
Jonathan Loures Rodrigues, 19 anos, morreu nas dependências do Exército, no Barbosa Lage
Uma tragédia ocorrida, no início da manhã desta sexta-feira (18), nas dependências do Exército, tirou a vida do recruta Jonathan Loures Rodrigues. Às vésperas de completar 20 anos de idade, ele foi atingido com um tiro de fuzil na cabeça, enquanto encerrava o turno de sentinela, no qual ficava responsável pela vigilância da área. O serviço era realizado em dupla, e o recruta de 19 anos que estava com ele e portava a arma de onde partiu o tiro foi preso. A ocorrência foi registrada nas dependências do 4º Depósito de Suprimentos (4º D Sup), que fica na Estrada Ribeirão das Rosas, no Bairro Barbosa Lage, Zona Norte da cidade. Uma viatura do Corpo de Bombeiros foi acionada, mas o jovem não resistiu, falecendo no local. Já o militar que teria disparado contra o colega ficou em estado de choque, recebendo atendimento médico. Os dois eram apontados como amigos, e a primeira versão para o caso é que o disparo teria sido acidental, embora outras versões para o episódio estejam sendo investigadas.
Apesar de o tiro ter sido ouvido no depósito por volta das 6h30, o corpo de Jonathan chegou ao Instituto Médico Legal (IML) somente às 13h30, após a perícia da Polícia Civil deixar o 4º D Sup, onde esteve para recolher material. Às 16h, depois que a mãe da vítima esteve no IML para reconhecimento, foi iniciado o exame de necropsia. O trabalho dos peritos e do médico legista vai ajudar no esclarecimento das causas do incidente. Um Inquérito Policial Militar (IPM) também foi instaurado para levantar o que aconteceu no momento do disparo, uma vez que ninguém teria testemunhado o fato. O prazo para conclusão dos levantamentos é de até 40 dias.
De acordo com chefe do 4º Depósito de Suprimentos, o comandante Sylvio Pessoa da Silva, as duas famílias envolvidas na tragédia estão recebendo todo o apoio do Exército. Apesar de os dois jovens integrarem os quadros da corporação há apenas cinco meses – ambos são da turma de 1º de agosto de 2012 -, o tenente-coronel Pessoa informou que eles estavam habilitados para o manuseio do equipamento e que passaram pelo programa padrão de preparação do soldado realizado durante o período de inserção na vida militar. "Infelizmente a gente está lidando com uma dor. O ideal é que isso não tivesse acontecido. As falhas podem ser pessoais, de procedimento ou falha técnica. Mas só ao término da apuração é que isso ficará esclarecido. Essa é uma situação extremamente difícil para qualquer pessoa e também para nós que convivemos com esses rapazes respeitando a peculiaridade de cada um, o credo e a origem social. Nós os preparamos para a vida militar e civil e temos a preocupação de que a integridade física e moral de cada um seja mantida", afirmou o tenente-coronel. Segundo Pessoa, o autor do disparo ficará à disposição da Justiça Militar. Caberá à Defensoria Pública Militar decidir se entrará com pedido de soltura.
Muito abalada, a mãe de Jonathan não falou com a imprensa. Ela foi levada ao IML em carro oficial do Exército e estava amparada por militares no instante em que foi reconhecer o corpo do filho. A página de Jonathan no facebook continua ativa e registra a existência de 417 amigos. Ainda ontem, várias mensagens sobre o falecimento do jovem foram postadas na internet. Já a página do recruta preso foi retirada do ar no final da tarde de ontem. Nela, ele aparecia fardado ao lado de vários colegas do quartel. Jonathan e o autor do disparo também eram amigos na rede social. O enterro do jovem acontecerá hoje, às 14h, no Cemitério Municipal.

