso de terra no imóvel, o que dificultou o resgate. Na casa ainda estavam a mãe de Larice e outros dois filhos, de 4 e 7 anos, que conseguiram escapar porque estavam na parte da frente do imóvel. Na residência ao lado, o único cômodo que não foi atingido pela terra abrigava o morador Vilmar de Oliveira. "Meu prejuízo foi grande, mas foi Deus quem tirou minha esposa daqui para uma viagem e nada de grave aconteceu", contou. As pessoas desabrigadas estão em casa de parentes.

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