O fechamento de turmas para redistribuição de alunos, que, conforme levantamento do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), já afetou cinco escolas estaduais de Juiz de Fora, pode chegar também às instituições municipais de ensino. Em carta aberta à comunidade do Bairro Vila Ideal, onde fica a Escola Municipal Prefeito Dilermando Cruz, um grupo de estudantes e profissionais manifesta sua indignação com a possibilidade de encerramento de turmas noturnas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), por determinação da Secretaria de Educação. O documento é creditado a alunos, coordenadores, diretores e professores do colégio e aponta que, com a redistribuição, séries distintas podem coexistir na mesma sala de aula, o que trará sérios prejuízos ao processo de ensino-aprendizagem.
No entanto, o diretor da escola, Marcos Vitói, classifica a atitude como precipitada e afirma que o comunicado partiu de alguns professores, não refletindo o posicionamento da direção. Ainda não foi decidido se alguma turma será fechada. Vamos nos reunir com a Secretaria de Educação para ver o que pode ser feito para evitar que isso aconteça. A supervisora da EJA, Márcia Cristina do Amaral, confirmou que existe a chance de rearranjo dos estudantes, mas reiterou que primeiro haverá diálogo com o colégio. Segundo ela, isto se deve à infrequência de diversos alunos. Fazemos acompanhamento das escolas e, verificando o fluxo de alunos nesta unidade, vimos que em uma das fases do EJA tinha, no total, 28 alunos matriculados e divididos em duas turmas, mas, ao todo, apenas 12 estão frequentando o curso. Em outra fase, há 108 inscritos distribuídos em quatro salas, mas só 54 comparecem. Ela garante, ainda, que os educadores estão sendo preparados para o ensino em turmas multisseriadas.
O Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro-JF) repudia o encerramento de turmas, argumentando que a medida, além de prejudicar o ensino, pode desempregar professores. Esta decisão vai na contramão da educação do país, que está em expansão, e prejudica quem mais precisa: pessoas que trabalham o dia inteiro e só podem estudar à noite. Além disso, faz com que o professor tenha um desgaste muito maior ao trabalhar com turmas de séries diferentes no mesmo espaço, representando, ainda, ameaça ao emprego de muitos, argumenta a coordenadora do Sinpro-JF, Aparecida de Oliveira Pinto.
