No encerramento da Campanha de enfrentamento da violência contra os idosos, o grande homenageado foi o Pró-Idoso, programa municipal que completa 25 anos e tem como principal alicerce o Centro de Convivência Dona Itália Franco, que há 13 anos funciona no prédio da Amac na Rua Espírito Santo 434. A cerimônia que marcou o aniversário do programa ocorreu na tarde de ontem, com a presença de autoridades e de quem participou ativamente da construção da história do Pró-Idoso e da luta pela valorização das pessoas com mais de 60 anos. O centro de convivência, mantido pela Amac e pela Prefeitura, tem 1.400 inscritos nos serviços oferecidos, que envolvem aulas de dança, artesanato, teatro, entre outras atividades.
Este espaço é o exemplo da valorização do idoso. Mostra que temos vitalidade e muito a oferecer, porque não desistimos da vida. Aqui, somos tratados como iguais, não somos discriminados, resumiu Régia Maria Silveira, 68 anos, que há oito participa das atividades oferecidas pelo centro de convivência. Para Walter Gomes de Carvalho, 74, o programa foi responsável por mudanças. Tive um câncer e fiquei muito desestimulado. Mas, quando passei a vir para cá, mudou tudo. Foi bom para levantar o astral. Só tenho motivos para agradecer, porque somos uma família.
Conforme dados do Censo Demográfico 2010, Juiz de Fora tem cerca de 70 mil idosos, o que representa quase 14% da população. Preocupado com o envelhecimento populacional, o presidente da Comissão de Defesa dos Idosos da Câmara Municipal, vereador Isauro Calais (PMN), chamou a atenção para a necessidade de políticas públicas e de que as pessoas denunciem as violações aos direitos dos idosos. Já o secretário de Assistência Social, Flávio Cheker, destacou os avanços na legislação e o pioneirismo da cidade em oferecer a municipalização das atividades antes ofertadas pela Legião Brasileira de Assistência (LBA).
O assistente social e gerontólogo José Anísio Pitico da Silva, que foi o primeiro coordenador do Pró-idoso, lembra do contexto em que o serviço foi transferido para a Prefeitura. Iniciamos com os profissionais e cerca de 50 idosos que já integravam a LBA. Fizemos a interlocução com o prefeito da época, Tarcísio Delgado, e conseguimos colocar o programa na rua. De lá para cá, só cresceu e ganhou reconhecimento.
Durante o evento ontem, também foi apresentado material que integrará o livro A semente e o girassol, do historiador e funcionário da Amac Mario Antonio Marco. A obra contará a trajetória do Pró-Idoso a partir de documentos e depoimentos. Entre as personagens que falam do percurso está a aposentada Nair da Silva, 94, que começou a participar das atividades em 1989, permanecendo até hoje. Ela leu, durante a cerimônia, parte do depoimento concedido ao autor.
A celebração de ontem também contou com apresentação de dança dos idosos e da cantora Dionysia Moreira, 81, que foi cantora do rádio na década de 1950 e está prestes a lançar um CD. Além de ser cantora da casa, faço ginástica e dança de salão, conta Dionysia, que há 16 anos frequenta as atividades do Pró-Idoso.
