
Pacientes fazem fila para receber diagnóstico no posto montado no PAM-Andradas (Leonardo Costa/17-02-16)
Funcionando há três dias, o Centro de Hidratação contra a Dengue, localizado no PAM-Andradas, tem funcionado com superlotação, deixando pacientes esperando até oito horas para receber atendimento. Diante da explosão de casos dos últimos dias, quando os registros saltaram de 796 para 1.653, o local não tem comportado o fluxo porque, ao invés de ser um ponto de apoio aos casos suspeitos de dengue, tem recebido todo o fluxo do SUS na cidade. Isso porque os postos dos bairros e as UPAs não estariam atendendo os casos de dengue, conforme informações dos pacientes. A confusão no fluxo e a falta de informação tem feito com que usuários peregrinem de um local ao outro, para conseguir se consultar.
Esse foi o caso de Regiane da Cruz Dias, 22 anos. Ela, a filha, 2, e a mãe, 47, estão com suspeita de dengue e procuraram a UPA de Santa Luzia. No local, a informação era de que a unidade não estava realizando os atendimentos de dengue. “Pediram para eu ir ao posto de saúde pegar o encaminhamento para virmos para cá (Centro de Hidratação). Nós três fomos ao posto de Santa Efigênia. Aguardamos por duas horas. Uma enfermeira nos atendeu e nos deu o encaminhamento. Não tinha médico na unidade porque a médica que atende lá está com dengue. Fizemos tudo isso hoje.” Elivete Crepaldi, 35, levou o filho de 12 anos à UPA Norte e recebeu a mesma orientação de Regiane. No entanto, resolveu ir à instalação direto, sem pegar o encaminhamento na Uaps, já que seria mais algumas horas de espera. A Secretaria de Saúde esclareceu que as UPAs não possuem orientação para recusar atendimentos a qualquer paciente.
Só nos dois primeiros dias, 400 atendimentos foram prestados no Centro de Hidratação.
Fluxo
Conforme o subsecretário de Atenção Primária à Saúde, Thiago Horta, o fluxo de atendimento aos casos de doenças relacionadas ao Aedes aegypti começa nos postos dos bairros, onde há uma classificação de risco que vai de A a D. Quando o paciente é classificado como A, que é suspeita de dengue, ele será orientado, receberá o kit de hidratação e terá o cuidado feito em domicílio, retornando à unidade após três dias para acompanhamento da evolução da doença. “Se for grupo B, que já é um risco moderado, o usuário começa uma hidratação venosa ainda na própria Uaps e será transferido para UPAs ou para o Centro de Hidratação, pois precisará ficar em observação”, enfatiza. Já nos casos C e D, o paciente é encaminhado para as unidades de urgência e emergência. “O Centro de Hidratação não é o único local de atendimento à dengue. É mais um. As UPAs não podem encaminhar os pacientes para lá e as Uaps precisam realizar as consultas. Caso a unidade não faça esses procedimentos, o usuário deve realizar uma reclamação administrativa junto à Secretaria de Saúde para que sejam tomadas as providências cabíveis”, alerta o subsecretário.
Na próxima semana, a segunda unidade do Centro de Hidratação será instalada na Policlínica de Benfica, na Zona Norte.
Reclamações
Rosimeria Vieira, 41, chegou às 9h de ontem no Centro de Hidratação. Só foi passar pela triagem às 13h. Por volta das 16h, quando a Tribuna esteve no local, ela ainda aguardava atendimento. Outra reclamação dos pacientes foi a falta de água e a sujeira dos banheiros. “Um paciente comprou dois galões para o pessoal. Ele ainda comprou e trocou o filtro da torneira que estava sujo, velho e pregado com chiclete”, conta Elivete.
A Secretaria de Saúde informou que começou a executar o serviço há poucos dias. “O fluxo está sendo avaliado, e todas as adequações sendo feitas.” A assessoria da pasta ainda ressaltou que Juiz de Fora é uma das poucas cidades do país a montar um centro especial para tratamento das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.
Dificuldade para falar com o Disque Dengue
Muitos flagrantes de situações favoráveis à infestação do Aedes aegypti têm sido enviados para a Tribuna pelos leitores. Eles reclamam que não sabem onde denunciar, já que o Disque Dengue (3690-7290) só dá ocupado ou chama sem que nenhum funcionário atenda. Moradora do São Benedito, Maria Margareth de Oliveira, 42 anos, contou que um vizinho tem acumulado lixo no quintal. “Ligamos para denunciar, e ninguém atendeu. Então, o meu marido foi no local onde funciona o Disque Dengue e realizou a denúncia. Os agentes estiveram na casa, mas o morador não deixou entrar. Eles tiraram fotos da situação.”
Uma oficina abandonada na Rua Júlio Modesto, no Vitorino Braga, tem tirado o sono de um morador da via, que preferiu ter a identidade preservada. Na oficina há objetos acumulando água. O morador afirma que tentou falar pelo Disque Dengue e não conseguiu. Então, ele se dirigiu à Avenida Sete de Setembro, no Costa Carvalho, para falar com os agentes de endemias. “Isso faz uns 20 dias e nada foi feito.”
A Secretaria de Saúde ressaltou que tem recebido um número cada vez maior de ligações, o que tem congestionado as linhas. “A pasta está trabalhando para ampliar as linhas e dar mais qualidade ao atendimento. Novos canais de ligação já foram solicitados. Falta somente a operadora concluir a instalação.”
Fumacê
As atividades com os carros fumacê serão iniciadas em Juiz de Fora ainda nesta semana. Hoje, os veículos irão circular pelos bairros Santa Cecília, Mundo Novo e Alto dos Passos, das 17h às 21h. Já amanhã, será a vez de os bairros Santa Luzia e São Mateus receberem o tratamento.

