Mudar o cenário de brigas, casos de furtos e de consumo de drogas, na Praça do Riachuelo, na região central, é o objetivo de propostas para a revitalização do espaço público, apresentadas, na tarde desta terça-feira (18), durante reunião no Gabinete do prefeito Antônio Almas (PSDB), que contou com a participação de representantes de setores da Prefeitura, do condomínio do Santa Cruz Shopping e da Polícia Militar. Assessor da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo (Sedettur), Marcos Miranda, apresentou projeto de proposta de qualificação de ocupação da praça. A ideia é que a área seja palco de uma grande feira, com diversos atrativos: feira de antiguidades, espaço para alimentação com food trucks e beer trucks, exposição de carros antigos, cozinha show, artesanato, exposição de produtos de agricultura familiar, agroecológicos, orgânicos, lácteos, doces, cachaça e café, comércio de vinil e apresentação cultural com artistas locais.
“A ideia é requalificar o espaço, para que ali seja uma extensão do shopping ou a porta de entrada dele. A pessoa tem que ter o sentimento de pertencimento da praça. A má ocupação só pode ser substituída pela boa ocupação e não tem outro caminho”, ressaltou Marcos Miranda, acrescentando que essa iniciativa deve ser permanente. “A ressignificação dos espaços públicos é um conceito que temos que ter presente nesse projeto, para a população sentir o pertencimento e voltar a gostar daquele local”, considerou, lembrando que o chafariz da praça foi construído pela cervejaria de José Weiss e que seria possível o Poder Público idealizar um chamamento público para que uma nova cervejaria pudesse adotá-lo. A proposta apresentada pelo Sedettur não estabeleceu a periodicidade dessa feira, o que deverá ser definido caso o projeto avance.
No que coube à Settra, o gerente de projetos, Marcelo Valente, apresentou proposta para melhoramento do trânsito na Rua Jarbas de Lery Santos, em frente à praça. “A proposta é fazer uma baia para o transporte coletivo público na via, eliminando o estacionamento de veículos na área azul no lado da rua na calçada do shopping. Assim, o projeto é deixar duas faixas livres, fazendo a baia usando uma parte da pista e entrando pouco na área da praça”, explicou Marcelo, ressaltando que o orçamento para essa intervenção irá girar em torno R$ 90 mil. “A ideia é trazer a iniciativa privada. É um proposta de longo prazo e que deverá ser detalha nas próximas reuniões da comissão”, asseverou o representante da Settra.
Por parte da Secretaria de Saúde, veio a sugestão de estabelecer na Praça do Riachuelo diversas ações voltadas à saúde da população de enfrentamento às doenças crônicas não transmissíveis, aferição de pressão arterial, orientação de saúde bucal, orientação de nutricionistas para alimentação saudável, fisioterapia, informações sobre DSTs. “Quem passar por essas ações poderá ser encaminhado para as unidades básicas de saúde de referência. Todas essas ações poderão ser articuladas e discutidas. Outros tipos de serviço podem ser definidos para serem levados ao logradouro”, afirmou o assessor da Secretária de Saúde, José Márcio.
Antônio Almas destacou que esse programa de ações servirá de piloto para implementação em outras praças. “Precisamos fazer da ideia uma experiência para que possamos, de alguma forma, ocupar as 168 praças de Juiz de Fora, para dar melhor qualidade de ocupação e permitir que as pessoas tenham o prazer de frequentar esses locais”, disse Almas, destacando que a Prefeitura enfrenta uma crise financeira e precisa de parcerias com a iniciativa privada para alavancar as propostas. “Aquilo que já temos para oferecer como ações que possam ser feitas na praça serão articuladas, como ações de saúde, garantindo o sentimento de pertencimento. Então, é importante que empresários da região, donos dos estabelecimentos comerciais nos entornos nos ajudem.” O prefeito também ressaltou que, para haver o sentimento de pertencimento, primeiro é necessário garantir o nome da praça. “Ora é chamada de Riachuelo, ora dos Três Poderes. Para mim, ela é praça do jardim da infância. Então, é preciso ter essa definição para que haja o pertencimento”, considerou Almas, garantindo que será feito um trabalho para a definição do nome do local.
Abordagens de moradores em situação de rua
Sobre a questão dos moradores em situação de rua, que se concentram no logradouro, Almas afirmou que a Secretaria de Desenvolvimento Social tem feito ações periódicas. “Esse trabalho é para acolher o cidadão de rua e tentar levá-lo a uma maior de dignidade. Mas temos que entender que há o direito de ir e vir de cada cidadão e que deve ser garantido. Dentro desse aspecto, qualquer cidadão pode ocupar a praça, o que não podemos permitir são ações não ordeiras ocorram naquele espaço. Temos que garantir que ali não se misture criminalidade com cidadãos em situação de rua, que desejam estar ali, mas não querem partilhar dessa situação de criminalidade.”
Além das propostas, que deverão voltar à pauta em nova reunião, no próximo mês, o encontro serviu de balanço das intervenções que vêm sendo realizadas na Praça do Riachuelo. De acordo com o secretário de Governo, José Sóter de Figueirôa, a Prefeitura recebeu correspondência por parte da administração do shopping, reivindicando solução para os problemas na região. A partir desse contato, foram realizadas reuniões com os atores envolvidos. Em fevereiro deste ano, foi constituído um grupo de trabalho para estabelecimento de um plano de ação. A reunião realizada nesta terça-feira (18) foi o terceiro encontro do grupo. Ele informou que algumas das ações planejadas, chamadas de imediatas, já foram executadas diante da demanda: melhoria da iluminação com apoio do shopping, que fez a doação de luminárias; poda das árvores; revitalização do chafariz; ação integrada uma vez ao mês com Secretaria de Desenvolvimento Social, Demlurb, Guarda Municipal, Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) e Polícia Militar com abordagem dos cidadãos de rua, fiscalização da SAU do comércio clandestino, paisagismo dos canteiros que ainda está em execução, plantio de novas árvores, também com doação do shopping, e, recentemente, melhoria na iluminação da Rua Jarbas de Lery Santos.
“Quando traçamos essas metas, previmos que algumas ações deverão acontecer a longo prazo, fazendo parte da segunda fase e que chamaremos de ações contínuas com propostas para ocupação”, afirmou Figueirôa. Ainda há sugestões para instalação de um parcão e utilização do castramóvel, blitz educativa e avanços para implementação da lei que institui a política de adoção das praças. O administrador do condomínio do Santa Cruz Shopping, Luciano Sobrinho, ressaltou que os lojistas estão abertos às propostas e dispostos a colaborar. “Precisamos de parcerias para devolver esse espaço público aos seus frequentadores, e é um ótimo exemplo começar pela Praça do Riachuelo, que é um cartão postal da cidade.”
