
RUA FRANCISCO Cerqueira Cruzeiro, no Bairro Santo Antônio, foi uma das afetadas pelas crateras nos últimos dias. Local, próximo a uma urva, foi sinalizado com cavalete e galho MARCELO RIBEIRO/17-11-2016
A relação de grande volume de chuvas com muitos buracos nas ruas de Juiz de Fora já é conhecida. Desta vez, o problema ficou mais evidente em um espaço de tempo menor, por causa das fortes precipitações que atingem o município há pelo menos uma semana. Para se ter ideia, a concentração de chuvas em novembro já supera em quase 90% a média histórica do mês, que é de 191 milímetros. Até o fim da tarde de ontem, eram 356 milímetros, sendo 285 contabilizados apenas em uma semana. Além dos buracos, outro problema tem chamado a atenção, que são os pontos de alagamentos em grandes corredores de tráfego. No início da manhã e no fim da tarde de ontem, por exemplo, vias movimentadas ficaram inundadas na região central.
A Tribuna percorreu todas as regiões da cidade ontem e identificou diversos pontos onde os buracos colocam a mobilidade de pedestres e carros em risco. Confira o mapa interativo aqui. Na Rua Doutor Luiz Antônio Vieira Pena, no São Mateus, Zona Sul, a erosão se destaca, assim como na interseção das ruas Barão de São Marcelino e Morais e Castro, no Alto dos Passos, também na região Sul. Na Sudeste, o perigo está na Rua Luiz Fellet, Bairro Santo Antônio, enquanto o risco é flagrante, na Zona Leste, na parte alta da Avenida Governador Valadares, onde uma sequência de buracos profundos, no meio da rua, pode ser observada. A atenção deve ser redobrada, ainda, para condutores que passam pela Avenida Juiz de Fora, altura do Grama, logo na entrada da cidade.
Leitores também flagraram situações inusitadas, como um buraco sinalizado com bonecos do Papai Noel e do jogo Minicraft, na Rua José Vicente, Bairro Santa Rita, Zona Leste. Na Rua Doutor Campos Lima, no Dom Bosco, Cidade Alta, os moradores colocaram um colchão para sinalizar a falha. Conforme a Secretaria de Obras, todos os problemas relatados são de conhecimento da pasta e as recuperações estão em andamento ou iniciarão nos próximos dias. Algumas seriam concluídas ainda durante o dia de ontem, enquanto que em outras é preciso que o tempo fique estável para promover as correções.
Malha antiga
Conforme o diretor-técnico da Empav, Renê Vieira Filho, são várias as explicações para os buracos que surgiram no asfalto, sendo a principal a vida do pavimento, que pode superar os 40 anos. “Em vários bairros, o asfalto foi colocado em cima do calçamento, de forma deficiente. O problema é que o Município não tem as mesmas condições de uma concessionária de rodovia para promover estas melhorias. Temos uma estimativa hoje de aproximadamente R$ 700 milhões para recuperar o asfalto em toda a cidade, montante inviável para os cofres públicos.”
Segundo ele, o asfalto é como um azulejo que, se colocado em uma base inadequada, se quebra. “À medida que o asfalto vai envelhecendo, começa a infiltrar água que, em contato com o oxigênio, torna o material mais duro. Desta forma, causa as trincas e as fissuras.”
Ruas ficam alagadas
Ruas inteiras ficaram alagadas ontem durante as fortes chuvas. Em corredores de tráfego, os transtornos foram observados em avenidas de grande circulação, como Andradas, JK e alguns pontos da Rio Branco. Na Rua Santo Antônio, as inundações atingiram as interseções com as ruas Paula Lima, São Sebastião e Benjamin Constant. Também foram registrados alagamentos nas ruas Sampaio, no Bairro Granbery, região central, e na Odilon Braga, no Linhares, Zona Leste.
Segundo o chefe do Departamento de Operação e Manutenção da Secretaria de Obras, Domingos Gouvêa, a grande concentração de chuvas em curto período é um dos motivos para os alagamentos, mas não pode ser considerado o único. “Temos uma rede de captação que é muito antiga, principalmente na região central da cidade, que foi dimensionada para a realidade da década de 50 do século passado. A cidade evoluiu e cresceu, a impermeabilização aumentou e a rede é praticamente a mesma. Substituir estas tubulações é caro e difícil em termos de logísticas, pois é preciso fechar ruas e avenidas inteiras”, informou, dizendo que, nos R$ 700 milhões estimados pela Empav, para recuperação da malha viária, estão incluídas as substituições da rede. Salientou, também, que a ação do homem, que joga lixo e sedimentos nas bocas de lobo, contribui para os alagamentos.
Outros transtornos
De acordo com a Cemig, na manhã de ontem, 883 clientes ficaram sem energia elétrica, sendo 800 no Teixeiras, 68 no Novo Horizonte e 25 no condomínio Alphaville. Neste último, o restabelecimento se deu no início da tarde, enquanto que, nos outros dois, ainda, no período da manhã.
