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Expectativa em torno da maior promessa na saúde

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Os blocos já erguidos no terreno de 25 mil metros quadrados do Bairro São Dimas, Zona Norte, onde funcionará o Hospital Regional de Urgência e Emergência são a prova, para muitos juiz-foranos, de que uma das grandes expectativas da população local e de outros 95 municípios da região está perto de ser concretizada. Com 70% das obras estruturais concluídas, a unidade que servirá de referência para 1,6 milhão de habitantes deve ficar pronta em julho e começar os primeiros atendimentos dois meses depois. Nos próximos dez dias, o primeiro lote de equipamentos – com custo estimado em R$ 30 milhões – será licitado, segundo o prefeito Custódio Mattos. Outros R$ 32 milhões serão investidos também na aparelhagem da unidade, em uma segunda etapa do processo.

Com a capacidade para a realização de cirurgias triplicada e o número de leitos expandido em mais de 73%, a rede pública de saúde promete oferecer assistência hospitalar de altíssima qualidade e minimizar, pelo menos na atenção terciária, o problema que mais incomoda e prejudica os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS): a demora no atendimento. Porém, para a titular da Ouvidoria Municipal de Saúde, Edna Aparecida Rodrigues, o novo equipamento permitirá que o sistema respire melhor, mas não o suficiente caso não haja investimentos em outros setores. Hoje a rede está saturada, e essa ampliação é urgente, mas espero que a atenção primária também receba cuidados em 2012, pois nenhum sistema dá conta de atender a um número elevado de emergências.

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Orçado em R$ 42 milhões, o Hospital Regional consumirá até R$ 7 milhões mensais para sua manutenção após começar a funcionar como núcleo central da rede de atenção à saúde. Serão 250 leitos – cem a mais que o Hospital de Pronto Socorro (HPS) tem hoje -, sendo 40 de unidades de tratamento intensivo (UTIs). Além de dar suporte a todo o sistema de urgência e emergência, com vagas para internação intensiva, semi-intensiva e geral, realizará exames por imagens e gráficos e terá nove salas de cirurgia. Vai ser uma unidade altamente sofisticada em termos de capacidade de atendimento. Nenhum hospital particular manterá urgência e emergência tão complexa. Só o Poder Público pode fazer isso, porque é caríssimo, afirma Custódio Mattos.

De acordo com o prefeito, parte dos equipamentos do HPS será transferida para a nova unidade – como leitos trocados recentemente e aparelhos da sala de urgência montada há cerca de dois meses -, mas entre 90% e 95% da aparelhagem serão novos. Segundo a titular da Secretaria de Saúde, Maria Helena Leal Castro, o período estimado em dois meses entre a conclusão das obras e o início das atividades no novo hospital é justamente para a instalação e teste de todo o material. Não é como uma casa, onde se coloca os móveis e pronto. É um hospital muito complexo, então, antes de levarmos as pessoas para lá, precisamos conferir tudo exaustivamente, porque com saúde não se pode correr riscos, explica a secretária, lembrando que nem todos os setores da unidade começarão a operar juntos.

Espera reduzida

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A expectativa de Maria Helena é que, com a ampliação do número de leitos e da capacidade de atendimento e realização de cirurgias, haja mais agilidade na assistência à população, reduzindo o tempo de espera que aflige os usuários da rede pública em todos os níveis de atenção. O problema do SUS é a dificuldade para ser atendido, tem que esperar muito tempo. Quem está em situação difícil acaba morrendo, reclama o aposentado Maury Barreto, 74 anos. O maior obstáculo é a demora, as filas de espera para marcar uma consulta e conseguir um exame. Tem que agilizar o atendimento de quem precisa, reforça a comerciária Januza Mendes, 22.

Para o secretário executivo do Conselho Municipal de Saúde, Jorge Ramos, a demora será amenizada apenas para quem precisa de internações gerais ou vagas em UTI, já que a cidade terá número de leitos satisfatório. Não acredito que o Hospital Regional esteja funcionando ainda em 2012, pois ninguém consegue fazer com que um equipamento esteja em plena atividade assim que acaba de construí-lo. Mas, quando estiver operando em sua plenitude, a unidade trará uma significativa mudança para o quadro atual da saúde na região. Ramos espera, ainda, vê-lo funcionando, futuramente, como hospital geral, sendo capaz de atender e realizar procedimentos que hoje são oferecidos por meio de contratualizações.

