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Atropelamentos fazem dez vítimas com morte

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Entre o início de janeiro e esta terça-feira (17), dez pessoas morreram em Juiz de Fora vítimas de atropelamentos. Desse total, cinco são idosos, com idades que variam entre 61 e 89 anos (ver quadro). Este resultado, obtido por meio de levantamento realizado pela Tribuna, leva em consideração as mortes ocorridas no local dos acidentes e também aquelas que aconteceram nos hospitais da cidade, após o encerramento do registro de ocorrência policial. Pelos dados oficiais, conforme o Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PPTran) são seis vítimas fatais desta natureza em 2013, o que corresponde ao dobro do total contabilizado em todo o ano passado. Apesar do elevado índice de atropelamentos com mortes chamar atenção, este não é a única dificuldade enfrentada no trânsito local. Com problemas crônicos de mobilidade urbana, com ruas e avenidas saturadas, e um transporte público cuja qualidade é questionada pelos usuários, os desafios para melhorar a fluidez e a segurança de motoristas e pedestres devem ser enfrentados ao mesmo tempo em que há ampliação da frota. Dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) mostram que, apenas este ano, entre janeiro e julho, 8.143 novos veículos foram registrados na cidade, que já conta com 216.086 automóveis em circulação. Estes e outros assuntos serão abordados a partir de hoje, na série de reportagens "Sinal de alerta", iniciada no mesmo dia em que começa a Semana Nacional do Trânsito, com programação estendida para todo o país.

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Até o fechamento desta edição, o PPtran havia registrado em Juiz de Fora 393 ocorrências por atropelamento em 2013, sendo que 90 foram contabilizados apenas nos últimos 62 dias, o que corresponde ao total de agosto e os 17 primeiros dias do mês de setembro. Do acumulado, 171 ocorrências (48%) aconteceram em ruas da região central. "O que podemos dizer é que, embora tenha havido um acréscimo no mês passado (quando a PM registrou 63 atropelamentos), verificamos que os dados se mantêm na média do ano anterior, apesar de ter dobrado o número de vítimas fatais. Isso pode ser atribuído, em grande parte dos casos, à falta de atenção do pedestre que, muitas vezes, atravessa em local onde não há sinalização indicativa", afirma o comandante do pelotão, tenente José Lourenço Pereira Júnior. O oficial explica que o uso de acessórios, como fones de ouvido ou telefone celular, contribui para a distração dos pedestres, além do desrespeito às regras de trânsito cometidas pelos condutores.

Trabalho educativo

Segundo a supervisora de projetos de Educação para o Trânsito da Settra, Renata Vianna, muitos dos atropelamentos estão relacionados ao comportamento agressivo de alguns condutores. "Eles estão abusados e, muitas vezes, desrespeitam a sinalização e a engenharia de tráfego. Por isso temos um trabalho de conscientização com as crianças, porque acreditamos que elas poderão fazer, no futuro, um trânsito melhor. Mas também há a necessidade urgente de que os adultos se sensibilizem para estas questões, embora seja difícil mudar o comportamento. Educar é mais fácil. Penso que campanhas de conscientização, como a em andamento, sobre o respeito à faixa de pedestres, devem ser continuadas, e não pontuais."

Segundo Cláudia Ferreira, que preside a Comissão Municipal de Segurança e Educação para o trânsito (Comset), entidade que organiza a Semana Nacional do Trânsito em Juiz de Fora, a questão dos atropelamentos será trabalhada em dois momentos ao longo dos próximos dias: durante o ‘Bate-papo coletivo’, que acontece no Parque Halfeld quinta e sexta-feira, e na Transitolândia na próxima segunda-feira, com atividades educativas para crianças e idosos.

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Aposentado é atingido na calçada

Um dos 393 casos de atropelamentos registrados este ano, em Juiz de Fora, chama atenção por fugir do padrão das outras ocorrências. Trata-se de um idoso, 67 anos, atingido por um veículo que capotou sobre a calçada da Rua Benjamin Constant. Neste caso, felizmente, ele se salvou, mas as sequelas físicas e psicológicas preocupam toda a família.

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O acidente ocorreu no primeiro domingo do mês de setembro. O céu estava claro, fazia calor e, para o aposentado, era mais um dia de visita à feira da Avenida Brasil. A rotina que ele seguia com prazer há décadas, teve um desfecho diferente naquela manhã. Ao seguir em direção ao ponto de ônibus na Avenida Rio Branco, para chegar até sua casa, no Bairro Borborema, ele foi surpreendido pelo automóvel que, descontrolado, bateu no meio-feio, capotou e o atingiu pelas costas na calçada. O idoso foi socorrido, levado para o HPS e transferido horas depois para a Santa Casa, onde permaneceu internado por cinco dias.

Mesmo sem quebrar um osso, o impacto com o veículo, com força suficiente para projetar o corpo alguns metros à frente, resultou em um ferimento na cabeça. Hoje em casa, ele evita falar sobre o assunto e, por recomendações médicas, está impedido de realizar trabalhos como marceneiro, que fazia habitualmente na própria residência como forma de complementar a renda. Mais que isso: assustado, ele conversa pouco e não quer mais sair de casa.

A situação contada pela filha da vítima, 43, exemplifica as consequencias causadas pela explosão no número de atropelamentos nos últimos dois meses na cidade. Segundo ela, o que mais revolta é a falta de atenção da família do condutor do automóvel, de 20 anos. "Até agora não entraram em contato para saber se precisamos de algo. Felizmente meu pai tem plano de saúde, mas estamos tendo gastos com medicamentos e exames complementares ", relatou a filha.

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Segundo ela, o que mais preocupa a família nem são os gastos financeiros, mas as sequelas deixadas no pai. "Ele se fechou totalmente. No fim de semana teremos um aniversário da família, e ele não quer ir. Meu pai era uma pessoa dinâmica e ativa, completamente independente. Agora se recolheu. Não fala sobre o assunto. Infelizmente, da noite para o dia, uma pessoa que, até então, podia fazer de tudo, se viu restrita em diversas atividades, desde ir ao bar tomar uma cerveja com amigos até caminhar sob o sol." 

*colaborou Nathália Carvalho

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