Os dois restaurantes universitários (RUs) da UFJF, do Centro e do campus, voltaram a funcionar ontem depois de 20 dias fechados por causa da greve dos servidores técnico-administrativos. A reabertura, comemorada pelos estudantes, foi possível graças a uma liminar concedida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou a volta de 50% de todo efetivo da UFJF. Com isso, todos os serviços oferecidos pela instituição de ensino, como secretarias e bibliotecas, foram retomados.
A decisão judicial, a pedido das universidades, saiu no último dia 5, mas só na assembleia da última terça-feira, os servidores ligados ao Sintufejuf decidiram, por 40 votos a 22, obedecer a liminar.
Na manhã de ontem, cerca de cem estudantes estavam concentrados na Praça Cívica do campus quando foram informados da decisão. Eles haviam programado um protesto contra o fechamento dos restaurantes e aproveitaram a mobilização para caminhar até o RU da Cidade Alta, informando a todos os alunos que o almoço a R$ 1,40 já estava novamente disponível.
Ao meio-dia, o movimento já era grande na entrada do restaurante, que ontem teve o horário de atendimento ampliado por meia hora, a pedido do Diretório Central dos Estudantes (DCE). De acordo com a assessoria do Sintufejuf, por causa da ação dos servidores terceirizados, os dois restaurantes estão funcionando com 100% dos funcionários.
Alívio
Os alunos dizem que, com os RUs fechados, ficava mais difícil manter a rotina de estudos na instituição, seja pela dificuldade em conseguir outros locais para alimentação, seja pelo preço. Para me alimentar em apenas um dia, já gastei quase todo o dinheiro que minha mãe me dá para a semana, e nós temos muitas atividades à tarde. Como moro em Benfica, é inviável ir em casa para almoçar, diz a caloura de comunicação social Talita Maria, 18 anos. Com o RU aberto, facilita muito, principalmente pelo preço. Lá fora, a gente gasta cerca de R$ 10 por um almoço com refrigerante e aqui (no RU) é apenas R$ 1,40 por uma refeição com suco. Fora a estrutura que é completa, tem até transporte, diz a também aluna da comunicação Bárbara Nunes, 19.
Na ação judicial, as instituições de ensino pleiteavam que a greve fosse declarada ilegal e abusiva e que a multa aplicada fosse de R$ 100 mil para cada entidade sindical. A liminar determina o trabalho de, no mínimo, metade da equipe técnico-administrativa em cada localidade, excluídos do cálculo os ocupantes de cargos e funções de confiança, até que seja julgado o mérito da demanda. A multa, de R$ 50 mil por dia, em caso de descumprimento da ordem judicial, será aplicada à federação e a cada um dos sindicatos envolvidos no movimento grevista. Segundo o coordenador de finanças do Sintufejuf, hoje às 9h, nova assembleia será realizada, para que as instruções do comando nacional de greve sejam repassadas para os servidores locais.
