As unidades de atenção primária à saúde (Uaps) de Juiz de Fora terão que relatar semanalmente à Secretaria de Saúde todas as intercorrências que acontecerem durante o período. A portaria que institui o "Diagnóstico semanal Uaps" foi publicada no início do mês, tornando obrigatória a entrega dos formulários todas as sextas-feiras, ainda que não tenham ocorrido situações atípicas. O documento a ser preenchido pela gerência dos postos inclui dados sobre pessoal, remédios e insumos e infraestrutura, cujas deficiências são constantes alvos das queixas de pacientes. Segundo a secretária de Saúde, Maria Helena Leal Castro, o objetivo do procedimento é tornar mais ágil a solução de problemas que prejudicam o atendimento aos usuários do SUS, assim como acompanhar a rotina das unidades.
Neste primeiro momento, as gerentes das unidades estão se adaptando à nova demanda. A Secretaria de Saúde espera que, em até duas semanas, consiga elaborar o primeiro balanço com as principais intercorrências relatadas pelas unidades.
"Estávamos tendo dificuldades em saber o que acontece nas 60 Uaps, pois não temos como contatar os gerentes responsáveis diariamente para perguntar se houve algum problema. Se um médico sai de licença, por exemplo, às vezes só ficamos sabendo 15 dias depois, e a população fica sem atendimento nesse período. Agora, teremos condições de intervir mais rapidamente", explica a secretária. "Também poderemos acompanhar o que acontece em cada unidade, e, assim, identificar a necessidade de interferência mais incisiva, caso percebamos que alguma situação venha se repetindo."
De acordo com Maria Helena, os problemas infraestruturais têm sido o principal alvo de reclamações. "A nossa estrutura física está muito sucateada. Não é à toa que construiremos 11 novas Uaps, e outras 25 passarão por reforma e adequação, além das 16 onde já houve intervenção. Das 60 unidades, 57 passarão por algum tipo de manutenção ou serão novas."
Em seguida, ela aponta a constante falta de médicos, seja por ausências, licenças ou dificuldade de contratação, já que a rotatividade de profissionais na rede de saúde pública é grande. "Não queremos ter unidade que deveria contar, por exemplo, com três médicos trabalhando com dois. Estamos perseguindo este problema." Quanto à falta de medicamentos e insumos, a secretária afirma não haver problemas de estoque, mas, sim, de organização. Segundo ela, a escassez pontual de materiais pode ser explicada por fatores como solicitação de quantidade insuficiente ou aumento momentâneo da demanda.