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UPA Norte reforça rede de urgência

Até julho, outra importante obra para a rede de urgência e emergência do município também estará finalizada. Orçada em R$ 4 milhões, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Norte, em construção em terreno de quase quatro mil metros quadrados na Avenida JK, Benfica, será referência para uma população de mais 200 mil pessoas. O prédio de dois mil metros quadrados atenderá a até 450 pacientes por dia. Nós teremos três UPAs prontas e vamos adaptar a Regional Leste. Teremos quatro serviços 24 horas e um hospital de altíssima qualidade na retaguarda. Eu acho que poucas cidades do Brasil terão sistema de atendimento de urgência como o nosso, destaca o prefeito Custódio Mattos.

O secretário executivo do Conselho Municipal de Saúde, Jorge Ramos, comemora as melhorias na infraestrutura da atenção terciária, mas lembra que é necessário investir também em recursos humanos, principalmente nas equipes da assistência básica. Hoje ainda existe dificuldade de reposição de quadro, principalmente na atenção primária, o que tem reflexo direto na urgência e emergência, que acaba sobrecarregada. Quando se deixa de realizar a prevenção e promoção da saúde na integralidade e a assistência deixa de ser feita enquanto cuidado, os desdobramentos recaem na urgência.

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Priorizar a prevenção

Para a ouvidora de Saúde, Edna Aparecida Rodrigues, o foco na atenção primária depende não só de investimentos, mas, também, de uma mudança cultural. Tanto o gestor, de forma coletiva, quanto o cidadão, individualmente, necessita priorizar a prevenção, para que aquele que precisa efetivamente da assistência urgente possa ser atendido com mais eficiência. Não podemos mais esperar adoecer para buscar socorro na rede, mas promover o cuidado com a própria saúde.

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Maria Helena Leal destaca que unidades de atenção primária à saúde (Uaps) estão passando por reestruturação, a fim de oferecer melhores condições de atendimento, e que há esforço no sentido de complementar as equipes do Estratégia de Saúde da Família (ESF). A minha expectativa era de que, até o final de 2011, tivéssemos com o quadro completo, mas isso não foi possível devido a questões burocráticas. Acredito que, dentro de um mês, teremos todas as equipes completas, o que é fundamental para a rede como um todo. Com a atenção básica funcionando direito, damos um salto importante em relação à qualidade de atendimento nas atenções secundária e hospitalar. A secretária cita, ainda, a implantação do modelo informatizado Siga Saúde, que deve estar instalado em todas as Uaps até maio. Com o sistema, será possível marcar consultas para os dias seguintes, sem necessidade da formação de filas durante a madrugada para garantir a avaliação do médico no mesmo dia.

Sem recursos para clínicas especializadas

A falta de profissionais e a greve dos médicos fez com que a fila de espera por atendimento no Departamento de Clínicas Especializadas do SUS ultrapassasse a marca de 30 mil usuários em 2011. Foi um ano muito difícil. A população sofreu com a falta de assistência especializada, e percebemos que a rede teve muitas dificuldades em responder com eficiência às necessidades dos pacientes, comenta a ouvidora municipal de Saúde, Edna Aparecida Rodrigues. A Administração Municipal admite que o setor opera com deficiências, mas alega que não será possível investir em melhorias definitivas em 2012.

Se eu tivesse mais um ano de mandato, investiria pesadamente na atenção secundária, com exames de apoio e consultas especializadas, onde existe o problema grave da falta de médicos em algumas especialidades, mas também são necessários melhorias em infraestrutura e logística. Porém, não vai haver tempo nem dinheiro para atacar essa questão, reconhece o prefeito Custódio Mattos. Como medida mais urgente, a secretária de Saúde afirma que a pasta prepara, ainda para o início deste ano, uma espécie de mutirão, em parceria com prestadores públicos, para diluir a demanda reprimida ao longo de 2011.

A atenção secundária vem sendo estrangulada ao longo dos anos, e há usuários tendo seu quadro agravado por demora ou falta de avaliação especializada. O que era simples há seis meses, hoje já é crônico ou urgente. Do nível primário ao hospitalar, a assistência precisa ser colocada no mesmo patamar de responsabilidade, porque o paciente necessita da mesma eficiência em todo tipo de atendimento, defende Edna Aparecida.

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