
Fato mobilizou 16 homens do Corpo de Bombeiros
Um vazamento de amônia no Matadouro Municipal, no Bairro Vila Ideal, região Sudeste, no início da tarde de ontem, provocou a evacuação imediata do prédio onde trabalhavam cerca de 200 funcionários. O forte cheiro do produto causou náuseas e tonturas em alguns trabalhadores. Um deles apresentou quadro de dificuldade respiratória, foi socorrido por companheiros e precisou ser encaminhado pelo Samu ao Hospital de Pronto Socorro (HPS). Ele permanecia internado na unidade até o fechamento desta edição, mas seu estado era considerado estável. Tivemos que parar o serviço, e muita gente passou mal. Na hora que começou, sentimos um cheiro muito forte, que depois foi passando, relata um empregado do estabelecimento, que preferiu não ser identificado. Moradores do entorno também foram afetados com o incidente. Alguns deixaram suas residências e aguardaram em áreas abertas até que o cheiro se dissipasse. Uma mulher sentiu mal-estar e foi atendida no local.
Além de equipes do Samu e da Polícia Militar, a ocorrência mobilizou seis viaturas e 16 homens do Corpo de Bombeiros. De acordo com parecer preliminar da corporação, o acidente teria sido provocado por um rompimento na junta do compressor do sistema de refrigeração, que é composto por cilindros que armazenam a amônia. A primeira coisa a se fazer quando há um problema como este é evitar locais sem circulação, porque o odor é muito intenso e desconfortável, explica a professora de toxicologia da Faculdade de Farmácia e Bioquímica da UFJF, Rita Padula. Mesmo não havendo perigo, é melhor esperar em um lugar mais arejado, porque o cheiro incomoda, disse uma caixa operadora, moradora do entorno. Durante a ação, os policiais tranquilizaram alunos e funcionários de uma escola municipal próxima ao matadouro, onde também era possível sentir o odor. Segundo a direção da instituição de ensino, os pais foram orientados a evitar passar pelo local na hora de buscar as crianças. Não foi necessário alterar o funcionamento do colégio.
Isolamento
O diretor do matadouro, Marcelo Detoni, informou que o sistema de refrigeração funciona com cerca de cinco mil quilos de amônia, dos quais cem teriam escapado no acidente. Ele informa que a primeira medida tomada pelos bombeiros foi o esvaziamento da tubulação danificada, para evitar que o escapamento continuasse. Conseguimos contornar o problema e garantir a segurança rapidamente. Tanto que, de mais de 200 funcionários, apenas um apresentou reação ao produto. Por precaução, resolvemos suspender as atividades e liberar todos até que um laudo técnico seja emitido por um perito. Segundo Detoni, o sistema está sendo reformado para ampliar a capacidade de refrigeração. Mas o trabalho está sendo feito dentro dos padrões de segurança necessários, com todas as certificações, garantiu. O parecer técnico é aguardado para a manhã de hoje.
Exposição prolongada é perigosa
Conforme a professora de toxicologia da Faculdade de Farmácia e Bioquímica da UFJF, Rita Padula, a exposição a altas concentrações de amônia pode causar irritação do tecido pulmonar em diversos níveis. Mas isso só acontece em concentrações altíssimas e exposição contínua ao gás, o que não foi o caso do acidente de hoje (ontem). O composto também pode provocar queimaduras na pele, mas apenas a partir do contato direto com sua forma líquida.
A especialista esclarece, ainda, que pacientes com doenças respiratórias, como asma, bronquite ou alergia são mais suscetíveis aos efeitos da exposição ao gás. Elas já têm o sistema respiratório vulnerável, por isso, são afetadas mais facilmente, mas não há risco de complicação caso sejam atendidas imediatamente, informa.
Todos os procedimentos que devem ser feitos em acidentes como este foram realizados: conter o vazamento, isolar a área e evitar ambientes fechados. O cheiro da amônia realmente incomoda muito, mas, como o volume que escapou foi pequeno, danos maiores estão descartados. O próprio vento dá conta de dispersar o que vazou. Ela ressalta, ainda, que não haveria possibilidade de explosão. Isso só aconteceria se o produto estivesse próximo a um reagente, como algum tipo de ácido, o que não aconteceria em um matadouro.

