Um taxista de 35 anos foi baleado durante assalto, na noite de quinta-feira (17), na Rua José Lourenço Kelmer, no Bairro São Pedro, na Cidade Alta. A vítima foi localizada pela Polícia Militar, pouco antes das 23h, caída sobre a ponte do Córrego São Pedro, com um ferimento de bala nas costas. Aos policiais, o profissional relatou que fazia uma corrida com três passageiros, quando o assalto foi anunciado. Um dos criminosos, que estava armado, disparou contra o homem, que perdeu a direção do carro e colidiu contra uma árvore. Devido aos ferimentos, o taxista não deu mais detalhes sobre a ação e não consta no boletim de ocorrência se o profissional chegou a reagir ao assalto. Os bandidos fugiram a pé em direção ao Bairro Jardim Casablanca. De posse de algumas informações a respeito dos suspeitos, os militares deram início ao rastreamento. Um deles, de 21 anos, foi localizado e levado até a presença do taxista, que fez o reconhecimento.
Em seguida, outro suspeito, 19, foi encontrado em sua residência. Na abordagem, ele teria se identificado com outro nome, tentando escapar do flagrante. Mas sua carteira de identidade foi apreendida, e ele recebeu ordem de prisão. O terceiro participante do assalto e a arma utilizada no crime não foram encontrados. Conforme a PM, a vítima foi socorrida pelo Samu e encaminhada ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), em estado grave, onde permaneceu internada na sala de urgência. Até a noite de ontem, o taxista permanecia internado, lúcido e estável, respondendo a estímulos externos. A informação da Secretaria de Saúde é de que a bala transfixou e perfurou o abdômen da vítima. Os suspeitos foram conduzidos para a delegacia de Polícia Civil, onde tiveram o flagrante confirmado e foram encaminhados ao Ceresp.
‘Segurança zero’
Entidades que representam os taxistas cobram a intensificação das operações "Para Pedro",
que verificam a documentação e situação de profissionais e passageiros. "A polícia dá o apoio necessário quando solicitamos, mas não tem realizado as operações ‘Para Pedro’ nos locais e horários em que precisam ser feitas", criticou o presidente da Associação dos Taxistas, Luiz Gonzaga Nunes. "Nossa classe tem segurança zero", completou.
O presidente do Sindicato dos Taxistas, Aparecido Fagundes, também defende a intensificação das operações como forma mais eficiente de combate à criminalidade contra a categoria. "Existem algumas leis, mas muitas não pegaram. A que fala sobre as paradas dos táxis nos postos policiais, por exemplo, não tem como seguir, pois muitos postos estão desativados. A identificação dos passageiros em viagens noturnas também não foi para frente, pois os taxistas ficam constrangidos em pedir documentação e passar para as centrais, que já estão sobrecarregadas de serviço. Já o rastreamento por GPS não é obrigatório e tem custo alto."
Após o caso registrado na noite de quinta, Aparecido Fagundes espera agendar reunião com a PM para discutir a intensificação das operações "Para Pedro". Apesar de considerar o serviço como "profissão de risco", ele alerta para que os colegas de classe não reajam a abordagens de criminosos. "Eu mesmo já fui assaltado quatro vezes. Peço que os taxistas não reajam, procurem atender à ordem do bandido, evitem gestos bruscos e avisem quando forem fazer algum movimento. Apesar de difícil, é preciso manter a calma."
PM garante realizar ações preventivas
Conforme a assessoria de comunicação do 27º Batalhão da Polícia Militar (BPM), o número de roubos a mão armada na área daquela unidade – regiões Norte, Sul e Cidade Alta – caiu 50% no primeiro quadrimestre do ano (8) se comparado com o mesmo período de 2011 (4). Em relação às operações "Para Pedro", foram 113 abordagens nos quatro primeiros meses deste ano, todas voltadas para prevenção entre os taxistas. Em todo o ano passado, o 27º BPM realizou 390 ações do tipo.
"Diante de tais resultados, ressaltamos que o aspecto que mais contribuiu para essa redução criminal foi a intervenção policial pautada por uma metodologia de policiamento orientado para a resolução de problemas. Ou seja, através das análises feitas diariamente de todos os registros criminais, os problemas são detectados e analisados. Posteriormente, as operações policiais são planejadas e executadas, conforme podemos confirmar nos números divulgados. E, após isso, os resultados obtidos são avaliados e aprimorados naquilo que for necessário", explica, em nota, o assessor do 27º BPM, tenente Flávio Luiz de Campos.
Legislação
Uma lei municipal, regulamentada na última terça-feira, determina que, até setembro, os táxis de Juiz de Fora terão que implantar sinalização de cor sobre o letreiro, chamado de bigorrilho. Uma das funções é avisar se o motorista está em perigo. Na possibilidade de risco e pedido de socorro pelo motorista, ele poderá acionar uma luz vermelha intermitente. "A comunidade inteira precisa ser bem esclarecida sobre esse mecanismo para ajudar o taxista em caso de perigo", defende o presidente da Associação dos Taxistas, Luiz Gonzaga Nunes.
