
Animal divide espaço com carro na Rua Dr. João Penido, no Parque das Torres (Leonardo Costa/24-03-15)
Não é raro encontrar animais soltos em vias urbanas de Juiz de Fora, apesar de o ato ser considerado uma contravenção penal. A presença de equinos, bovinos e bichos de pequeno porte traz risco para pedestres e motoristas em algumas ruas do perímetro urbano. A reportagem encontrou o problema em vários trechos da cidade. Acesso Norte e Avenida JK, que cortam a Zona Norte, Avenida Senhor dos Passos, no trecho que liga o Bairro Carlos Chagas, na Zona Norte, à Cidade Alta; BR- 440, no Bairro São Pedro, Rua Doutor João Penido, no Parque das Torres; Rua Doutor José Eutrópio, em Santa Terezinha; e até a Avenida Rio Branco são vias que concentram grande circulação de veículos e estão na rota desse animais.
Conforme dados do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar, em 2014, foram registrados 25 casos de acidentes envolvendo animais livres nas ruas. No ano anterior, foram 17 e, esse ano, já aconteceram oito acidentes em janeiro e fevereiro. O perigo dos animais nas ruas também pode ser medido pelo número de apreensões feitas pelo Demlurb. Só este ano, até 15 de abril, foram recolhidos 64 cães e 41 equinos.
No caso das motos, o perigo aumenta já que, muitas vezes, para desviar de cães, o motociclista perde o controle direcional e acaba sofrendo uma queda. Apesar de menos comum, acidentes envolvendo outros animais e motos também ocorrem. No último dia 10, um motociclista ficou ferido ao bater de frente com um cavalo, quando trafegava na Avenida JK, na altura do Bairro São João, na Zona Norte. Ele relatou que passava pelo local, quando foi surpreendido pela entrada repentina do animal na sua frente, sendo impossível evitar o impacto.
Após a batida, o cavalo saiu em disparada entrando em uma via paralela. O condutor da moto teve feridas pelo corpo e foi medicado no Hospital de Pronto Socorro (HPS). Muitas vezes, torna-se difícil identificar os proprietários desses animais, dificultando a atuação do órgão fiscalizador. Entretanto, conforme o comandante do Pelotão de Trânsito, tenente Rodrigo Oliveira, o proprietário do animal livre pode responder por omissão de cautela prevista na Lei de Contravenção Penal. A pena, neste caso, é de dez dias a dois meses de prisão ou multa, que é fixada judicialmente. “Dependendo da gravidade do acidente, o proprietário pode responder na Justiça por outras penas”, destacou o comandante.
Problema recorrente na Rio Branco
O perigo causado por animais soltos é uma preocupação constante para os moradores e motoristas que passam pelo trecho final da Avenida Rio Branco, na Zona Sul. Segundo denúncias dos moradores, é possível ver cavalos diariamente pastando no trevo de acesso aos bairros Graminha e Cruzeiro do Sul, bem como no canteiro central e, especialmente, no período da manhã. Além de atrair parasitas, como carrapatos e moscas, os cavalos soltos na pista de uma das principais vias de ligação da cidade podem provocar acidentes de trânsito. Segundo o comandante do Pelotão de Trânsito, tenente Rodrigo Oliveira, o proprietário do animal deve ter atenção quanto ao cuidado com o animal, que deve ser acomodado em local apropriado, com cercas e material para prendê-lo em bom estado de conservação. “Deve-se primar pelos bons tratos e pela segurança do animal, já que, se ele ficar irritado, aumenta seu potencial de fuga e agressividade”, pontua o militar.
Para os condutores, o comandante ressalta que esse tipo de acidente é imprevisível e que, por esta razão, o motorista deve se antecipar à situação. “Quando o animal é visto de longe, a velocidade deve ser reduzida. Ao passar próximo dele, o veículo deve estar lento, já que o animal tem um comportamento imprevisível.” O militar ressalta que a principal arma para diminuir o número de animais nas ruas continua sendo a conscientização de seus proprietários. Segundo ele, cães e gatos abandonados também são problemas crônicos. Normalmente, seus donos descartam filhotes que acabam crescendo e se multiplicando pelas ruas. “São muitos os motoristas que precisam frear seus carros e diminuir a velocidade para evitarem colidir não somente com gados correndo na pista, mas também cães e gatos causando perigo”, alerta o tenente. Outro problema é o mau cheiro causado pelas fezes desses grandes animais em via pública.

