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PF investiga adoções de crianças por estrangeiros

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A Polícia Federal está investigando as adoções estrangeiras ocorridas na década de 1980 em Santos Dumont. De acordo com o chefe da delegacia de Polícia Federal de Juiz de Fora, Ronaldo Guilherme Campos, um inquérito já está em curso para averiguação do que ocorreu entre 1985 e 1987, quando mais de 90 crianças daquele município teriam sido levadas para fora do Brasil por pais estrangeiros em processos que estão sendo questionados. Há informações que meninos e meninas de Juiz de Fora e Barbacena também foram levados para a Europa. Ontem em audiência pública naquele município familiares dessas crianças contaram que foram coagidos a assinar as adoções e que tiveram seus filhos retirados de casa com a falsa promessa de estudo ou por causa da situação de pobreza dos pais, muitos deles analfabetos. Os depoimentos foram acompanhados pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, o deputado Cristiano Silveira (PT). De acordo com a assessoria de imprensa da Assembleia Legislativa, a suspeita é de tráfico humano. As denúncias são de que a estratégia usada para afastar as crianças do lar era a desqualificação das famílias, que teriam sido forçadas a assinar a adoção.

Em alguns casos, as crianças teriam sido levadas para educandários, sob o pretexto de terem uma vida melhor. Algumas mães disseram ter perdido todas as informações sobre o paradeiro dos próprios filhos. Isaura Ribeiro Sobrinho contou que sua casa foi vasculhada e a falta de mantimentos foi usada como argumento para a retirada dos seus três filhos. Isabel Maria de Jesus também perdeu os três filhos sob acusação de ser alcoolista e Ifigênia Francisca Rodrigues disse ter tido duas crianças levadas da casa da irmã de forma abrupta.

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Criado fora do país, Itamar Pedro Lemeur estava na audiência. Ele contou que, aos 3 anos ,foi levado para a França, porque os pais biológicos não tinham condições financeiras de criá-lo. Há cinco anos, porém, retornou ao Brasil para reencontrar seu passado e ouviu da mãe biológica a versão de que foi arrancado dela. Hoje, morando no país, ele vive o drama de estar longe de sua família adotiva, embora tenha escolhido permanecer ao lado da família brasileira.

Para o delegado Ronaldo Campos, trata-se de um caso sui generis, que ultrapassa dezenas de anos e pode vir a ter problema na sua tipificação. Ele explica que, apesar de o Estatuto da Criança e do Adolescente ter sido promulgado em 1990, além de outras leis importantes, somente com o Protocolo de Palermo, ratificado em 2004 no Brasil, é que o tráfico humano passou a ser visto sob uma nova ótica. A Convenção de Palermo é o principal instrumento global de combate ao crime organizado transnacional.

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