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Detentos realizam ampliação de igreja

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A Igreja Nossa Senhora Aparecida, no Bairro Linhares, Zona Leste, está passando por um processo de ampliação, e a mão de obra utilizada vem do Ceresp. O objetivo da ação, de acordo com o coordenador da Pastoral Carcerária, Padre José Maria de Freitas, é aproximar a comunidade do sistema carcerário. O bairro era tido como amaldiçoado porque o presídio era um peso para a comunidade. Eu queria romper este estigma, estas visões excludentes e injustas que promoviam o julgamento. Já que a comunidade era carente e precisava do serviço, pensei em utilizar a mão de obra dos detentos como forma de aproximá-los dos moradores do bairro e mostrar que são pessoas boas e trabalhadoras, revela o padre.

A ampliação da igreja já dura um ano e três meses. Atualmente, seis presos trabalham de segunda a sexta-feira, oito horas por dia. A previsão para o término é de dois meses. Para o padre é uma oportunidade de oferecer aos detentos a possibilidade de um recomeço por meio do trabalho. O preso tem a proposta voluntária para a redução de pena, a cada três dias trabalhados, reduz um. Eles não recebem nenhum valor, mas a gente se compromete com a família e com suas próprias necessidades, entre eles o apoio jurídico.

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Além de contribuir para a redução da pena, a obra ensina aos presidiários uma nova profissão. Trabalhava na cadeia como servente e me convidaram para vir para cá como pedreiro de acabamento. Quando sair daqui pretendo seguir esse ofício, conta um preso de 20 anos.

Alguns detentos, depois de saírem da cadeia, continuaram ajudando na obra da igreja. É o caso de Alexandre Gomes da Silva, 40. Fiquei preso um ano e quatro meses. Abandonei o crime e agora quero viver para a família. Saio da Zona Norte todos os dias para vir para a igreja.

João Batista de Souza Gonçalves, 44, também não perdeu o vínculo com o padre após deixar a prisão. Ele cumpriu pena de 20 anos e está há dois em liberdade. Voltou à igreja para ajudar no trabalho de evangelização. A religião ajuda muito a vida do preso. Dou palestras para mais de cem pessoas na cadeia.

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Oportunidade

O juiz da Vara de execuções penais, Amaury de Souza e Silva, destaca o impacto que projetos como este da reforma da igreja do Linhares provoca na vida dos presidiários. A grande maioria dos presos, com a nossa ajuda e a da sociedade, pode ser ressocializada. E com projetos como esse, eles têm a oportunidade de ver que existe uma saída para o crime, que a sociedade se preocupa com eles, e que eles podem ter uma vida normal.

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A opinião é compartilhada pelo diretor do Ceresp, Gionani de Moraes Gomes. Para ele, o trabalho, dentro ou fora da cadeia, interfere diretamente no comportamento dos detentos. Eles despertam a vontade de outros presos de também participarem.

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