Um relatório cobrando soluções contra a violência nas escolas em Juiz de Fora será encaminhado ao Governo de Minas. No documento, proposto ontem durante audiência pública, na Câmara Municipal de Juiz de Fora, entidades solicitam ações prioritárias voltadas para adolescentes e jovens. O debate teve a participação de estudantes, professores, Polícia Militar, Polícia Civil e representantes das secretarias municipal e estadual de Educação e da Vara da Infância e Juventude. A criação de escolas de tempo integral, de políticas públicas específicas e a implantação urgente do Centro Integrado de Atenção ao Adolescente Infrator (CIA) também foram solicitadas durante a reunião. O objetivo do CIA é que os efeitos pedagógicos provocados pela aplicação de medidas socioeducativas apareçam com maior celeridade. Em Belo Horizonte, onde o órgão já existe, houve redução de 50% das ações dos adolescentes infratores, disse o chefe do Comissariado de Menores, Maurício Alvim.
Na reunião, solicitada pelo vereador Francisco Evangelista (PP), os participantes decidiram pela criação de um fórum de discussão permanente sobre a violência nas instituições de ensino. Adolescentes presentes na audiência sugeriram formas de reduzir o problema nas escolas e cobraram ações mais enérgicas dos órgãos públicos, além da maior participação da família no cotidiano escolar. É urgente a necessidade de integração das famílias com professores e polícias. Precisamos também de mais eficiência dos atos praticados pelo Judiciário, cobrou o estudante Moisés Moura Cândido, 12 anos, integrante do Comitê de Cidadania da Escola Municipal Adhemar Rezende de Andrade.
Também integrante do comitê, o aluno Jonas Munck de Oliveira, 13, foi além. Temos assistido brigas de gangues, apedrejamentos a ônibus, assassinatos de adolescentes e, recentemente, vi a polícia falando que não sabe o que fazer para controlar essa situação. Não concordamos com planos mirabolantes, não concordamos em substituir os professores por cartilhas. Precisamos de mais envolvimento das famílias, precisamos de professores valorizados.
Secretária de Educação do município, Eleuza Barboza também aposta no envolvimento de todos os órgãos. A escola sozinha não dá conta. Precisamos desta rede presente aqui. Defendo dois pilares: o fortalecimento da escola e a presença da família.
Representando o comandante da 4ª Região da Polícia Militar, major Alexandre Nocelli, destacou a criação do projeto do Conselho Comunitário de Segurança Pública (Consep) Escolar, no Centro, além de outros programas preventivos que vêm sendo desenvolvidos pela PM, como o Jovem Construindo a Cidadania (JCC) e o Programa de Erradicação das Drogas (Proerd). A matriz da polícia é a prevenção. Não queríamos estar nas escolas, mas hoje temos que estar como nunca antes. Precisamos descer do discurso e caminhar para a prática, todos juntos.
Geraldo Magela Delozi, representante da Superintendência de Ensino e da Secretaria Estadual de Educação, ressaltou que um grupo já está organizado para o enfrentamento da violência nas escolas. Hoje este grupo esteve reunido e elegeu uma comissão na Assembleia Legislativa.
Ainda não foi definida a data, mas está prevista nova audiência pública sobre o tema em Juiz de Fora, com representantes da assembleia, solicitada pelo vereador Wanderson Castelar (PT).
