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Após enchentes, obras de drenagem começam no Bairro Industrial

bairro industrial felipe couri
Obras no Córrego Humaitá entraram na fase de intervenções estruturais no Bairro Industrial (Foto: Felipe Couri)
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Quase três anos após serem apresentadas pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) ao Novo PAC, as obras de drenagem e esgotamento sanitário do Bairro Industrial, na Zona Norte, entraram na fase de intervenções estruturais na última quarta-feira (16). O projeto, anunciado ainda em novembro de 2023 e contemplado com recursos federais em 2024, já vinha sendo preparado desde o primeiro semestre deste ano, com serviços como limpeza do Córrego Humaitá, levantamentos técnicos e vistorias em imóveis da região.

A nova etapa ocorre meses depois das fortes chuvas de fevereiro, que provocaram enchentes no bairro e marcaram Juiz de Fora pela tragédia causada pelos temporais. As obras, no entanto, não foram planejadas como resposta aos episódios deste ano: já estavam previstas anteriormente dentro do Novo PAC. As chuvas acabaram reforçando a relevância das intervenções em uma área historicamente afetada por problemas de drenagem.

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Nesta primeira fase de execução estrutural, a margem direita da Avenida Lúcio Bittencourt, no sentido Bairro Industrial–Rio Paraibuna, foi interditada para o trânsito de veículos entre as ruas Euchério Rodrigues e Avelino Milagres. Durante as obras, o trecho poderá ser utilizado apenas por pedestres. Agentes da Secretaria de Mobilidade Urbana (SMU) instalaram sinalização no local, e a Prefeitura orienta motoristas e moradores a ficarem atentos às mudanças no trânsito.

Em situações específicas de necessidade de mobilidade, a população pode entrar em contato pelo WhatsApp exclusivo das obras: (32) 3690-7569.

Primeira etapa deve durar seis meses

Um dia após o início dessa nova etapa, a Tribuna esteve no Bairro Industrial, na quinta-feira (17), para acompanhar os trabalhos. A reportagem ouviu integrantes da equipe responsável pela execução da obra e moradores da região sobre as intervenções e as expectativas em relação ao projeto.

Segundo trabalhadores que atuavam no local, os primeiros serviços incluem a retirada do asfalto e de parte das muretas existentes ao longo do Córrego Humaitá, necessária para permitir o acesso à estrutura interna do canal. A previsão informada à reportagem é de que essa etapa dure cerca de seis meses.

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Durante a visita, a Tribuna também encontrou profissionais do programa Emcasa, da Prefeitura, percorrendo imóveis da região para informar os moradores sobre o andamento das obras e levantar demandas da população. Conforme relatado à reportagem, o trabalho deve alcançar cerca de 600 imóveis, e as informações coletadas serão posteriormente encaminhadas à Prefeitura.

Além da reestruturação da calha do Córrego Humaitá, essa fase prevê a construção de uma mureta de contenção. Um trecho do córrego está atualmente sem a proteção, situação que se agravou com as chuvas e tem provocado insegurança entre moradores. O sistema de drenagem de águas pluviais também será remodelado, com direcionamento da água para um reservatório temporário. O conjunto das intervenções tem como objetivo reduzir os alagamentos e as inundações que atingem o bairro.

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De acordo com o subsecretário de Gestão de Obras Públicas, Leonardo Leon, a intervenção na calha é uma das etapas consideradas fundamentais para reduzir o risco de transbordamento do córrego. “Com ela, a gente busca manter toda a água do córrego dentro da sua calha, evitando o seu transbordamento. É uma das etapas mais importantes do projeto, que serão iniciadas para ter o primeiro impacto no bairro com a decorrência das chuvas”, afirmou.

 

Mureta de proteção caiu com as chuvas de fevereiro (Foto: Felipe Couri)

 

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Obras da primeira fase acontecem na margem direita do córrego Humaitá (Foto: Felipe Couri)

Após décadas de espera, moradores acompanham início das obras

Moradores que vivem há décadas no Bairro Industrial acompanham o início das obras com a expectativa de que os alagamentos deixem de fazer parte da rotina da região. É o caso de Ivair Rezende, 70 anos, e Luis Fernando Bastos, 58, que moram há cerca de 35 anos na Rua Avelino Milagres, uma das vias próximas à Avenida Lúcio Bittencourt. 

Para eles, a enchente de fevereiro foi a mais grave já registrada no período em que vivem na região. Ivair conta que a água chegou a quase dois metros em alguns pontos e entrou nas casas. Segundo os moradores, aproximadamente 90% do bairro teria sido afetado. “Eu nunca vi uma água chegar a quase dois metros de altura. Ultrapassou a mureta do córrego”, relembra Ivair.

Na casa do morador a água chegou a um nível próximo à laje. Para evitar deixar o imóvel, eles subiram para o terraço enquanto aguardavam a água baixar. Móveis e eletrodomésticos foram danificados. A esposa de Luis Fernando trabalha com costura e perdeu duas máquinas. “As máquinas ficaram destruídas, depois que bate água no motor, não tem o que fazer”, conta Ivair. Segundo ele, a esposa ainda trabalha para conseguir comprar os equipamentos que perdeu. 

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Apesar dos prejuízos, os moradores afirmam que receberam auxílio e também destacam a mobilização de pessoas que ajudaram as famílias atingidas após a enchente.

Os problemas com alagamentos, porém, são anteriores ao episódio deste ano. Ivair e Luis Fernando lembram de 2004 como outro período marcado por uma enchente de grandes proporções, embora considerem que a de fevereiro tenha sido ainda mais severa.

“Tem muito tempo que essa obra já é falada. Eles nunca pegaram firme, como têm que pegar. Então agora a gente espera que saia mesmo, que realmente aconteça”, afirma Luis Fernando. Para ele, o início dos trabalhos traz a expectativa de que o bairro fique mais seguro durante os períodos de chuva. “Toda vez que chove, fica com medo”, resume. 

A mesma expectativa é compartilhada por Maria Albina de Souza, 81 anos, que mora no fim da Avenida Lúcio Bittencourt e vive na região desde os 25 anos. Segundo ela, a enchente de fevereiro foi diferente de tudo o que já havia presenciado. A água chegou aos joelhos e invadiu a varanda e o corredor da casa. A moradora também chama atenção para o descarte irregular de lixo e defende ações de conscientização. “Tem muitos anos que a gente espera por essa obra. A cada chuva a gente fica com medo”, relata.

Moradora de uma casa próxima à ponte, Onísia Maria dos Santos, 72 anos, também guarda as marcas da enchente. Ela vive no segundo andar justamente para reduzir o risco de perdas materiais, mas, em fevereiro, viu a água subir até a metade da escada. Onísia conta que ficou ilhada por dias e precisou da ajuda de moradores, que chegaram a utilizar botes durante a inundação. Com o início das intervenções, espera que o problema seja reduzido e que a situação vivida em fevereiro não se repita.

 

Projeto tem como objetivo evitar que alamentos históricos da região voltem a acontecer (Foto: Felipe Couri)

 

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