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Cidade Alta cresce e sofre com sensação de insegurança

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Com cerca de 50 bairros, a Cidade Alta é a região de Juiz de Fora que apresenta maior crescimento populacional, na comparação com as demais regiões da cidade. A construção de condomínios e moradias populares, a implantação de equipamentos urbanos e a expansão comercial trouxeram a reboque uma série de problemas. Uma das principais queixas de moradores e empreendedores da Zona Oeste refere-se à segurança. Casos graves de agressão, homicídio, briga e disparo de armas de fogo causam apreensão entre os residentes e os frequentadores da área, que concentra grande número de bares, restaurantes e casas noturnas. A pesquisadora da UFJF Watuse Miriam de Jesus Geraldo concluiu recentemente um trabalho no qual avalia o crescimento da área ao longo dos últimos dez anos. Segundo o estudo, em alguns pontos da Cidade Alta, a população chegou a dobrar entre 1996 e 2000. Segundo ela, a média de crescimento registrada no período foi de 20%, mas a implantação de serviços públicos, como estruturas de lazer, saúde, educação e segurança, não acompanhou essa explosão.

Conforme a pesquisa "Novas dinâmicas socioespaciais na Cidade Alta de Juiz de Fora", o crescimento urbano da região é caracterizado por paisagens formadas por grandes disparidades socioeconômicas e segregação socioespacial. "A violência não foi um ponto específico analisado neste trabalho, mas é óbvio que o crescimento desordenado e de forma desigual pode contribuir para o seu aumento. Muitos moradores consultados durante a pesquisa pontuavam essa questão da segurança como uma preocupação. De forma geral, os serviços são escassos e a estrutura urbana não acompanhou o crescimento. Por exemplo, apenas um posto policial atende a toda a região", observa Watuse, que é geógrafa. O estudo destaca que, na área, há apenas duas creches públicas e poucas opções gratuitas de lazer, em contrapartida à ampliação de espaços privados de diversão.

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Já o assessor de comunicação organizacional do 27º Batalhão da PM, capitão Paulo Alex Moreira, garante que a corporação está atenta ao crescimento da Cidade Alta. Ele afirma que a 99ª Companhia, responsável pelo policiamento local, não apresenta déficit de efetivo ou de equipamentos. Ele destaca ainda que, nos últimos três anos, foram realizadas em média 30% mais operações policiais na região.

Jovem seria mentor de crimes

Desde maio deste ano, a comunidade da Cidade Alta vem reivindicando maior atenção da polícia, sobretudo quanto aos sucessivos furtos ocorridos em estabelecimentos comerciais. A PM, por sua vez, diz que já identificou o suspeito da maioria dos casos, e que ele já teria sido preso três vezes somente neste ano – por furto, tentativa de furto e porte de arma de fogo -, mas foi colocado em liberdade. A polícia atribui ao jovem de 25 anos os principais casos registrados no último mês de outubro, inclusive uma tentativa de furto na madrugada do dia 24, em um condomínio residencial, quando houve troca de tiros e perseguição pelos quintais de imóveis. "Quando se tem uma situação assim, apenas um crime já é suficiente para instalar a sensação de insegurança. Tudo aponta para que ele seja uma espécie de mentor do crime naquela região, sobretudo nos arrombamentos a comércios. Quando ficou preso, a área estava tranquila. Ele é uma peça fundamental para extirpar a sensação de insegurança. Mais cedo ou mais tarde será preso", afirma capitão Paulo Alex. Ao mesmo suspeito é atribuída uma onda de furtos e arrombamentos registrada em agosto passado, quando seis estabelecimentos foram invadidos no intervalo de uma semana.

Conforme Paulo Alex, além de reforçar as operações, a PM tem apostado em ações preventivas e no contato direto com a população. "No meio deste ano, distribuímos um questionário para moradores e comerciantes, com o objetivo de conhecer seus anseios a respeito da segurança. Os dados deste questionário foram tabulados e, com isso, chegamos a informações precisas sobre a frequência das ocorrências, local e horário, para podermos direcionar o policiamento." Além disso, o reforço no policiamento vem com o empenho das chamadas "patrulhas de prevenção ativa", que conta com duas viaturas específicas, além da implementação das redes de condomínios protegidos, por meio da vigilância mútua dos vizinhos. Eles ficam encarregados de acionar o 190 em caso de situações suspeitas.

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Avenida Costa e Silva é ponto mais sensível

O crescimento populacional da Cidade Alta vem sendo impulsionado tanto pela instalação de condomínios de classe média alta e moradias populares, quanto pela proximidade com a BR-040. A região tem apresentado também significativo incremento do comércio, cada vez mais variado. A região conta hoje com dois hipermercados, lojas de roupas e de equipamentos de informática, imobiliárias, revendas de automóveis, casas lotéricas, que muitas vezes substituem serviços bancários, além de um grande número de bares, restaurantes e casas noturnas, concentradas sobretudo na Avenida Presidente Costa e Silva. Segundo a pesquisadora Watuse Geraldo, esse dinamismo comercial redefine o fluxo de pessoas, a função de áreas e até mesmo o mercado imobiliário. Ela afirma que estão em construção 3.427 unidades habitacionais, sendo 1.847 moradias destinadas a famílias com renda até três salários mínimos. Do total 2.632 unidades habitacionais devem ser entregues ainda neste ano.

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Segundo a PM, a Avenida Presidente Costa e Silva é realmente o ponto mais sensível quanto à ocorrência de crimes contra o patrimônio por causa da concentração de estabelecimentos comerciais. Entretanto, a região do entorno das casas noturnas também preocupa moradores e frequentadores devido à ocorrência de casos graves de agressão e até mesmo envolvendo armas. Em outubro, um jovem de 21 anos foi baleado durante uma briga em frente a um desses estabelecimentos, no Bairro Aeroporto. O suspeito de atirar foi identificado. A vítima foi atingida na região glútea por dois tiros quando já estava dentro de um carro para deixar o local. Cerca de um mês antes, outra pessoa havia sido baleada na porta de uma boate na mesma região e, no começo de setembro, um jovem de 24 anos foi espancado no interior de uma boate.

Dois assassinatos também foram registrados na Cidade Alta entre setembro e outubro deste ano. Apesar do registro de ocorrências consideradas graves, Paulo Alex garante que o balanço é positivo, pois houve recuo de quase 5% no número de crimes deste tipo na comparação entre janeiro e outubro de 2010 e de 2011.

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