Duas adolescentes se enfrentaram com barra de ferro e faca no portão de uma escola ontem, pela manhã. Ao tentar apartar o confronto, um professor de 37 anos sofreu ferimento no braço esquerdo. A briga aconteceu do lado de fora da Escola Estadual Cândido Mota Filho, no Bairro São Benedito, Zona Leste. A lesão corporal foi registrada pela Polícia Militar, por volta das 10h30, quando as estudantes de 15 e 16 se desentenderam por causa de um jovem. Conforme a PM, a estudante de 16 anos teria telefonado para a outra de 15, chamando-a até a porta da escola. Quando a mais nova, que não é aluna do colégio, chegou, a outra, que aguardava dentro da instituição, teria saído com a barra de ferro e desferido um golpe contra ela. Como relatou a PM, a agredida teria se utilizado de uma faca para se defender. Na mesma escola, outros casos de violências envolvendo alunos já foram registrados. Um dos mais graves aconteceu em 2009, quando 950 estudantes foram impedidos de frequentar as aulas em decorrência de duas brigas generalizadas. Na ocasião, pedaços de madeira e pedras foram tomados das mãos dos participantes por funcionários do colégio.
No registro de ontem, o professor presenciou a violência e, na tentativa de separá-las, acabou machucado. Ao segurar a menina que estava com a faca, fui ferido. Mas ela não tinha a intenção de agredir. Na hora, passou uma viatura da PM, que foi acionada para resolver a situação. Ele e as duas jovens foram levados para o Hospital de Pronto Socorro (HPS), onde foram constatadas lesão no braço esquerdo do docente, escoriações no pé e no braço da mais nova e ferimento na palma da mão direita da mais velha. Todos foram medicados e liberados, sendo encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil em Santa Terezinha. Segundo o delegado de plantão, Carlos Eduardo Rodrigues, as adolescentes seriam ouvidas e entregues aos pais. O caso será encaminhado à delegacia responsável pela Zona Leste e à Vara da Infância e Juventude. A barra de ferro e a faca não foram localizadas. Ainda sob a supervisão do Grupamento Especializado em Atendimento de Crianças e Adolescentes em Situação de Risco (Geacar) da Polícia Militar, as duas estudantes, já na delegacia, foram incentivadas a pedir desculpas uma a outra e selar a paz com um abraço.
Educadores
Para o professor, mesmo que a briga tenha acontecido na área externa do colégio e após o horário letivo, a situação é de preocupação. É preciso haver um trabalho conjunto entre famílias, escola e Poder Público para amenizar o problema, e não um jogar a responsabilidade para o outro. A coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-Ute/JF), Victória Fátima de Mello, afirma ficar receosa com a questão de servidores terem a integridade física ameaçada. Cobramos do Governo estadual mais segurança nas escolas, além de projetos desenvolvidos para a comunidade escolar voltados ao incentivo da cultura da paz. O pesquisador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública da UFMG, Luís Felipe Zilli, considera que a violência na escola não está dissociada de seu entorno. A tendência é de que a violência de certas regiões acabe refletindo nas escolas que estão na sua área. É um padrão que se repete em todo o país. Quanto à rixa envolvendo adolescentes tão novas e armadas, segundo ele, é um tipo de episódio que também está ligado ao contexto do ambiente. Nas comunidades com casos recorrentes de violência, qualquer conflito pequeno é resolvido na base da violência. É o que pode explicar a atitude dessas meninas, já que, tradicionalmente, este tipo de ocorrência envolve jovens do sexo masculino.
