Atualizada às 15h38
Mesmo diante da ameaça de uma tríplice epidemia, muitos juiz-foranos ainda não se conscientizaram de que é preciso combater o Aedes aegypti, transmissor da dengue, do zika vírus, da febre chikungunya e da febre amarela. Diariamente, leitores da Tribuna enviam flagrantes de situações de riscos de proliferação do mosquito. São lotes acumulando sujeira, carros abandonados empossando água da chuva, piscinas não tratadas, tanques e baldes destampados e calhas acumulando água. Os flagrantes foram registrados em diversas regiões e mostram que a cidade ainda não está tomando os cuidados necessários para evitar uma infestação.
Carros abandonados pelas ruas estão entre as principais preocupações de moradores. Tamires Cardoso flagrou três veículos acumulando água na Rua Paula Lima, no Centro. A mesma situação acontece na Rua Espírito Santo, no Centro, onde um Fiat Stilo foi largado na altura do número 412. Ele se encontra no local há quatro meses. Já no Bairro Monte Castelo, na Zona Norte, um Scort foi deixado com os vidros abertos na Rua Dr. Norberto Gerhein, quase esquina com a Rua Amambaí, há um mês. A Secretaria de Atividades Urbanas (SAU) informou que “a Fiscalização irá aos locais essa semana para avaliar se os veículos estão em estado de abandono”. Em janeiro, a pasta apreendeu cerca de 70 veículos abandonados em via pública.
Baldes podem ser vistos em marquise do Central
No Bairro JK, até pneu é deixado a céu aberto
Outra leitora reclama de uma piscina que não está sendo tratada na Rua Augusto Tielman 709, esquina com a Rua Guilherme Debussi, no Borboleta, Cidade Alta. Um flagrante também foi registrado na marquise do Cine-Theatro Central. Baldes com água e entulho estão largados no local, propiciando a proliferação do Aedes aegypti. A Tribuna entrou em contato com a UFJF, mas, até o fechamento da edição, não obteve retorno.
Um morador do Bairro São Pedro, na Cidade Alta, reclama de calhas sem escoadouro em um galpão onde são colocados caminhões e tratores da Cesama, na Rua Geraldo Bitarelo. Já o publicitário Milton Pereira, 72 anos, conta que, na construção de uma elevatória de esgoto, na Avenida Brasil, embaixo do Viaduto Augusto Franco, há vários tanques grandes abertos, acumulando água. A assessoria da Cesama informou que entrou em contato com as terceirizadas, responsáveis pelo galpão e pela estação de tratamento, que se comprometeram em tomar as providências necessárias.
Lixo
Motivo de queixas constantes, a construção conhecida como Palacete dos Fellet – que saiu das mãos da família em 1993 -, na Rua Espírito Santo 764, na esquina com a Avenida Itamar Franco, no Centro, está desde janeiro acumulando pneus, latas, garrafas, conforme a leitora Ana Lúcia Marques. “Agora as mamonas estão crescendo por cima do lixo.” A assessoria da SAU informou que o responsável já recebeu duas intimações: uma no último dia 25 para recomposição do muro e outra no dia 4 deste mês para limpeza geral do imóvel.
Um leitor, que preferiu ter a identidade preservada, enviou fotos mostrando lixo acumulado na esquina entre as ruas Adelaide de Campos Resende e Aleixo Magaldi, Bairro JK, Zona Sudeste. No local, há descarte irregular de resíduos de obras, pneus, cestas e plásticos. Segundo o Demlurb, estas ruas recebem limpeza regularmente. Contudo, enviará um técnico para verificar a situação.
Lotes com mato alto e acúmulo de sujeira também são problemas em vários outros pontos. Na Rua Izabel Correa de Souza, no São Pedro, Cidade Alta, um lote ao lado do número 135 tem aumentado a quantidade de mosquitos na via. O mesmo acontece na Rua Acácio Paulinho Pinto, ao lado do número 170, no Bonsucesso, na região Leste. A SAU informou que, a respeito do lote no São Pedro, “uma equipe de Fiscalização irá ao local nos próximos dias para identificar a situação e o responsável pela área para intimá-lo a tomar as devidas providências”. Já no Bonsucesso, o proprietário já tinha sido intimado a realizar limpeza geral e, em diligência fiscal, foi verificado o cumprimento. “Diante da nova reclamação, iremos intimar o proprietário novamente ainda esta semana para realizar a limpeza geral.”
Comitê tem primeira reunião hoje
[Relaciondas_post] Receoso com uma tripla epidemia, o município vem se preparando para a chegada do verão e, consequentemente, o aumento da proliferação do Aedes aegypti. Hoje acontece a primeira reunião do Comitê Municipal de Enfrentamento à Dengue, formado na semana passada. Segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde, Rodrigo Almeida, o encontro será focado na assistência. “Iremos realizar o levantamento de tudo que é necessário para um quadro de epidemia, como a questão das salas de hidratação – que queremos implantar em todas as regiões – e dos insumos laboratoriais. Nossa médica infectologista esteve em BH (Belo Horizonte), em reunião com o Ministério da Saúde e com os médicos pernambucanos que descobriram a relação do zika vírus com a microcefalia, e trouxe uma visão mais ampla. Ela estará nos ajudando na elaboração da rede assistencial.”
Unidade sentinela
Conforme Almeida, a Santa Casa firmou parceria com a Secretaria de Saúde e será a unidade sentinela da região para os casos de microcefalia. O município também está tentando parceria com as Forças Armadas. “O apoio deles será muito importante, principalmente na questão da resistência de muitos moradores em relação à abertura das casas para os agentes”, esclarece o subsecretário.
Dados estaduais
As doenças transmitidas pelo vetor preocupam autoridades epidemiológicas, já que têm se espalhado rapidamente pelo país e causado graves problemas. Somente em Minas Gerais, 67 pessoas morreram este ano vítimas da dengue, sendo um caso ocorrido em Juiz de Fora – importado de Macaé (RJ). A cidade registrou 4.344 pessoas infectadas com a doença, em 2015. No Estado, foram identificados 29 casos de microcefalia. Até o momento, apenas em um foi descartada a possibilidade de associação com o zika vírus. E seis pessoas foram diagnosticadas com a febre chikungunya em Minas – sendo um caso em Viçosa. Ainda há 31 notificações sendo investigadas.

